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Crosby: a startup de advocacia alimentada por IA faz oferta pelos ativos da centenária Weil Gotshal

A startup de advocacia alimentada por IA que quer absorver uma instituição de 95 anos

Afirmes tradicionais de Wall Street existem por gerações. Weil, Gotshal & Manges foi fundada em 1931, celebrou seu 95º aniversário este ano e, em menos de três meses, perdeu mais de 30 parceiros, viu fracassar uma fusão planejada com o Willkie Farr & Gallagher e agora se prepara para se dissolver. Em vez de concorrentes tradicionais disputando seu legado, porém, é uma firma de advocacia alimentada por inteligência artificial — fundada em 2024 e avaliada em US$ 400 milhões — que está estendendo a mão para comprar seus ativos.

A Crosby, com sede em Nova York, enviou uma carta de intenção na quinta-feira, 29 de outubro, para adquirir a marca, a marca registrada e dados internos não vinculados a clientes da Weil Gotshal. A empresa também está trabalhando para contratar alguns dos aproximadamente 1.200 advogados da firma em declínio, segundo a primeira reportagem da The Information, confirmada pela TechCrunch. Os termos da oferta não foram divulgados, e não há garantia de que a Crosby prevalecerá.

A queda acelerada de uma lenda do direito

A Weil Gotshal não desmoronou da noite para o dia. Seu declínio começou no verão de 2026, quando o escritório preparava uma transição de liderança após 16 anos à frente de Barry Wolf. A sucessora designada, a sócia de private equity Ramona Nee, desistiu do cargo. Pouco depois, Michael Aiello — presidente do departamento corporativo da firma — anunciou que deixaria o Weil para se juntar à Cravath, Swaine & Moore, levando consigo uma equipe de cinco sócios de M&A.

O efeito cascata foi implacável. Parceiros de private equity seguiram para Paul Weiss e Simpson Thacher & Bartlett. Parceiros de mercados de capitais e fusões e aquisições migraram para a Sullivan & Cromwell. No final daquele mês, a própria direção da Weil admitiu que a firma estava entrando em processo de "encerramento ordenado". O escritório, que faturou quase US$ 2,1 bilhões em 2025 e mantinha escritórios em 16 países, havia caído da非a nona posição em consultoria de fusões e aquisições global, em 2022, para fora do top 25 em 2025, segundo dados da LSEG.

A tentativa de salvar a situação por meio de uma fusão com o Willkie Farr & Gallagher também desmoronou. O Willkie foi informado nas últimas 24 horas antes de o encerramento ser anunciado formalmente. A AlixPartners foi contratada para orientar o processo de dissolução fora da falência, e os associados e funcionários foram informados de que seriam remunerados por 90 dias.

A Crosby: a firma que nasceu digital

Enquanto a Weil lutava contra o que parecia ser o inevitável, a Crosby crescia. Fundada em setembro de 2024 pelo CEO Ryan Daniels, ex-advogado da Cooley, e pelo CTO John Sarihan, ex-gerente de engenharia da Ramp, a Crosby foi apresentada como "a primeira firma de advocacia híbrida do mundo" quando saiu do stealth, em junho de 2025, com US$ 5,8 milhões em rodada semente liderada pela Sequoia Capital.

A proposta era simples, mas ambiciosa: em vez de vender ferramentas de IA para escritórios tradicionais, como fazem rivais como Harvey e Legora, a Crosby seria ela própria uma firma de advocacia. Seus agentes de IA — construídos sobre modelos da OpenAI, Anthropic e Google — realizavam revisões de contratos em minutos, não horas. A média de revisão era de 58 minutos. Clientes como Cursor, Clay, Cognition e Tishman Speyer utilizaram o serviço, que já havia processado mais de 13.000 contratos até a primavera de 2026.

Em março de 2026, a Crosby levantou US$ 60 milhões em rodada Série B, liderada por Lux Capital e Index Ventures, com participação da Sequoia, Elad Gil, 01 Advisors e Bain Capital Ventures, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. O modelo de cobrança não segue o tradicional horário por hora: a Crosby cobra por contrato, entre US$ 250 e US$ 1.000, dependendo da complexidade.

A firma tem mais de 50 advogados licenciados trabalhando em conjunto com seus agentes de IA, e o volume de contratos negociados através de sua plataforma já ultrapassou US$ 1 bilhão, segundo dados divulgados em seu blog.

O que a Crosby quer da Weil Gotshal

A oferta da Crosby pelos ativos da Weil Gotshal é significativa por múltiplas razões. O valor principal não está apenas na marca — apesar de um nome com 95 anos de reputação em Wall Street ter um valor inegável. O foco parece ser mais sobre os dados internos da firma.

Dados de contratos anteriores, templates de acordos de M&A negociados em diferentes etapas, registros de como contrapartes reagiram a redlines específicas — tudo isso pode ser usado para refinar sistemas de IA jurídica. É o mesmo princípio que tem impulsionado a corrida por dados de empresas falidas: Google, Mercor e Micro1 fizeram lances pelo dados internos e código-fonte da Spirit Airlines no mesmo contexto.

A forma como a Crosby usaria os dados da Weil Gotshal permanece não esclarecida. Nem a Crosby nem a Weil confirmaram publicamente os detalhes da oferta.

O que isso significa para o setor jurídico

A dissolução da Weil Gotshal não foi causada diretamente pela ascensão da IA jurídica — foi o resultado combinado de uma crise de sucessão, uma onda de saída de parceiros e uma fusão frustrada. Mas a chegada de firmas como a Crosby ilustra como a tecnologia pode acelerar transformações estruturais em setores estabelecidos.

O mercado de serviços jurídicos nos Estados Unidos é estimado em mais de US$ 400 bilhões anuais, com os 100 maiores escritórios gerando cerca de US$ 69 bilhões em lucro combinado no ano passado, segundo dados divulgados pela Crosby. Cada centavo foi distribuído aos sócios como compensação, sem investimento em inovação tecnológica interna.

Firmas alimentadas por IA como a Crosby oferecem uma alternativa radical: velocidade e precisão muito superiores, a custos significativamente menores. O modelo não substitui o julgamento humano — os advogados da Crosby continuam responsáveis por revisões finais e responsabilidade profissional — mas o tempo entre solicitação e entrega é drasticamente reduzido.

A questão que fica é se a dissolução da Weil Gotshal será um caso isolado ou o início de uma tendência: firmas tradicionais que não conseguem se adaptar à era da IA jurídica seguindo o mesmo caminho de outras indústrias que viram seus modelos de negócio transformados por novas tecnologias. A resposta determinará o futuro de um setor que movimenta mais dinheiro do que o orçamento anual de tecnologia da maioria das gigantes do mundo.

Fontes: TechCrunch, CNBC, AI Chat Daily

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