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Juiz nega liberdade a engenheiro da OpenAI e compara oferta da Arábia Saudita a 'cheque em branco'

Juiz nega liberdade a engenheiro da OpenAI e compara oferta da Arábia Saudita a 'cheque em branco'

Depois que a polícia federal dos Estados Unidos prendeu um engenheiro saudita acusado de instalar um dispositivo de gravação secreto na sede da OpenAI em San Francisco, a audiência de custódia desta segunda-feira (19) revelou detalhes que elevam o caso de uma simples espionagem corporativa a um caso de geopolítica da inteligência artificial.

O juiz federal Alex Tse ordenou que Abdulrahman Alfozan, 35, permanecesse sob custódia até o julgamento marcado para 6 de novembro, rejeitando argumentos da defesa de que ele não representava risco de fuga. O tribunal foi lotado — jornalistas, estudantes de um campo de visitas e cerca de 20 pessoas apoiando Alfozan ocuparam as bancadas — e o réu compareceu de macacão laranja e máscara médica puxada sobre o pescoço.

O cerne da decisão do juiz gira em torno de uma oferta feita pelo governo da Arábia Saudita para garantir a liberdade de Alfozan. De acordo com os procuradores federais, o consulado saudita ofereceu-se para trabalhar com uma empresa de fiança para ajudar a financiar a libertação do engenheiro, sem condições aparentes. "Parece um cheque em branco", disse Tse. "Eu acho isso problemático." O juiz levantou questões sobre se Alfozan seria um 'ativo' do reino e como uma fiança apoiada por um governo estrangeiro poderia garantir que ele permanecesse nos EUA.

A defesa, conduzida por William Pernik, descartou as preocupações sobre risco de fuga como infundadas. "Vamos pagar qualquer valor que o tribunal queira para tirá-lo", citou Pernik os termos de um representante da Arábia Saudita. O advogado enfatizou que Alfozan é residente permanente dos Estados Unidos e estava no caminho para obter cidadania, e que sua esposa havia acabado de conseguir um visto de visitante.

Mas as evidências apresentadas pelo Ministério Público contêm padrões que vão além de um funcionário insatisfeito. De acordo com o processo federal não selado na terça-feira (13), Alfozan trabalhava como engenheiro na equipe de produtos da OpenAI desde julho de 2025 e não tinha autorização para acessar ou participar das reuniões na sala de conferências executivas. Antes de 28 de setembro, ele usou uma ferramenta de produtividade para fazer múltiplas consultas sobre os endereços dos prédios da OpenAI, salas de reunião, capacidades, calendários, localizações de 'liderança e executivos' e reuniões com parceiros externos.

O caso ganha contornos de espionagem industrial sofisticada quando se considera o uso de IA para a própria investigação. A OpenAI utilizou seus próprios modelos para analisar o dispositivo descoberto e identificar Alfozan como o responsável — uma ironia em que a tecnologia que ele supostamente tentava espionar é a ferramenta usada para prendê-lo. "Nossos modelos entenderam o dispositivo e de onde ele veio, identificando que um funcionário específico o havia plantado dias antes", afirmou a empresa.

O dispositivo descoberto em 30 de setembro estava escondido em um rolo de papel higiênico e conectado à porta USB de uma TV. O conteúdo estava criptografado. Uma conta de chatbot associada à esposa de Alfozan — compartilhando vários identificadores e atributos com a própria conta dele — fez entre 24 e 30 de setembro prompts relacionados à construção, personalização, instalação, gravação de áudio, teste, ofuscação e acesso remoto de um dispositivo, incluindo perguntas sobre como construir um "gravador de áudio contínuo" e como "criptografar o cartão SD".

Se condenado, Alfozan enfrenta um máximo de cinco anos de prisão e uma multa de US$ 250 mil. Mas os procuradores deixaram claro que mais acusações são possíveis. O caso está sendo processado como parte da NSPM-11, a memorando presidencial sobre superioridade em tecnologia de super inteligência, e o diretor da Agência de Inteligência Nacional, Jay Clayton, já vinculou o caso ao esforço nacional de proteger a inovação americana. "Ganhar a corrida global de super inteligência é uma prerrogativa de segurança nacional", afirmou Clayton.

A pergunta que fica: quando uma empresa de IA usa seus próprios modelos como ferramenta de investigação de segurança, o que isso significa para a confiança que podemos depositar em sistemas cada vez mais autônomos dentro das organizações que os desenvolvem?

Fontes: Wired, U.S. Department of Justice, ABC News

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