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Google confirma aumento de preço do Pixel 11 — e a culpa é da memória RAM

O fato

O Google confirmou que a linha Pixel 11 será mais cara este ano, com um aumento estimado de US$ 100 em toda a família de dispositivos. A informação veio do vice-presidente Shakil Barkat em entrevista ao 9to5Google, citando a crise global de memória RAM como o principal fator por trás da majoração. O anúncio oficial acontece em 12 de agosto, no evento "Made by Google" em Nova York — uma semana antes do que no ano passado e em um horário nobre, às 18h (horário da costa leste).

Contexto

O cenário é preocupante para quem esperava que os preços dos smartphones continuassem estáveis. O Google revelou que o custo dos chips de memória DRAM aumentou cerca de seis vezes em comparação com ciclos anteriores de desenvolvimento do Pixel. Isso ocorre porque a demanda global por RAM disparou — impulsionada principalmente pela corrida da inteligência artificial, que consome quantidades cada vez maiores de memória tanto em servidores quanto em dispositivos móveis.

Com esse aumento, espera-se que o Pixel 11 básico saia por US$ 899 (ante US$ 799 do Pixel 10). Para amenizar o golpe, o Google está dobrando o armazenamento interno para 256 GB no modelo de entrada. Os modelos Pixel 11 Pro XL e Pixel 11 Pro Fold devem sofrer um aumento direto de US$ 100. Já o Pixel 11 Pro pode vir com uma redução de 16 GB para 12 GB de RAM — uma medida questionável para um dispositivo carro-chefe em 2026.

O coração da nova linha será o chip Tensor G6, fabricado no processo de 2 nm da TSMC. Este é um salto significativo em relação aos 4 nm usados nas gerações anteriores, prometendo ganhos substanciais de eficiência energética e desempenho de IA.

Análise

A decisão do Google de aumentar os preços e simultaneamente reduzir a RAM do modelo Pro revela uma estratégia contraditória. um lado, dobrar o armazenamento básico para 256 GB é um gesto bem-vindo — aplicativos, fotos em alta resolução e vídeos ocupam cada vez mais espaço. outro, reduzir a RAM em um momento em que a Google está justamente promovendo recursos de IA no dispositivo parece contraditório. Modelos de linguagem grandes (LLMs) rodando localmente, edição de fotos generativa e assistentes inteligentes são todos famintos por memória.

O Google está ciente dessa tensão. A empresa anunciou que está trabalhando para tornar o Android mais eficiente no uso de RAM, otimizando processos em segundo plano e comprimindo dados em memória. É uma jogada necessária — mas que não resolve o problema estrutural: a indústria de semicondutores está priorizando a produção de chips de IA e HBM (High Bandwidth Memory) em detrimento da DRAM móvel tradicional.

O Tensor G6 no processo de 2 nm é um ponto positivo importante. A migração para 2 nm promete até 30% mais desempenho ou 30% menos consumo de energia em comparação com nós anteriores. Para um chip que depende cada vez mais de NPUs (unidades de processamento neural) para tarefas de IA, esse salto é crucial.

O que observar

O Pixel 11 chega em um momento complicado para o mercado de smartphones. A crise de RAM não afeta apenas o Google — espera-se que toda a indústria, incluindo Samsung e Apple, sinta o impacto. Se a estratégia do Google de compensar com mais armazenamento e eficiência de software vai convencer os consumidores a pagar US$ 899 por um modelo básico, é algo que só saberemos após o lançamento.

O evento de 12 de agosto também deve trazer novidades sobre o Android 17, novos Pixel Buds e possivelmente um Pixel Watch 4. Mas o foco, sem dúvida, estará nos preços. Em um mercado onde US$ 899 já é território de flagships como o iPhone 17 e o Galaxy S26, o Google precisa mostrar que o Pixel 11 entrega valor proporcional ao novo custo.

Fontes: The Verge, 9to5Google, Android Central