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Amazon constrói milésimo satélite Leo e anuncia lançamento comercial de internet espacial até o fim do ano

A Amazon atingiu um marco significativo em sua jornada de dezenas de bilhões de dólares em investimento orbital: a construção do milésimo satélite para sua constelação Leo de internet de banda larga em órbita baixa terrestre (LEO), conforme revelado na última quinta-feira (8) pela Satellite Today. A empresa já está semanas afastada de ligar seu serviço comercial de internet baseado no espaço, com um lançamento público agendado para antes do fim de 2026.

O feito foi anunciado em comunicado separado da Blue Origin, que também celebrou um marco de fabricação — a inauguração de uma nova instalação de produção no Texas para sua constelação TeraWave. As duas empresas, ambas pertencentes a Jeff Bezos, estão correndo lado a lado no espaço de internet orbital, mas com arquiteturas, mercados e cronogramas distintos.

O que é o Leo e como está o programa

O Amazon Leo é o projeto de internet via satélite da Amazon, rival direto do Starlink da SpaceX. Diferente do Kuiper — nome comercial anterior do mesmo programa — o Leo foca em uma constelação de mais de 3.200 satélites em órbita baixa para fornecer cobertura global. Desde o primeiro lançamento em abril de 2025, a empresa já enviou 398 satélites ao espaço em 14 missões separadas, com 396 atualmente operacionais. Apenas quatro foram desorbitados.

A meta original era começar o serviço comercial em meados de 2026, mas a empresa continua adiantando o cronograma. O CEO Andy Jassy havia declarado em julho que a Amazon estava "a beira" do lançamento do serviço. Em setembro, Chris Weber, chefe do Leo, afirmou que a empresa havia "completado lançamentos suficientes" para o serviço inicial, mas que "restava muito trabalho" — incluindo elevar os satélites recém-lançados à altitude operacional de 392 milhas (631 km).

A linha de produção em Kirkland

A fábrica de Kirkland, Washington, onde os satélites Leo são montados, passou por uma transformação radical. O que começou como uma linha de prototipagem rápida se transformou em uma linha de produção em escala industrial. Segundo a Satellite Today, cada satélite Leo é construído modularmente, com subconjuntos produzidos separadamente e depois integrados em um processo que a Amazon afirma ter "resolverdo".

"Resolvemos o problema de produção. Agora estamos prontos para ir assim que os foguetes se tornarem disponíveis", disse um executivo da equipe Leo à Satellite Today. "Não deve haver um dia em que uma janela de lançamento se abra e não tenhamos satélites prontos para ele."

Essa afirmação revela um ponto crucial do desafio atual: a Amazon tem satélites, mas não tem foguetes suficientes. A ULA (United Launch Alliance) é hoje a principal parceira de lançamento, usando o Atlas V como sua principal plataforma de lançamento. O foguete Vulcan da ULA, que deveria transportar até 40 satélites Leo por missão, está afastado desde fevereiro devido a um problema de separação do motor sólido. O New Glenn da Blue Origin também está afastado.

Satélites empilhados esperando por foguetes

De acordo com Jonathan McDowell, analista espacial da Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, 396 satélites estão atualmente em órbita, com apenas quatro fora de serviço. Centenas de outros satélites estão empilhados e prontos para lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, aguardando disponibilidade de foguetes.

A Amazon já empilhou satélites para o primeiro lançamento do Leo Vulcan Centaur e o próximo lançamento Ariane 6, "ambos esperados nas próximas semanas", conforme comunicado da empresa. Isso significa que a constelação deve ganhar vários satélites por vez quando os foguetes voltarem ao serviço.

Competição com o Starlink

O Starlink da SpaceX tem mais de 10.000 satélites em órbita e já oferece serviço em mais de 100 países. É o líder incontestável do setor de internet orbital. Mas o Leo não precisa superar o Starlink para ser viável — precisa apenas oferecer uma alternativa competitiva.

A PCMag reportou em agosto que o Kuiper/Leo demonstrou velocidades de download superiores a 1 Gbps em testes com uma antena phased array comercial, atingindo 1.289 Mbps. A empresa afirma que é a primeira antena comercial desse tipo a entregar mais de 1 Gbps a partir de órbita baixa.

A grande diferença é que o Starlink já tem receita recorrente e milhões de clientes. O Leo ainda está no estágio de construção de infraestrutura. Mas a Amazon tem uma vantagem que a SpaceX não possui: sua base de consumidores existente. Com o Prime, AWS, Amazon Video e dispositivos Echo/Alexa, a Amazon já tem um canal de distribuição massivo para vender terminais Leo diretamente aos consumidores.

O impacto da concorrência

A entrada da Amazon no espaço de internet orbital não é apenas um exercício de ego de Bezos — é uma aposta estratégica em um mercado que pode valer dezenas de bilhões de dólares. A conexão via satélite de LEO é essencial para cobrir regiões rurais, rotas marítimas, operações industriais remotas e situações de desastre onde a infraestrutura terrestre não existe ou foi destruída.

A concorrência entre Amazon e SpaceX tende a beneficiar os consumidores finais. Quando há dois grandes jogadores no mercado, os preços caem, a inovação acelera e a cobertura expande mais rapidamente. O Starlink começou a oferecer serviços competitivos de voz e dados, mas é o Leo que pressiona por melhorias contínuas.

O que vem a seguir

Os próximos meses serão decisivos. Com o Leo Vulcan Centaur e o Ariane 6 programados para lançamento nas próximas semanas, a constelação deve ganhar centenas de satélites adicionais em breve. A Amazon tem satélites prontos para cada uma dessas missões. A pergunta agora é simples: quando o serviço comercial realmente começar, e em quais regiões?

O CEO Jassy havia dito que a Amazon estaria "a beira" do lançamento. Com 1.000 satélites construídos e 396 em órbita, parece que o relógio está marcando. O que acontece quando esses dois gigantes espaciais de Bezos se encontram não apenas no espaço, mas também na Terra — na competição pela atenção e pelos lucros dos consumidores do século XXI.

Fontes: Satellite Today, Renascence, PCMag

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação