A Microsoft publicou seu Sexto Relatório Digital Defense Report (MDDR), revelando que mais da metade dos ataques cibernéticos com motivos conhecidos foram impulsionados por extorsão ou ransomware
Cobrindo tendências de julho de 2024 a junho de 2025, o relatório, escrito em conjunto com o Chief Information Security Officer Igor Tsyganskiy, destaca que mais de 52% dos incidentes foram alimentados por ganho financeiro, enquanto ataques focados exclusivamente em espionagem representaram apenas 4%. Os ataques de Estados-nação permanecem uma ameaça séria e persistente, mas a maior parte dos ataques imediatos que as organizações enfrentam hoje vêm de criminosos oportunistas buscando lucrar.
Segundo dados apresentados pela empresa, diariamente a Microsoft processa mais de 100 trilhões de sinais, bloqueia aproximadamente 4,5 milhões de tentativas de malware novas, analisa 38 milhões de detecções de risco de identidade e filtra 5 bilhões de e-mails em busca de malware e phishing. Avanços na automação e ferramentas prontas disponíveis no mercado habilitaram cibercriminosos — mesmo aqueles com pouca expertise técnica — a expandir significativamente suas operações. O uso de inteligência artificial acelerou ainda mais essa tendência, com criminosos desenvolvendo malware mais rápido e criando conteúdo sintético mais realista, melhorando a eficiência de atividades como phishing e ransomware.
Um dos pontos mais alarmantes do relatório é que mais de 97% dos ataques de identidade são ataques via senha. Apenas no primeiro semestre de 2025, ataques baseados em identidade aumentaram 32%. Os criminosos obtêm credenciais para esses ataques em massa principalmente a partir de vazamentos de senhas, mas também através de malware "infostealer", que coleta secretamente credenciais e tokens de sessão de navegadores em escala. Em maio deste ano, a Digital Crimes Unit (DCU) da Microsoft desestruturou o infostealer mais popular — o Black Basta.
Para a Microsoft, a solução para comprometimento de identidade é simples: implementação de autenticação multifator (MFA) à prova de phishing, que pode impedir mais de 99% desse tipo de ataque mesmo quando o atacante possui a combinação correta de usuário e senha. O relatório também destaca que hospitais e governos locais são alvos constantes porque armazenam dados sensíveis ou têm orçamentos limitados de cibersegurança com capacidades limitadas de resposta a incidentes, resultando frequentemente em software desatualizado.
A espionagem estatal também merece atenção. A China continua seu amplo esforço em todas as indústrias para conduzir espionagem e roubar dados sensíveis, atacando cada vez mais organizações não governamentais (ONGs) para expandir suas informações. O Irã está atacando uma gama mais ampla de alvos do que nunca, desde o Oriente Médio até a América do Norte, como parte de operações de espionagem em expansão. A Rússia expandiu seus alvos para além da Ucrânia, com os dez países mais afetados por atividade cibernética russa pertencendo à OTAN — um aumento de 25% em relação ao ano anterior. A Coreia do Norte permanece focada em geração de receita e espionagem, com milhares de trabalhadores remotos afiliados ao Estado aplicando para empregos em empresas ao redor do mundo.
O relatório conclui que medidas defensivas sozinhas não são suficientes para deter adversários estatais. Governos precisam construir estruturas que sinalizem consequências credíveis e proporcionadas para atividade maliciosa que viole regras internacionais. À medida que a transformação digital acelera — amplificada pela ascensão da IA — as ameaças cibernéticas apresentam riscos à estabilidade econômica, governança e segurança pessoal. Abordar esses desafios requer não apenas inovação técnica, mas ação societal coordenada.
A pergunta que fica: à medida que a IA se torna cada vez mais acessível para criminosos, como as organizações podem se preparar para um futuro onde a barreira de entrada para ciberataques sofisticados se torna praticamente inexistente?
Fontes: Microsoft On the Issues, The Register, The Verge
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