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Binance perde US$ 6,3 bilhões em maior roubo cripto da história, ligado à Coreia do Norte

Maior roubo de criptomoedas

O mundo das criptomoedas registrou na última semana o maior roubo já documentado em sua história: aproximadamente US$ 6,3 bilhões foram subtraídos do maior exchange do mundo, a Binance. O ataque, descoberto em 29 de outubro, revelou não apenas a escala sem precedentes do crime, mas também a sofisticação de um grupo de hackers ligado ao governo norte-coreano que usa o cibercrime como fonte de receita para o regime.

O ataque

Por volta das 16h20 (horário do Leste dos EUA) em 29 de outubro, fundos começaram a sair das carteiras quentes (hot wallets) da Binance através de múltiplas blockchains. Segundo a análise da Chainalysis, o atacante utilizou uma carteira operacional financiada via Tornado Cash — ferramenta de privação de privacidade em blockchain — para submeter autorizações assinadas válidas que permitiram à carteira comprometida da Binance executar código malicioso implantado pelo agressor. Os fundos foram então transferidos para endereços controlados pelo atacante, totalizando US$ 6,4 bilhões across as blockchains afetadas.

O co-CEO da Binance, Richard Teng, descreveu o incidente como um "ataque complexo" envolvendo um laptop comprometido e software malicioso projetado especificamente para excluir evidências de sua atividade, dificultando rastreamento e investigação. A natureza do ataque sugere que os invasores já haviam obtido acesso ao ambiente da empresa por semanas ou meses antes do saque.

A resposta da indústria e governo

Em questão de horas, a indústria de criptomoedas mobilizou uma resposta coordenada. Emitentes de stablecoins — Tether (USDT) e Circle (USDC) — iniciaram freezes em bilhões de dólares em fundos roubados, enquanto agências de aplicação da lei dos EUA, incluindo FBI, Secret Service e IRS-CI, trabalharam em conjunto com empresas de análise blockchain como a Chainalysis. Aproximadamente US$ 2,8 bilhões foram congelados em múltiplas blockchains, um recorde de cooperação em tempo real no setor.

A conexão com a Coreia do Norte foi fortalecida quando investigadores da Chainalysis observaram que fundos roubados da Binance foram combinados com fundos roubados de um exploit do Bitget no mês anterior, já atribuído a atores norte-coreanos. Essa ligação direta em cadeia de blocos confirmou que o grupo TraderTraitor — parte do mais famoso Lazarus Group — estava por trás do ataque.

O FBI emitiu um alerta oficial na madrugada de 31 de outubro, declarando que a República Popular Democrática da Coreia era "responsável pelo roubo de mais de US$ 6 bilhões" e que havia observado os atores do TraderTraitor convertendo os ativos roubados principalmente em Ethereum (ETH). A agência alertou que os fundos deveriam ser lavados adicionalmente através de plataformas DeFi e serviços de swap instantâneo.

A cobertura da Binance

Em uma decisão incomum para o setor, a Binance anunciou que cobriria integralmente as perdas dos usuários, utilizando fundos corporativos e o SAFU (Secure Asset Fund for Users). Até o momento, o exchange já reembolsou 90% dos ativos roubados, incluindo 100% de cobertura para BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP e outras stablecoins principais. Os 10% restantes consistem em tokens fora do top 10, com menor liquidez no mercado, o que deve demandar mais tempo para reposição.

As retiradas de usuários foram suspensas após o ataque, mas foram gradualmente retomadas a partir de 1º de novembro em fases. Bitcoin, Ethereum e USDT foram os primeiros a ter serviços restaurados, seguidos por outras redes como Ethereum Network e BNB Smart Chain.

O que isso significa

Este ataque levanta questões fundamentais sobre a segurança de exchanges centralizadas em 2026 — um setor que deveria ter amadurecido significativamente com a escala da indústria. A Coreia do Norte, sob sanções internacionais extensas por seus programas nucleares e de mísseis, continua a utilizar o cibercrime como mecanismo de obtenção de receita, com estimativas de agências de inteligência indicando que Pyongyang arrecada bilhões de dólares por ano com operações de hacking.

A resposta coordenada da indústria — com US$ 2,8 bilhões congelados em horas — demonstra um amadurecimento importante. Mas a pergunta que fica é: em um mercado onde US$ 6,3 bilhões podem desaparecer em minutos, a estrutura atual de segurança é suficiente para qualquer exchange, ou estamos assistindo apenas ao primeiro ato de uma escalada que ainda não compreendemos de verdade?

Fontes: Al Jazeera, CNBC, Chainalysis

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