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Daytona atinge unicórnio com $60M na Série B para construir a nuvem dos agentes de IA

Daytona atinge unicórnio com $60M na Série B para construir a nuvem dos agentes de IA

A startup norte-americana Daytona Platforms anunciou nesta semana que levantou $60 milhões em uma rodada Série B, atingindo valuation de US$ 1 bilhão. A rodada foi liderada pela FirstMark Growth, que também tinha liderado a Série A de $24 milhões em fevereiro, e contou com um elenco impressionante de anjos investidores: Patrick Collison (Stripe), Tobi Lütke (Shopify), Aravind Srinivas (Perplexity), Eric Yuan (Zoom), Olivier Pomel (Datadog), Adam D’Angelo (Quora, membro do conselho da OpenAI) e Brendan Foody (Mercor). Como investidores estratégicos, entraram Qualcomm Ventures, Samsung Next e Okta Ventures. O total acumulado levantado pela empresa chega a US$ 91 milhões.

Fundada em 2023, a empresa, com sede em Nova York (com operações em São Francisco, Croácia e Cingapura), defende uma tese simples mas ambiciosa: a infraestrutura de nuvem atual foi projetada para serviços humanos de longa duração, mas os agentes de IA operam de forma radicalmente diferente. Eles geram milhares de jobs stateful, de curta duração e imprevisíveis, que precisam de ambientes isolados, inicialização em milissegundos, persistência de estado e capacidade de ser "forkados" em cópias paralelas.

Por que a nuvem atual não serve para agentes

A premissa central da Daytona é que serviços de nuvem tradicionais — pense em um servidor web ou uma API REST — ficam online indefinidamente, processando requisições de forma relativamente previsível. Um agente de IA, contudo, opera de maneira completamente diferente: ele pode precisar iniciar um ambiente de desenvolvimento completo do zero, instalar pacotes, compilar código, executar testes, abrir um navegador, interagir com APIs externas e depois simplesmente desaparecer quando a tarefa for concluída.

"Agents don’t work like the long-lived services today’s cloud was designed for," escreveu Ivan Burazin, CEO e co-fundador da Daytona, em um post no blog da empresa. "They spin up thousands of short, stateful jobs nobody planned in advance, and they need a cloud built for that."

A plataforma da Daytona oferece o que a empresa chama de "composable computers" — máquinas virtuais isoladas com kernel dedicado, sistema de arquivos, stack de rede e vCPU alocados. Cada sandbox pode rodar em Linux, Windows, macOS ou com aceleração GPU (NVIDIA e AMD), dependendo da necessidade do agente. O tempo de inicialização é inferior a 90ms, e o estado persiste entre sessões — o agente pode pausar sua tarefa e retomar exatamente de onde parou.

O ecossistema em torno da nuvem de agentes

A tese da Daytona se encaixa em uma tendência mais ampla: a explosão de agentes autônomos de IA no mercado. Empresas como Anthropic, OpenAI e Google estão cada vez mais investindo em agentes que não apenas respondem a prompts, mas executam tarefas complexas em nome dos usuários — desde escrever e depurar código até navegar em interfaces web e executar análises.

A própria Daytona começou como uma ferramenta para desenvolvedores que queriam executar agentes de IA em ambientes isolados. O produto evoluiu para uma plataforma completa de execução, atendendo desde startups até equipes de engenharia de grandes empresas. Clientes como Handshake, Snorkel AI, Surge AI, Turing e AfterQuery já utilizam a plataforma para treinar e avaliar modelos, além de deployar agentes em produção.

Investidores estratégicos como Qualcomm Ventures e Samsung Next sinalizam que a infraestrutura de agentes pode se expandir além do software para incluir hardware dedicado — um sinal de que a indústria está considerando agentes não apenas como ferramentas de software, mas como entidades computacionais que merecem seu próprio substrato de hardware.

O que vem a seguir

Com US$ 60 milhões no caixa e valuation de unicórnio, a Daytona planeja expandir sua plataforma além do produto sandbox inicial, escalar sua infraestrutura de computação e crescer sua equipe internacional. A empresa já tem escritórios em São Francisco, Croácia e Cingapura, e pretende recrutar talentos nessas regiões.

O desafio a seguir será converter a empolgação inicial em demanda de produção duradoura. À medida que os agentes recebem permissões mais amplas e lidam com trabalhos cada vez mais valiosos, as empresas precisarão que a camada de execução permaneça rápida, isolada e confiável em uma gama cada vez maior de ambientes. A pergunta que fica é se a nuvem de agentes se tornará a nova categoria de infraestrutura que dominará a próxima década da computação — ou se acabará sendo uma camada especializada dentro do ecossistema cloud já existente.

Fontes: TechCrunch, Fortune, EU.VC

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação