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Ex-CTO da OpenAI lança Inkling: modelo frontier verdadeiramente aberto de 975B parâmetros

O fato. A Thinking Machines Lab, fundada pela ex-CTO da OpenAI Mira Murati, lançou o Inkling, um modelo de fronteira de 975 bilhões de parâmetros — o maior modelo americano de pesos abertos já lançado. Batizado de Inkling, o modelo usa arquitetura mixture-of-experts (MoE) inspirada no DeepSeek-V3, foi treinado do zero com 45 trilhões de tokens (texto, imagens, áudio e vídeo) em clusters Nvidia GB300 NVL72, e é distribuído sob licença Apache 2.0. Suporta contexto de 1 milhão de tokens.

Contexto. O cenário de modelos abertos de alto desempenho tem sido dominado por empresas chinesas como DeepSeek (V4), GLM (5.2) e Kimi (K2.6). Nos EUA, o maior modelo aberto até então era o Nemotron 3 Ultra da Nvidia, com 550 bilhões de parâmetros. Thinking Machines — fundada em início de 2025 por Murati após sua saída da OpenAI em setembro de 2024 — chega para preencher essa lacuna com um modelo que, segundo a empresa, é competitivo com os líderes chineses em várias cargas de trabalho.

Análise. O Inkling representa um marco para a transparência em IA. Enquanto a OpenAI de Sam Altman se move cada vez mais para modelos fechados e proprietários, Murati — que supervisionou o lançamento do GPT-4 e do ChatGPT — entrega um modelo de peso comparável sob licença permissiva. A escolha do Apache 2.0 é significativa: permite fine-tuning, redistribuição e uso comercial sem restrições. O modelo também é capaz de escrever seus próprios scripts de fine-tuning, um avanço em direção a agentes de IA auto-melhoráveis. No entanto, os benchmarks da própria empresa mostram o Inkling ainda atrás de modelos proprietários como Claude e GPT — a distância entre aberto e fechado continua existindo, embora esteja diminuindo. O custo de inferência também é alto: com 256 experts roteados, cada token ativa 6 experts (~41B parâmetros), exigindo infraestrutura substancial (8x B300 ou 16x H200 da Nvidia).

O que observar. A disponibilidade via plataforma Tinker (com ferramentas de customização) e a chegada a APIs de terceiros como TogetherAI, Fireworks e Databricks vão definir a adoção real. O movimento reposiciona o debate sobre soberania de IA: governos e empresas que evitam modelos chineses por questões geopolíticas agora têm uma alternativa americana verdadeiramente aberta. O desempenho em tarefas reais (fora de benchmarks) dirá se o Inkling é um legítimo competidor de fronteira ou apenas o maior — não necessariamente o melhor — modelo aberto disponível.

Fonte: The Register

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