← Home

O recorde de Bolt caiu: robô humanoide da Honor corre 100m em 9,32s em Pequim

A máquina acabou de dar os últimos passos no ginásio nacional de patinação em velocidade de Pequim — um estádio conhecido internamente como 'Fitilha de Gelo' pelo formato que lembra a fita usada nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 — e os cronômetros marcaram 9,32 segundos. Não foi uma corrida humana. Foi o Lightning, um robô humanoide de 169 centímetros e 45 quilogramas desenvolvido pelo fabricante chinho de smartphones Honor, durante uma fase de testes antes da cerimônia de abertura dos World Humanoid Robot Games (WHRG) de 2026, a segunda edição do evento que transforma Pequim em arena global de robótica. O tempo supera em 0,26 segundo a marca histórica de 9,58 segundos que Usain Bolt estabeleceu em Berlim em 2009 e que parecia intocável. O Lightning alcançou velocidade de pico de 14,5 metros por segundo durante a prova.

O evento que abrigou a marca é a segunda edição dos WHRG, realizados em Pequim entre 22 e 26 de agosto de 2026. A primeira versão, no mesmo local e em agosto de 2025, reuniu 280 equipes e mais de 500 robôs de 16 países, disputando 26 categorias que iam desde boxe até organização de medicamentos. Naquela edição, os corredores humanos tropeçavam constantemente: muitos caíram durante as séries preliminares, alguns nem conseguiram completar a prova. A tecnologia de locomoção bípede ainda estava em fase embrionária — o equilíbrio dinâmico, a troca de peso entre os membros e a reação a imprevistos eram problemas abertos de pesquisa, não recursos comerciais. Um ano depois, o salto evolutivo foi brutal.

O Lightning não foi o único a brilhar. Na prova oficial, o Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center em parceria com a UBTech, chegou em primeiro lugar, superando o Lightning perto da linha de chegada depois de ter saído atrasado. O Tiangong Ultra, da geração atual da linha Tiangong lançada em abril de 2024, é o primeiro humanoide do mundo capaz de corrida dinâmica movido exclusivamente por energia elétrica — não usa motores hidráulicos, como fizeram gerações anteriores. Seu design puramente elétrico é considerado um divisor de água para viabilidade comercial, pois motores elétricos são mais baratos, mais leves e mais fáceis de manter do que sistemas hidráulicos. O Tiangong Ultra já havia completando uma meia-maratona em 2 horas e 40 minutos, outra marca histórica.

O que torna a façanha do Lightning particularmente interessante vai além do cronômetro. O robô da Honor opera com atuadores que geram 400 newtons de torque por junta e utiliza um sistema de resfriamento líquido nos membros inferiores — uma solução de engenharia que permite manter a temperatura dos motores dentro de limites seguros durante esforços explosivos de curta duração. A Honor, que recentemente anunciou seu ingresso no mercado americano de smartphones, está usando o Lightning como vitrine tecnológica para sinalizar sua transição da fabricação de dispositivos móveis para a robótica encorporeizada. É uma estratégia semelhante à que viu a Tesla usar o Optimus para validar suas capacidades em inteligência artificial e controle motor antes de escalar para a produção em larga escala.

O que observar nos próximos dias dos WHRG é se os robôs continuarão melhorando e se as empresas fora da China começarão a apresentar respostas competitivas. Até o momento, a China domina tanto a infraestrutura de fabricação de robôs quanto os incentivos governamentais para a área. O Departamento de Ciência e Tecnologia do Governo Popular do Distrito de Tongzhou, em Pequim, já anunciou um pacote de apoio de 17 milhões de yuan (cerca de 2,4 milhões de dólares) para empresas de robôs humanoides, um sinal claro de que o governo chinho quer consolidar Pequim como capital mundial da robótica. O mercado global de robôs humanoides, segundo estimativas de consultorias como a Grand View Research, deve ultrapassar os 30 bilhões de dólares até 2030. Mas a velocidade com que os robôs estão correndo — literalmente — sugere que o cronograma pode ser ainda mais apertado do que o previsto.

Fontes: The Guardian, Al Jazeera, The Verge

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação