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Nintendo Switch 2 tem o primeiro jailbreak por software via SmileBasic

Nintendo Switch 2 recebe o primeiro jailbreak por software via SmileBasic

Um pesquisador de segurança demonstrou pela primeira vez a quebra das restrições de software do console Nintendo Switch 2, ganhando acesso ao modo usuário que permite executar programas homebrew, modificar jogos, fazer backup de arquivos salvos e acessar periféricos via MMIO. O exploit, batizado de ns2jb, utiliza duas vulnerabilidades encadeadas e foi desenvolvido pelo pesquisador Sammy Hajhamid, conhecido online como pepsipu, em aproximadamente duas semanas de trabalho.

A arquitetura do exploit

O ns2jb é um jailbreak tethered (atrelado) que funciona exclusivamente por software, sem necessidade de qualquer modificação física no console. Ele opera na versão mais recente do firmware, a 23.0.1, e exige a presença de um computador conectado à mesma rede do Switch 2 para cada reinicialização.

O primeiro elo da cadeia de exploração reside no SmileBasic 4, um ambiente de programação original do Switch 2 que permite aos usuários escreverem seus próprios programas. Hajhamid utilizou o OpenAI Codex para analisar a base de código em C++ do interpretador, seguindo uma trilha já conhecida: a versão anterior do SmileBasic já havia sido explorada no hack smilehax do Nintendo 3DS em 2016, que também dava execução de código no espaço do usuário.

A descoberta crucial foi um erro de estouro de inteiro de 32 bits que ocorre quando elementos são removidos de um array. O bug expõe um ponteiro de array que, por sua vez, concede acesso de leitura e escrita na memória do sistema. Com essa primitiva, Hajhamid pôde então procurar por módulos do sistema com privilégios elevados.

O segundo elo está no módulo FileSystem Services do console, onde Hajhamid encontrou um buffer overflow que expõe um ponteiro de dados em cache, permitindo leitura e escrita arbitrárias. A partir daí, ele executou operações privilegiadas no sistema de arquivos e alcançou execução de código nativo através de um processo falso de sistema de arquivos.

Com acesso ao sistema de arquivos, Hajhamid conseguiu executar código nativo como qualquer sysmodule ordinário e, crucialmente, como o próprio módulo `fs` interno. Para demonstrar a capacidade do exploit, ele modificou o exclusivo do Switch 2, Mario Kart World, injetando personagens como Goku, Walter White, Peter Griffin, Hatsune Miku e Gold Ship.

O que o jailbreak permite (e o que não permite)

Com acesso ao modo usuário, o ns2jb habilita:

- Execução de programas homebrew não oficiais; - Modificação de jogos existentes (como demonstrado no Mario Kart World); - Backup de arquivos salvos do console; - Acesso à maioria dos periféricos via MMIO (Memory-Mapped I/O); - Descompilação e engenharia reversa de módulos do sistema.

Ainda não é, porém, uma quebra completa. O jailbreak não fornece controle total do console nem instala custom firmware permanente. Cada reinicialização exige que o exploit seja reaplicado, e o processo precisa de um computador — seja macOS ou Linux — conectado via USB para orquestrar a injeção.

Segundo relatos da comunidade switch2hacks no Reddit, a renderização Vulkan no modo usuário já funciona parcialmente. Ferramentas de desenvolvimento estão sendo montadas por outros modders que acompanharam o trabalho de Hajhamid.

A resposta da Nintendo e o papel da IA na segurança

A Nintendo reagiu rapidamente: o SmileBasic 4 foi removido da eShop mundialmente em questão de horas após a divulgação pública. Em 2016, a empresa tomou medida idêntica ao remover o SmileBasic do 3DS após a divulgação do smilehax. Uma versão demo japonesa do SmileBasic, que pode conter a mesma vulnerabilidade, ainda estava disponível quando esta matéria foi escrita.

O aspecto mais fascinante da descoberta, contudo, é o uso do OpenAI Codex como ferramenta de engenharia reversa. Hajhamid montou uma bancada de testes com dois Switches (um original e um 2), dois JetKVMs para enviar entradas USB e receber saída HDMI, e até um interruptor Bluetooth comprado na Amazon que pressionava fisicamente o botão de energia quando o console travava — essencial para a automação contínua do Codex durante as duas semanas de exploração.

"O objetivo era fazer o Codex quebrar o Switch 2 sozinho, sem intervenção humana", explicou Hajhamid em seu blog. O agente da WebKit atacava o Switch 2 enquanto o agente do SmileBasic operava no Switch 1 — o primeiro não suportava PAC (Pointer Authentication Codes), o que simplificava enormemente a exploração.

Esse padrão de IA generativa acelerando a descoberta de vulnerabilidades já havia sido observado em outros consoles, como a série de jailbreaks do PlayStation 5, mas o caso do Switch 2 é o mais elaborado até hoje: a própria IA age como um pesquisador de segurança autônomo, gerando e testando milhões de combinações de entrada.

O que esperar a seguir

O ciclo de corrida entre hackers e fabricantes de consoles segue implacável. A história do Nintendo Switch original ensinou que uma vulnerabilidade userland é frequentemente o primeiro passo para um exploit unpatchable — que exige redesign de hardware para ser contido. O exploit original do Switch 1 só foi resolvido com o lançamento do modelo revisionado (Erista vs. Mariko).

No caso do Switch 2, Hajhamid mesmo admite que a versão atual não oferece capacidades equivalentes a um modchip, mas a fundação está lançada. A comunidade está acelerando: outros pesquisadores já sinalizam interesse em explorar vulnerabilidades em outros títulos originais do console.

A pergunta que permanece no ar é se a Nintendo conseguirá conter o avanço das brechas de segurança antes que a experiência de jogo multiplataforma seja significativamente comprometida — e se a dependência de IAs generativas para encontrar exploits tornará essa corrida ainda mais assimétrica a favor dos pesquisadores.

Fontes: ATLABYTE, TechSpot, Android Authority, NintendoSoup, Pepsipu Research Blog

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação