O consumo de energia dos data centers — o motor silencioso da revolução de IA — vai quadruplicar até 2035, segundo novos dados do setor divulgados pelo TechCrunch. O número é impressionante, mas o que realmente importa não é o volume: é quem vai pagar a conta e como a infraestrutura elétrica global vai absorver esse aumento.
O crescimento projetado não é linear. Os data centers já consomem cerca de 1-2% da eletricidade global hoje, mas a curva está acelerando por três fatores simultâneos: a demanda por inferência de IA (que consome muito mais energia que o treinamento, porque é contínua), a expansão da computação em nuvem convencional, e a proliferação de agentes de IA autônomos que mantêm workloads ativos 24/7. Treinar um modelo grande consome energia por meses — mas inferência para bilhões de usuários consome energia para sempre.
O dado que passa despercebido na maioria das análises é que esse aumento de 4x não é distribuído uniformemente. Ele se concentra em regiões específicas: Virgínia do Norte (EUA), Irlanda, Singapura e partes da Escandinávia já enfrentam pressão sobre suas redes elétricas por causa da concentração de data centers. Empresas de utilidade pública nos EU já estão pedindo permissão para construir novas plantas de geração exclusivamente para atender data centers, e algumas estão recorrendo a fontes poluentes (gás natural) como solução de curto prazo enquanto a infraestrutura renovável não acompanha.
O movimento mais interessante, no entanto, é a resposta do mercado. Empresas como a Bluecore Energy (que cobrimos hoje) estão levantando capital para reatores nucleares portáteis — uma aposta de que a demanda energética da IA vai criar um mercado para fontes modulares de energia que antes não eram econômicas. A Sila está escalando fábricas de baterias com US$300M. A Microsoft assinou contratos de energia nuclear para seus data centers. A tendência é que a localização dos data centers do futuro seja determinada não pela latência da rede, mas pela disponibilidade de energia.
A pergunta que fica é: quem arca com o custo ambiental desse crescimento? As big techs estão financiando energias renováveis e nucleares, mas o custo indireto — pressão sobre redes públicas, aumento de emissões durante a transição, competição por água para resfriamento — é socializado. A conta de 4x mais eletricidade não é só das big techs. É de todo mundo que vive perto de um data center ou depende de uma rede elétrica que também atende um.
Fonte: TechCrunch