A startup de energia nuclear Antares anunciou na segunda-feira, 27 de julho de 2026, a captação de US$ 470 milhões em uma rodada Série C para construir pequenos reatores modulares (SMRs) destinados a bases militares dos Estados Unidos. A rodada foi co-liderada pela Paradigm e pela Caffeinated Capital, com participação da Industrious Ventures, Point72 Ventures e Shine Capital, sendo composta por US$ 370 milhões em equity e US$ 100 milhões em dívida. Esse é um dos maiores investimentos já feitos em uma startup de reatores nucleares avançados, refletindo o apetite crescente do mercado por fontes de energia que possam alimentar data centers de IA e instalações críticas.
O reator da Antares é um SMR capaz de produzir entre 100 quilowatts e 1 megawatt de eletricidade — o suficiente para abastecer até 750 residências. Como muitos outros reatores nucleares avançados, o projeto utiliza combustível TRISO, que encapsula urânio em camadas de carbono e cerâmica. As esferas do tamanho de bolas de bilhar são resfriadas por gases como hélio ou sais fundidos, e o revestimento é projetado para impedir que o combustível derreta em reatores de alta temperatura, eliminando efetivamente o risco de fusão nuclear que assombra os reatores tradicionais.
O reator de demonstração da Antares, o Mark-0, atingiu criticalidade em 4 de junho de 2026 no Idaho National Laboratory, tornando-se um dos primeiros reatores avançados de desenvolvimento privado a alcançar esse marco sob o Programa de Reatores Piloto do Departamento de Energia (DOE). A empresa é uma das três finalistas no programa Advanced Nuclear Power for Installations do Pentágono, que testará SMRs em bases da Força Aérea no Colorado e em Montana.
O CEO da Antares, Jordan Bramble, disse que a empresa pretende ter seu primeiro reator gerando eletricidade já no próximo ano, com implantações em instalações militares dos EUA previstas para 2028. O contexto maior é o boom de investimentos em energia nuclear nos Estados Unidos impulsionado pela construção maciça de data centers de IA e pela eletrificação da economia. Em abril, a X-energy levantou US$ 1 bilhão em um IPO, e Radiant Energy, Standard Nuclear e Last Energy captaram rodadas de nove dígitos desde dezembro. No total, a Antares já levantou US$ 604 milhões.
No entanto, o caminho para a comercialização em larga escala é cheio de obstáculos. A cadeia de suprimentos de SMRs nos EUA ainda é imatura, e a fabricação em massa — que teoricamente reduziria custos — leva pelo menos uma década para se materializar. A Lazard estima que os primeiros SMRs custarão cerca de US$ 214 por megawatt-hora, mais caros que a maioria das fontes de energia. Não surpreende que a Antares tenha optado por buscar contratos militares: o Pentágono é um cliente notoriamente insensível a preço, disposto a pagar mais por resiliência energética em bases estratégicas.
O interesse do Pentágono por microrreatores não é casual. Bases militares dos EUA consomem enormes quantidades de energia e, em muitos casos, dependem de redes elétricas civis que podem ser vulneráveis a ataques cibernéticos ou interrupções. Ter uma fonte de energia autônoma, compacta e de baixa emissão de carbono em cada base reduz drasticamente a vulnerabilidade logística. O programa Janus do Exército dos EUA, lançado em outubro de 2025, estabeleceu a meta de instalar um reator nuclear em uma base militar até setembro de 2028 — exatamente o cronograma que a Antares está perseguindo. Se for bem-sucedida, a Antares pode abrir um mercado bilionário não apenas nos EUA, mas também entre aliados da OTAN que buscam soluções similares de resiliência energética.
Fontes: TechCrunch, Reuters, Pulse 2.0