Os primeiros clientes que adquiriram o iPhone Duo já estão relatando problemas sérios com a dobradoura do dispositivo. Diversos usuários publicaram fotos e vídeos em comunidades online mostrando a tela interna trincada diretamente na região da dobradiça — o mesmo ponto que a Apple projetou como a zona mais vulnerável de qualquer telefone com tela flexível.
O caso mais detalhado vem de um usuário no Reddit conhecido como Midnight_Slump, que relatou ter usado o aparelho por apenas seis horas e aberto e fechado o dispositivo menos de 20 vezes quando a tela se partiu. "Estava mostrando o meu Duo para um amigo e, ao abrir, senti algo embaixo da tela perto da dobradiça interna", disse o usuário. "Ao continuar abrindo, ouvi uma rachadura audível e a tela quebrou bem no ponto da dobra. Não havia marcas visíveis na superfície da tela interna nem na dobradiça externa que sugerissem que o telefone tivesse caído ou que um objeto ficasse preso."
O proprietário procurou uma Apple Store e recebeu um aparelho de substituição imediatamente. "Dia zero, seis horas de posse, e já estou com meu segundo telefone", escreveu, descrevendo uma experiência frustrante que deveria ser inexistente num produto desse preço.
Mas ele não foi o único. Um segundo usuário do Reddit, Bitter_Offer7123, compilou várias imagens de comunidades chinesas de tecnologia, destacando danos praticamente no mesmo ponto exato da dobra central do iPhone Duo. O padrão é consistente: rachaduras concentradas na área da dobradiça, com linhas luminosas brilhantes aparecendo ao longo de parte da tela. O fato de múltiplos dispositivos apresentarem o mesmo tipo de falha levanta a questão inevitável de que se trata de um defeito de projeto, e não apenas de uso indevido.
A Apple não comentou publicamente sobre os relatos até o momento em que esta matéria foi escrita. O que se sabe é que o número de casos reportados ainda é muito pequeno — trata-se de relatos isolados, não de uma falha generalizada. Até o momento, nenhuma revisão profissional do dispositivo, incluindo testes de dobradura extensivos realizados por YouTubers como Tim Pan e Joanna Stern, que submeteram o aparelho a milhares de aberturas e fechamentos, encontrou esse problema específico.
O display flexível interno é uma das partes mais complexas e tecnologicamente ambiciosas do iPhone Duo. A Apple desenvolveu uma tela de 7,6 polegadas com proporção de 1,4:1, a mesma do display externo de 5,4 polegadas, o que significa que o formato se mantém consistente tanto aberto quanto fechado. A empresa enfatizou extensivamente o trabalho de durabilidade por trás desse componente, projetando inclusive partes do sistema de exibição para serem substituíveis — a camada protetora que cobre a tela flexível pode ser trocada separadamente com um serviço AppleCare+ por US$ 19.
A questão, no entanto, é que o dano relatado vai além dessa camada superficial. As imagens mostram rachaduras que penetram diretamente no display flexível subjacente, com linhas luminosas indicando que os pixels ou o circuito de emissão de luz foram comprometidos. Isso não é desgaste de superfície — é falha estrutural no componente principal.
O contexto importa. O iPhone Duo chega ao mercado sete anos depois do primeiro Galaxy Fold da Samsung, e a categoria de telefones dobráveis já passou por múltiplas gerações de aperfeiçoamento. Os competidores Android enfrentaram problemas semelhantes nos primeiros lotes dos seus respectivos dispositivos: o Galaxy Z Fold3 teve relatos de poeira entrando na dobradiça, enquanto o Z Fold5 enfrentou problemas de durabilidade da tela em unidades iniciais. Cada geração trouxe melhorias incrementais, mas o ponto de falha na região da dobradiça permanece como o calcanhar de Aquiles dessa forma fator.
O que diferencia o caso do iPhone Duo é a expectativa que a Apple criou ao redor da durabilidade do seu dispositivo. A empresa posicionou o Duo como "um telefone de primeira classe" — o que significa que os consumidores esperam que ele resista ao uso cotidiano normal, não apenas a um punhado de dobras. O preço de US$ 1.999 para o modelo base também eleva drasticamente a tolerância ao risco: ninguém paga dois mil dólares por um dispositivo esperando que ele quebre antes do fim do primeiro dia.
Ainda é cedo demais para dizer se o iPhone Duo tem um defeito de fabricação em lote ou um problema de projeto subjacente. O que é certo é que, nos próximos dias e semanas, à medida que centenas de milhares de unidades chegarem às mãos dos consumidores, mais relatos semelhantes provavelmente aparecerão. Se os casos permanecerem isolados, a Apple pode resolver com substituições individuais sem dano significativo à reputação. Se o padrão se espalhar, o problema poderá ser muito mais séria do que o que se viu até agora.
Fontes: The Verge, Android Authority, MacRumors
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