A Thea Energy, uma startup norte-americana de fusão nuclear, acaba de conquistar um prêmio de US$ 20 milhões do Departamento de Energia dos EUA (DOE), por meio da agência ARPA-E, para expandir a produção de seus ímãs supercondutores de alta temperatura (HTS), componentes essenciais para reatores de fusão magnética.
O anúncio, feito na segunda-feira, 27 de julho de 2026, representa um marco importante para a empresa sediada em Kearny, Nova Jersey. A Thea Energy está estabelecendo as primeiras linhas de produção doméstica de ímãs HTS modulares nos Estados Unidos, parte fundamental de sua estratégia para comercializar a fusão nuclear como fonte de energia limpa e abundante.
Os ímãs HTS são componentes caros, porém vitais, em qualquer reator de confinamento magnético — uma das duas principais abordagens que as startups estão utilizando para tentar dominar a fusão nuclear para fins comerciais. Em reatores de confinamento magnético, campos magnéticos poderosos contêm e comprimem o plasma, aquecendo as partículas até que o combustível possa se fundir e liberar grandes quantidades de energia.
O reator da Thea é baseado em um design conhecido como stellarator. Os stellarators se parecem com câmaras de ar torcidas e comprimidas de maneiras que ajudam a confinar o plasma de forma mais eficaz. A maioria dos stellarators usa ímãs construídos para imitar essas torções e curvas, o que os torna caros de fabricar.
Para minimizar os custos de fabricação, a Thea usa menos variantes de ímãs. Os 12 grandes ímãs que fazem o trabalho pesado são feitos a partir de quatro modelos diferentes, e os mais de 300 ímãs menores usados para ajustar o plasma são todos idênticos. Eles são dispostos ao redor da periferia do reator, de forma similar a como os pixels são distribuídos em uma tela de computador.
Os ímãs menores são controlados por software, um arranjo que deve permitir tolerâncias de construção mais flexíveis, o que pode reduzir os custos, segundo a Thea. Esta abordagem "pixelada" é uma das inovações mais distintas da empresa.
A Thea Energy está entre as startups de fusão mais financiadas do setor. Em maio de 2026, a empresa levantou US$ 100 milhões, somando-se aos US$ 20 milhões de uma rodada Série A concluída em 2024. A empresa planeja construir uma usina de fusão comercial em meados da década de 2030.
O prêmio da ARPA-E é particularmente significativo porque valida a abordagem tecnológica da Thea perante o governo federal. A ARPA-E (Advanced Research Projects Agency – Energy) é a agência do DOE responsável por financiar tecnologias energéticas de alto risco e alto impacto, inspirada no modelo da DARPA.
A fusão nuclear — o processo que alimenta o Sol — é considerada o "santo graal" da energia limpa. Diferentemente da fissão nuclear (usada nas usinas atuais), a fusão não produz resíduos nucleares de longa duração e oferece combustível virtualmente inesgotável (isótopos de hidrogênio). No entanto, dominar a fusão em escala comercial tem se mostrado um dos maiores desafios científicos e de engenharia da humanidade.
O investimento federal na Thea Energy insere-se num contexto mais amplo de crescente apoio governamental à fusão nuclear nos EUA. O Departamento de Energia tem ampliado programas de financiamento para startups do setor, reconhecendo o potencial da fusão como fonte de energia limpa e segura capaz de complementar a geração renovável intermitente.
Com a crescente demanda por energia — impulsionada por data centers de IA, veículos elétricos e criptomoedas — a fusão nuclear nunca pareceu tão necessária nem tão próxima da viabilidade comercial.
Fontes: TechCrunch, Thea Energy, Nile1