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Microsoft apresenta Maia 300, seu terceiro chip de IA caseiro, para reduzir dependência da Nvidia

Microsoft apresenta o Maia 300

A Microsoft apresentou nesta segunda-feira (12), durante a Cúpula Global de Computação Aberta (OCP Global Summit 2026), em San Jose, o Maia 300 — seu terceiro processador de inteligência artificial desenvolvido internamente. O chip, projetado especificamente para tarefas de inferência de modelos de linguagem, marca um passo ambicioso na estratégia da empresa para reduzir sua dependência de GPUs da Nvidia, que hoje dominam a infraestrutura de IA.

Scott Guthrie, vice-presidente executivo do grupo de nuvem e IA da Microsoft, afirmou que o Maia 300 deve oferecer "40% mais tokens por megawatt em comparação com os sistemas baseados em GPU líderes do mercado" e que, em configuração de rack com 96 aceleradores, o chip entrega "7 vezes mais throughput de tokens em escala de rack do que o Maia 200".

Do Maia 100 ao 300: uma linha em evolução

O Maia 100 foi apresentado em novembro de 2023, mas ficou restrito a implantações limitadas. O Maia 200, apresentado em janeiro deste ano, representou um salto concreto: construído no processo de 3 nm da TSMC, com núcleos de tensor FP8/FP4 nativos, 216 GB de memória HBM3e a 7 TB/s e 272 MB de SRAM on-chip, o Maia 200 já alimenta workloads de produção da Microsoft, incluindo o Microsoft 365 Copilot, modelos da OpenAI e os modelos MAI internos. Segundo a empresa, o Maia 200 oferece 1,7 vez mais tokens por watt do que sistemas GPU de última geração nas aplicações Teams, Copilot e Cowork.

O Maia 300, embora sem especificações técnicas detalhadas publicadas, herda a arquitetura de baixo consumo e a otimização para inferência — o trabalho que realmente importa quando o modelo encontra o usuário e gera a conta. Treinamento recebe o glamour das conferências, mas é a inferência o que sustenta as margens.

A estratégia por trás do silício

A Microsoft não está sozinha nesse movimento. Google desenvolve os Tensor Processing Units (TPUs) desde 2016 e já reconhece receita direta com vendas externas. Amazon fabrica o Trainium e já negocia sua venda para outros data centers. Meta e OpenAI também possuem projetos de chips customizados. Mas a diferença da Microsoft é a velocidade de escala: a empresa negociou com a TSMC a fabricação de mais de 300.000 unidades do Maia 300 para entrega em 2027, com ambição futura de ultrapassar 1 milhão de unidades.

Para dar uma noção da escala, a Microsoft já comprou 485.000 GPUs Nvidia Hopper — o dobro do total comprado por seus rivais combinados. Isso não é um passo para fora da Nvidia. É uma aposta de que, em alguns anos, a maior fatia dos tokens processados pela empresa passará por silício da própria Microsoft.

Andrew Wall, gerente geral do Azure Maia, comentou: "A Microsoft continua investindo em silício customizado como parte de nossa estratégia de infraestrutura de IA de longo prazo. Embora não revelemos volumes de produção, os números reportados não refletem a escala de nosso programa".

O que esperar

A produção em escala do Maia 300 só começará em 2027. A TSMC, que já opera com capacidade de packaging avançado apertada até 2027, precisa convencer a Microsoft a adotar designs que realmente competem com as GPUs da Nvidia em performance por custo. A Microsoft pretende que o Maia 300 se torne "o sistema primário de inferência de IA para os produtos e serviços da Microsoft".

Enquanto isso, a corrida por silício próprio continua não como um luxo, mas como uma necessidade estratégica. Com GPUs custosas, oferta limitada e custos de inferência crescendo junto com a demanda por agentes autônomos e modelos cada vez maiores, a dependência de um único fornecedor de hardware é um risco que nenhuma empresa de tecnologia pode assumir sozinha. O Maia 300 pode ser o primeiro chip que faz a Microsoft dizer, em voz alta: "nós também fabricamos".

Fontes: The Verge, Yahoo Finance, Microsoft Blog

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