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Primeiras imagens da cratera deixada na Lua pela SpaceX, capturadas por satélite sul-coreano

Em plena madrugada de quarta-feira, um pedaço de foguete da SpaceX rasgou o céu da Lua a mais de 8 mil quilômetros por hora e se chocou contra a superfície lunar, não muito longe da cratera Einstein. Durante horas, o impacto seguiu invisível para a Terra. Foi aí que um satélite sul-coreano entrou em cena e entregou o que o mundo da astronomia esperava: as primeiras imagens da cratera deixada pelo choque.

A protagonista da história é a Danuri, sonda sul-coreana também conhecida como Korea Pathfinder Lunar Orbiter (KPLO). Lançada há exatamente quatro anos, justamente a bordo de um Falcon 9, a nave sobrevoou o local e registrou imagens de antes e depois mostrando uma pequena cratera enegrecida no noroeste da Lua, perto do terminador, a linha que separa o lado iluminado do lado noturno. As fotos foram divulgadas pela Korea AeroSpace Administration (KASA) no dia 6 de agosto.

A Danuri levou alguns meses para chegar à Lua e, desde então, vive uma vida cheia de tarefas: mapear o terreno, procurar gelo de água nas crateras sombreadas e testar comunicações em profundidade no espaço. A missão inicial de um ano já foi estendida duas vezes, a mais recente até 2027. Agora ela pode acrescentar uma nova linha ao currículo: fotografia forense de um impacto feito por mãos humanas.

O culpado foi o segundo estágio de um Falcon 9, o mesmo que, em janeiro de 2025, levou à Lua duas sondas: a Blue Ghost, da Firefly Aerospace, que pousou com sucesso em março, e a Hakuto-R, da japonesa ispace, que perdeu o contato e se espatifou em junho. Em missões normais, esse estágio queima na atmosfera terrestre. Mas numa trajetória de transferência lunar isso era impossível — e o foguete virou um pedaço de lixo espacial à deriva, sem controle.

Os primeiros indícios do acidente não vieram de câmeras, mas de um telescópio. Astrônomos do Very Large Telescope, no Chile, detectaram uma pluma de detritos se erguendo da superfície logo após o impacto. Estudos preliminares previam uma cratera de cerca de 27 metros de largura e até 5 metros de profundidade — um tamanho minúsculo, invisível até para bons telescópios da Terra. As medições reais ainda não foram divulgadas, mas devem chegar nos próximos dias, quando sondas como a Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA, passarem pelo local.

A analogia cabe perfeitamente: é como uma lata abandonada no espaço que, depois de meses à deriva, colide com um prédio na calada da noite — ninguém vê o momento exato, mas a cicatriz fica para sempre. A própria SpaceX reconheceu o caso, afirmando que impactos assim são raros, mas possíveis em órbitas desse tipo, e que uma manobra controlada de descarte nem sempre é viável. O diretor da NASA, Jared Isaacman, foi na mesma linha: meteoroides atingem a Lua a toda hora, e impactos comparáveis acontecem a cada seis dias. Em outras palavras, a natureza já faz isso com frequência.

Ainda assim, o episódio acende um alerta. A Lua vive um momento de ouro: missões comerciais, pousadores, estações orbitais e até planos de exploração de recursos. O problema é que essa nova economia lunar também produzirá lixo — e cada pedaço deixado sem cuidado é uma cratera esperando para acontecer. A própria Danuri tem destino marcado: em março de 2028, ela deve se chocar de propósito com a Lua, criando sua própria cratera.

A pergunta que fica no ar é simples e incômoda: com a Lua cada vez mais movimentada, quem vai cuidar da ordem no espaço ao redor do nosso satélite natural?

Fontes: The Register, Space.com, Live Science, Chosun Ilbo (EN)

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação