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AWS rumo a US$ 1 trilhão: a aposta da Amazon no futuro do cloud computing

A nuvem está crescendo mais rápido do que nunca. E a Amazon quer saber quem vai liderar essa revolução.

No terceiro trimestre de 2026, a AWS (Amazon Web Services) registrou US$ 45,98 bilhões em receita — um crescimento de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número supera as expectativas de Wall Street, que projetaram US$ 45,29 bilhões. O lucro operacional da divisão chegou a US$ 17,8 bilhões, alta de 55%, com margem de 38,7%. A taxa de crescimento é a mais rápida da AWS em quase cinco anos, superando concorrentes como Microsoft Azure e Google Cloud, que também aceleraram, mas não na mesma velocidade.

Mas o número que mais chamou atenção não é esse. Durante a conferência com investidores, o CEO Andy Jassy fez uma afirmação que ecoou por todo o mercado: a AWS pode se tornar o primeiro negócio da história a gerar US$ 1 trilhão em receita anual. Não é especulação distante — é projeção para os próximos 5 a 10 anos.

"Nenhum negócio na história teve US$ 1 trilhão em receita anual", disse Jassy. "Podemos ter dois deles nos próximos 5 a 10 anos."

Ele identificou a AWS e o segmento de varejo (Stores) como esses dois negócios potenciais.

A confiança de Jassy não é vazia. A AWS tem um backlog de receita contratada de US$ 578 bilhões — mais que o dobro de um ano atrás. Grandes acordos com Meta, NVIDIA, OpenAI, Salesforce, Oracle, Qualcomm, Verizon, ADP e Stripe já estão assinados. Tens of thousands of customers usam AgentCore (a plataforma de agentes de IA da AWS), e eles implementaram 2x mais agentes no Q3 do que nos três trimestres anteriores combinados.

Lambda, a oferta flagship serverless da AWS, acabou de ultrapassar US$ 1 bilhão em receita anualizada. É usado por Samsung, Volkswagen, United Airlines, Mercedes-Benz e Booking.com.

Agora, há um detalhe crucial que transforma essa notícia de "mais um trimestre bom" em "ponto de inflexão": a capacidade da AWS está praticamente esgotada até 2027.

"2027 está quase totalmente vendido", afirmou Jassy em um podcast com a a16z. "Uma boa parte de 2028 já está reservada." Ele acrescentou que a Amazon "pode investir muito mais e não seria um mau uso de capital", considerando que a capacidade de 2026 já está esgotada.

Isso significa algo raro em tecnologia: demanda superando oferta de infraestrutura em escala global. Quando você está vendendo tudo o que consegue construir, o crescimento futuro já está garantido — pelo menos até o momento em que a concorrência consegue expandir sua própria capacidade.

O custo dessa expansão é colossal. Os gastos de capital (capex) da Amazon no Q3 atingiram US$ 77,3 bilhões — cerca de US$ 20 bilhões acima do esperado. Para 2026, o capex total deve ficar em torno de US$ 220 bilhões. E Jassy disse explicitamente que a Amazon vai gastar "significativamente mais" em 2027.

O fluxo de caixa livre da Amazon (trailing twelve months) caiu de um inflow de US$ 14,8 bilhões no mesmo período de 2025 para um outflow de US$ 42,4 bilhões em 2026. É um swing de quase US$ 60 bilhões em um ano. A maioria dos analistas de Wall Street focou nesse número, e as ações da Amazon caíram mais de 7% no pregão pós-mercado do resultado.

Mas Jassy tem um argumento simples: 85% de todo o gasto global de TI ainda está em infraestrutura local (on-premises). Ele diz que estamos em um ciclo de 10 anos onde essa equação vai se inverter para a nuvem.

"As cargas de trabalho principais, como mainframes e storage arrays, nunca foram consideradas moveis para a nuvem", disse Jassy na chamada. "Mas essas cargas estão se movendo. A AWS construiu substitutos em nuvem que tornam isso possível."

A analogia é clara: é o mesmo raciocínio que levou as empresas a migrarem de servidores físicos para a nuvem tradicional nos anos 2010, mas agora em escala exponencialmente maior, porque a demanda vem não só de empresas convencionais, mas de labs de IA que treinam e executam modelos com bilhões de parâmetros.

Há um paralelo interessante com a história dos data centers. Em 2008, quando a AWS lançou o EC2, muitos analistas duvidaram que empresas terceiras confiariam infraestrutura crítica à nuvem. Em 15 anos, a nuvem se tornou o padrão. Hoje, estamos vendo o início de um movimento semelhante, mas em direção a um novo tipo de workload: inferência e treinamento de IA em escala planetária.

A infraestrutura da AWS também depende fortemente de seus próprios chips. O Trainium, projetado pela Amazon, é usado em larga escala para treinar modelos de IA a custos menores que os GPUs da NVIDIA. O Graviton, o chip de computação geral da AWS, também contribui para a margem. E a parceria com a Anthropic — a Amazon investiu até US$ 25 bilhões na empresa — é estratégica: a Anthropic gastará US$ 100 bilhões em AWS em troca, criando um loop de confiança entre as duas empresas.

O que diferencia a AWS da concorrência é a verticalização. Enquanto a Microsoft depende fortemente de serviços existentes do Office 365 e da Azure para vender IA, e a Google enfrenta desconfiança crescente de clientes corporativos após escândalos de privacidade, a Amazon construiu um ecossistema que abrange desde chips customizados até fulfillment, logística e, agora, agentes de IA autônomos via AgentCore.

O risco, porém, é real. O capex de US$ 220 bilhões em 2026 já é o maior da história corporativa. Se o crescimento da AWS desacelerar — por exaustão de demanda, por regulamentação de IA, ou por alguma interrupção tecnológica — a Amazon pode ter construído capacidade demais antes que a receita acompanhe.

Mas se Jassy estiver certo sobre o ciclo de 10 anos, então a aposta atual é apenas o início. O setor de cloud computing ainda está na fase de "terra virgem", e quem dominar a infraestrutura de IA provavelmente definirá o próximo capítulo da computação global da mesma forma que a AWS definiu a última década.

O que diremos daqui a 5 anos, quando a AWS passar dos US$ 1 trilhão, será que a história se repetirá? Ou será que o próximo ciclo terá um vencedor diferente?

Fontes: CNBC, TechCrunch, AI Weekly

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação