A guerra nos smart rings nunca para. Na última terça-feira, a Oura, empresa finlandesa que popularizou a categoria, entrou com uma nova ação judicial contra a Ultrahuman, startup indiana que recentemente retornou ao mercado americano com seu Ring Pro. Desta vez, a Oura alega que o dispositivo viola duas de suas patentes — uma delas com apenas dois dias de emitida — e busca não apenas uma proibição de vendas, mas também danos financeiros. É a mais recente batalha em uma disputa que já incluiu banimento de importação no país, redesign forçada do produto e uma guerra jurídica que agora se expande para Samsung, RingConn e Circular.
A disputa começou em 2023, quando a Oura processou a Ultrahuman por violação de patentes relacionadas ao Ring Air, o primeiro modelo da empresa indiana. Em agosto de 2025, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA (ITC) decidiu a favor da Oura, emitindo um banimento de importação que efetivamente tirou o Ring Air das prateleiras americanas. A Ultrahuman, no entanto, não se rendeu: redesenhou completamente o produto — batizado agora de Ring Pro — e obteve uma decisão favorável da Alfândega dos EUA em março, abrindo caminho para o retorno ao mercado em setembro.
Mas a Oura não desistiu tão facilmente. Na ação mais recente, apresentada no Tribunal Federal do Leste do Texas, a empresa alega que o Ring Pro viola duas patentes específicas: a D804,471, que cobre o design ornamental de um dispositivo de computação vestível, e a 12,769,363, que abrange o design do smart ring com componentes internos como bateria curva, placa de circuito, ímãs e sensores. Esta segunda patente foi emitida em 20 de outubro — apenas dois dias antes da apresentação do processo.
"A Ultrahuman tem um histórico de copiar as inovações da Oura, conforme demonstrado pela decisão de 2025 da ITC contra a empresa", afirmou um porta-voz da Oura ao TechCrunch. "A Ultrahuman apresentou um anel redesenhado, mas falhou em abordar a violação contínua de nossas patentes, buscando capitalizar em vez disso nossa inovação e a liderança de mercado que construímos."
A resposta da Ultrahuman foi firme. Mohit Kumar, cofundador e CEO da empresa, disse ao TechCrunch: "A Oura agora escolheu afirmar patentes diferentes, incluindo uma que foi emitida apenas dois dias antes deste processo. Vamos abordar essas reivindicações através do processo legal apropriado e defenderemos nossa posição vigorosamente."
O caso levanta questões sobre a estratégia da Oura. A empresa também processou Samsung, RingConn e Circular por violação de patentes relacionadas a smart rings. Algumas dessas disputas terminaram em acordos de licenciamento, com RingConn e Circular concordando em pagar royalties à Oura para continuar vendendo seus produtos nos EUA. A disputa com a Samsung, no entanto, permanece em andamento.
O timing da ação é particularmente interessante. A Oura havia anunciado um IPO avaliado em $2,2 bilhões em setembro, mas depois adiou a oferta citing "incerteza" no mercado. A empresa também lançou novas métricas de atividade mais recentes em 20 de outubro, incluindo recursos para rastrear como os exercícios afetam a saúde cardiovascular. A decisão de processar a Ultrahuman pode ser vista como parte de uma estratégia mais ampla de consolidar sua posição no mercado antes de uma futura entrada pública.
O mercado de smart rings está crescendo rapidamente. A IDC espera que os envios globais cresçam 12,8% este ano para 4,9 milhões de unidades e alcancem cerca de 6,3 milhões até 2030. A Ultrahuman, com $70 milhões de capital de risco do portfólio de Qualcomm Ventures, já alcançou uma taxa anualizada de receita de aproximadamente $150 milhões, segundo Kumar. O Ring Pro, com bateria de 15 dias e o chamado "Jade" — a primeira IA de biointeligência em tempo real — representa a estratégia da empresa de se diferenciar da Oura com hardware mais avançado e funcionalidades de IA integradas.
A questão central é: até que ponto uma empresa pode proteger sua inovação com patentes sem sufocar a concorrência legítima? A Oura está claramente determinada a usar cada ferramenta jurídica disponível para manter sua posição dominante no mercado americano. Mas a Ultrahuman mostra que os concorrentes podem se adaptar e evoluir — redesenhando produtos, obtendo aprovação alfandegária e expandindo para novos mercados. A guerra dos smart rings está apenas começando.
Fontes: TechCrunch, Engadget, Android Central
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