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Binance enfrenta possível ataque de US$ 5,7 bilhões em criptomoedas

Binance enfrenta possível ataque de US$ 5,7 bilhões

O mundo do cripto acordou na madrugada desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com a notícia de que a Binance, a maior corretora de ativos digitais do planeta, estava investigando uma possível violação de segurança que poderia resultar na perda de até US$ 5,7 bilhões — tornando-a, se confirmada, a maior invasão de criptomoedas na história.

O que aconteceu

As primeiras alertas vieram de detetives blockchain anônimos no X. Um pesquisador chamado Spreek publicou uma captura de tela mostrando transferências massivas saindo de uma carteira quente vinculada à Binance — o chamado "Binance 14" — e indo para uma conta externa recém-criada. Em 17 minutos, dois lotes de transferências totalizando aproximadamente US$ 3,3 bilhões haviam saído das carteiras da corretora.

O primeiro lote, às 04h24 UTC, movimentou 167.464 ETH (cerca de US$ 388 milhões), 1,615 bilhão em USDT e mais de 60 outros tokens. O segundo, 17 minutos depois, transferiu 780 milhões em USDC. Ambos foram para o mesmo endereço de recebimento. O tempo entre as duas transferências é tão curto que sugere um único operador ou processo automatizado.

O que chamou ainda mais atenção é que a transferência foi acionada por uma carteira financiada exclusivamente via Tornado Cash, o serviço de mistura de criptomoedas usado para obscurecer a origem dos fundos. Essa escolha de infraestrutura é incomum para manutenção de carteira legítima, mas padrão para atividades de lavagem.

A resposta da Binance

A Binance confirmou que estava ciente de um "potencial problema de segurança" e que estava "investigando ativamente". A corretora suspendeu temporariamente os saques em múltiplas redes como medida preventiva. Em comunicado, a empresa assegurou que "os fundos dos usuários estão completamente seguros".

Changpeng Zhao, cofundador da Binance (que não mais gerencia a corretora, mas é seu maior acionista), postou no X que a atividade "parece ser um hack" e anunciou que Tether e Circle haviam congelado aproximadamente US$ 971 milhões e US$ 823 milhões, respectivamente, em stablecoins vinculadas ao incidente. Zhao disse esperar que "todos os fundos dos usuários sejam totalmente cobertos", mas não explicou como a empresa pretendia arcar com o prejuízo.

O papel dos emissores de stablecoins

A ação rápida da Tether e do Circle foi crucial. Ambos os emissores podem bloquear endereços específicos de suas redes. Tether congelou mais de US$ 1,567 bilhão em USDT vinculados ao possível exploit, enquanto a Circle, emissora do USDC, travou mais de US$ 800 milhões em USDC. No total, cerca de US$ 2,36 bilhão em stablecoins foram congelados.

Paolo Ardoino, CEO da Tether, escreveu no X: "Proteger a indústria e nossos parceiros é nossa principal prioridade". Jeremy Allaire, CEO da Circle, disse que a empresa estaria "acompanhando de perto" os relatos e trabalhando em coordenação com as autoridades.

Essa capacidade de congelamento centralizado é uma das características mais controversas das stablecoins: embora sejam apresentadas como ativos descentralizados, emissores centralizados podem unilateralmente travar fundos específicos em resposta a suspeitas de crimes.

Impacto nos mercados

O mercado reagiu com pânico. Bitcoin despencou abaixo de US$ 79.000, caindo cerca de 2,6% nas últimas 24 horas. Ether perdeu cerca de 3%. O token proprietário da Binance (BNB) foi o mais atingido, despencando aproximadamente 7% para cerca de US$ 699. Monero, a criptomoeda focada em privacidade, saltou 6% — ecoando o movimento de 51% que havia registrado após o roubo de US$ 333 milhões em Bitcoin em abril de 2025, quando se esperava que os fundos hackeados fossem misturados via Monero.

Contexto histórico

Se confirmado, este incidente superará em mais de três vezes o recorde anterior de roubo de criptomoedas: o ataque à Bybit em fevereiro de 2025, que resultou na perda de aproximadamente US$ 1,5 bilhão e foi atribuído a hackers norte-coreanos. A própria Binance já havia sido vítima de um roubo em 2019, quando perdeu 7.000 BTC (cerca de US$ 78 milhões na época), mas recuperou todos os fundos através de seu SAFU (Secure Asset Fund for Users), um fundo de emergência criado a partir de um meme de 2018.

O que torna este incidente particularmente preocupante é a incerteza em torno da identidade do atacante. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade, e a Binance não mencionou ter recebido correspondência dos hackers — um padrão que apareceu nos ataques de 2025, onde organizações vinculadas ao estado norte-coreano frequentemente negociavam a devolução dos fundos em troca de parte do resgate.

O que vem a seguir

Neste momento, a Binance não confirmou impacto em fundos dos usuários. O cenário mais otimista é que se trate de uma transferência interna de manutenção que foi acionada por credenciais comprometidas — algo que a própria empresa já descreveu como "um problema de segurança" sem caracterizar como roubo. O cenário mais pessimista é que esteja ocorrendo um dreno contínuo de ativos, potencialmente em andamento.

A comunidade blockchain continuará monitorando a cadeia de blocos em busca de sinais de que os fundos foram movidos para exchanges descentralizadas ou convertidos em criptomoedas focadas em privacidade — o passo final típico antes que fundos hackeados se tornem irrecuperáveis.

Fontes: TechCrunch, CoinDesk, Cointelegraph

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação