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A Amazon, a X-energy e a American Electric Power (AEP) anunciaram nesta segunda-feira, 19 de outubro, um acordo de desenvolvimento conjunto para estudar a viabilidade de uma usina nuclear de 960 MW no condado de Sullivan, no Indiana — no antigo terreno da usina a carvão Breed Generating Station, já desmontada. O projeto prevê 12 reatores do tipo Xe-100, cada um com capacidade de 80 MW, e marca o segundo acordo comercial entre Amazon e X-energy sob uma iniciativa que visa adicionar mais de 5 GW de nova capacidade nuclear aos Estados Unidos até 2039.
A proposta pode gerar mais de 1.000 empregos na construção e mais de 100 vagas permanentes. A Amazon pagará o desenvolvimento inicial e seria a primeira compradora de energia da planta, assinando um contrato de longo prazo. A AEP operaria a instalação por meio de sua subsidiária Indiana Michigan Power. A X-energy fornece o design do reator Xe-100, um reator modular de alta temperatura com resfriamento a hélio e combustível TRISO, descrito pela Comissão de Controle Nuclear dos Estados Unidos (NRC) como uma das tecnologias mais seguras e resistentes a proliferação disponíveis.
Por que o Indiana?
O local não foi escolhido por acaso. O antigo terreno da Breed Generating Station pertence à AEP, uma utilidade consolidada no Centro-Oeste americano, e a reutilização de terrenos de usinas a carvão desativadas para energia nuclear carrega um valor simbólico e prático: a infraestrutura elétrica já está conectada ao grid, os canais de licenciamento local estão abertos e a força de trabalho técnica da região já conhece o setor de geração. O governador do Indiana, Mike Braun, afirmou em comunicado que a decisão "representa o tipo de inovação e investimento que pode trazer benefícios duradouros" para o estado.
O Indiana tem posicionado a energia nuclear avançada como parte central de sua estratégia energética, numa abordagem "tudo-abaixo" que inclui renováveis, gás natural e, agora, reatores modulares. A planta seria a primeira geração nuclear comercial do estado.
O modelo de financiamento da Amazon
O dinheiro da Amazon é estruturado como "capital de desenvolvimento baseado em marcos" — os fundos são liberados conforme o projeto passa por etapas predefinidas, um mecanismo que a X-energy vem usando desde o primeiro acordo com a companhia em Washington, o Cascade Advanced Energy Facility. Essa abordagem de "pague conforme avança" (pay-as-you-go) permite que os hyperscalers de nuvem expandam sua capacidade de geração junto com a demanda real de computação, sem depender de projeções que podem se revelar exageradas.
A Amazon tem ambiciosos planos de escala. Segundo a companhia, quer mais de 5 GW de nova energia nuclear nos EUA até 2039. Para chegar lá, a empresa já assinou um acordo de compra de energia de 20 anos com a Constellation Energy para 690 MW da usina de Calvert Cliffs, no Maryland, e investiu mais de US$ 1 bilhão em projetos com X-energy, Dominion Energy e Energy Northwest. Em 2024, Amazon liderou uma rodada de US$ 700 milhões na própria X-energy — a empresa, que abriu capital em abril de 2026 na Nasdaq, está na série D e tem avaliação de US$ 2 bi.
O desafio do primeiro reator
A aposta Indiana depende de um detalhe crucial: a X-energy precisa primeiro entregar sua primeira usina operacional. O projeto de Seadrift, no Texas, abrigaria quatro reatores Xe-100 para a Dow Chemical e é atualmente o ponto de teste real. O pedido de licença da NRC para Seadrift está na fase final de revisão. Mas o projeto já enfrenta obstáculos — o Texas processou a X-energy acusando a planta de "não conformidade habitual" com regulamentos de água e resíduos sólidos. Nenhum terreno foi quebrado em Seadrift ainda.
O NRC está conduzindo uma revisão de 18 meses para Seadrift, um processo que pode demorar e definir se os reatores Xe-100 ganham a aprovação necessária para expansão. Um atraso em Seadrift empurraria o cronograma do Indiana automaticamente.
O contexto maior: a corrida pela energia de IA
Este projeto se encaixa num movimento mais amplo. Empresas de nuvem estão assinando contratos nucleares anos antes da necessidade real — a Amazon comprou a Susquehanna plant power adjacent data center campus em 2025 por US$ 650 milhões, e agora está a caminho de 5 GW em novas capacidades. Cada novo chip de IA aumenta o consumo por rack: a Vera Rubin NVL72 já chega a 200 kW, e o futuro Rubin Ultra NVL576 deve atingir 600 kW até 2027.
Cerca de metade dos grandes projetos de data center planejados para 2026 ainda não divulgaram uma estratégia de energia. Transformadores, switchgear e baterias estão em curto. A modularidade dos SMRs — cada unidade entre 50 MW e 300 MW, instalados incrementalmente — é apresentada como a solução ideal para contornar filas de interconexão e entregar energia diretamente para campus de data centers.
A transição de carvão para nuclear em terrenos existentes pode se tornar um padrão replicável em outras regiões. O Indiana é o primeiro anúncio de grande escala, mas não será o último — especialmente se a experiência de Seadrift for bem-sucedida e a NRC acelerar as aprovações. A pergunta que fica: em quanto tempo uma usina nuclear de reatores modulares vai acender, e quanto tempo o mercado de energia precisará esperar?
Fontes: TechCrunch, X-energy, ANS Nuclear News
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