A migração que custou 12.000 máquinas virtuais
A Topgolf, empresa global de entretenimento esportivo que opera mais de 100 locais interativos em países como Estados Unidos, Europa, Ásia e Oriente Médio, completou a migração de toda sua infraestrutura de virtualização — 12.000 máquinas virtuais — do VMware para o VergeOS, da VergeIO. O resultado: uma economia combinada de mais de US$ 11,3 milhões em custos de infraestrutura, sem qualquer custo adicional de hardware.
A empresa, subsidiária da Topgolf Callaway Brands (NYSE: MODG), iniciou o processo em meados de 2025, quando uma mudança nos preços do VMware pela Broadcom forçou uma reavaliação completa de sua estratégia de virtualização. O que começou como uma resposta a um aumento de 400% nos custos de licenciamento transformou-se em uma reestruturação profunda da arquitetura de TI da empresa.
De clusters de seis para três nós: a eficiência do VergeOS
O cenário anterior era impressionante em escala: a Topgolf operava clusters VxRail da Dell com seis nós em cada local. Para manter a mesma carga de trabalho após a migração, bastaram três nós por site com o VergeOS, reduzindo pela metade a quantidade de hardware necessário sem comprometer o desempenho.
«Na Topgolf, a tecnologia é o coração da nossa experiência com o jogador», disse Scott Forehand, gerente de infraestrutura global da Topgolf, à Ars Technica. «O VergeOS nos deu o controle, a flexibilidade e a resiliência que precisamos em cada venue — e na VergeIO, encontramos um parceiro que entende como operamos e o que precisamos para mover rápido.»
A comparação foi direta: Forehand observou que o dinheiro economizado pela Topgolf ao migrar para o VergeOS não é típico, porque a empresa possui necessidades maiores do que a maioria das organizações. «Comparativamente, é muito mais quando você olha para o custo de uma solução semelhante à configuração da antiga solução VxRail que instalamos».
O que fez a diferença foram três fatores que se retroalimentam: a diferença de licenciamento — o custo do VMware desapareceu no primeiro dia da migração —, o adiamento da compra de hardware, já que a eficiência superior do VergeOS permitiu usar os servidores existentes, e a economia de memória e armazenamento flash, já que o VergeOS opera com apenas 2% a 3% de overhead de plataforma, contra os percentuais de dois dígitos do VMware.
O fim do backup externo
Um ponto que mereceu atenção especial foi a eliminação do software e hardware de backup de terceiros. A Topgolf validou as capacidades integradas de proteção de dados do VergeOS — incluindo ioClone, ioGuardian e ioReplicate — e decidiu que o sistema já era suficientemente robusto para substituir o backup externo.
Isso eliminou outra linha de custo recorrente e reduziu a complexidade operacional, especialmente relevante para uma empresa que gerencia centenas de locais distribuídos internacionalmente, cada um com workloads críticos em tempo real.
A automação como motor
O design API-first do VergeOS permitiu à Topgolf automatizar tarefas de infraestrutura — incluindo deploy, manutenção e recuperação após quedas de energia — que antes exigiam de 30 a 45 minutos de esforço manual por site. Com a automação, processos que antes consumiam meia hora ou mais foram reduzidos para operações quase instantâneas, liberando a equipe de infraestrutura para focar em iniciativas de valor agregado.
A expectativa é que a Topgolf esteja completamente fora do VMware até a segunda semana de dezembro de 2026.
O contexto: por que empresas estão abandonando o VMware
O caso Topgolf não é isolado. Há mais de dois anos, o mercado de virtualização empresarial convive com as consequências da aquisição do VMware pela Broadcom, fechada em novembro de 2023. Desde então, os preços de licenciamento dispararam — alguns clientes reportaram aumentos de até 1.250% para os mesmos serviços — e o modelo de licenciamento foi radicalmente reestruturado, consolidando mais de 160 produtos em pacotes de assinatura únicos.
Uma pesquisa da Unisphere Research, divulgada em outubro de 2026 e realizada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 com 269 executivos de organizações usuárias de VMware, revelou que nove em cada dez clientes estão considerando ativamente migrar para alternativas. Setenta e três por cento citaram a economia de custos como prioridade máxima.
Os principais obstáculos à mudança, segundo o estudo, são a complexidade operacional (40%), os desafios de gestão multi-fornecedor (38%), a necessidade de reduzir a superfície de ataque (37%) e a demanda por habilidades técnicas específicas (37%). Apenas 48% dos respondentes pretendem migrar para o VMware Cloud Foundation (VCF), a plataforma preferida da Broadcom.
A própria VMware tentou reverter o fluxo com o lançamento do VCF 9.1, incluindo recursos de memory tiering (que promete redução de até 40% nos custos de servidor), deduplicação global em vSAN e segurança integrada. Segundo Yves Sandfort, CEO da Comdivision, parceira de distribuição, «as pessoas estão começando a entender que o VCF pode substituir não apenas o hypervisor, mas outros silos que tinham antes, como armazenamento, rede e segurança».
Mas a estratégia da Broadcom parece estar criando um mercado cada vez mais fértil para concorrentes como a VergeIO, a Scale Computing e outras empresas que vendem exatamente a promessa de eliminar a dependência do VMware — o que explica o crescimento de 400% da Scale Computing no segmento enterprise em 2024.
Para onde vai a virtualização empresarial
O caso Topgolf ilustra uma mudança mais ampla: a virtualização deixa de ser um commodity para tornar-se uma decisão estratégica de arquitetura. Empresas que operam infraestrutura distribuída em centenas de locais — seja uma rede de entretenimento esportivo, um sistema de saúde, ou uma rede varejista — estão percebendo que a escolha do hypervisor define não apenas custos, mas a agilidade operacional da empresa.
Quando a economia de US$ 11,3 milhões da Topgolf foi contabilizada, ela não incluiu ajustes nos custos de hardware do mercado — que, se considerasse os preços atuais de servidores, seria ainda maior. O que a empresa provou é que, com o hypervisor certo, a infraestrutura existente pode render muito mais do que o padrão anterior, sem investimento adicional de capital.
A migração da Topgolf para o VergeOS é um exemplo de como um aumento de custos pode se tornar o catalisador de uma transformação que, uma vez concluída, torna impossível voltar atrás.
Fontes: Ars Technica, Business Wire, The Register, CRN
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