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Canva lança Affinity para iPad, app profissional gratuito que funde design, foto e layout

A Canva anunciou nesta segunda-feira a disponibilização gratuita da Affinity para iPad, marca que adquiriu ao comprar o Studio Syndicate — dono da linha Affinity — em 2024. O aplicativo reúne, em um único arquivo .af, ferramentas de design vetorial, edição fotográfica, maquetção de páginas e desenho à mão livre, com suporte nativo para Apple Pencil e interface inteiramente pensada para toque. Para profissionais que antes precisavam alternar entre Affinity Photo, Vector e Page Layout em desktop, ou então entre múltiplos apps no iPad, o lançamento representa a primeira vez que uma suíte criativa profissional completa está disponível sem custo para usuários individuais.

A decisão de tornar o app gratuito não é casual. Desde que a Canva comprou a Affinity, a expectativa do mercado era que a empresa de Sydney tentaria monetizar a suíte por meio de uma assinatura ou licença premium — e o modelo anterior da Affinity, baseado em licença perpua única de 99 dólares, já havia mostrado que o público de criadores profissionais estava disposto a pagar por ferramentas de qualidade. Ao entregar a Affinity de graça, a Canva remove a principal barreira de adoção e, ao mesmo tempo, posiciona o app como um complemento — não um concorrente — ao ecossistema Canva, que já conta com mais de 200 milhões de usuários ativos mensais.

O aplicativo oferece o que a empresa chama de "paridade de recursos" com a versão desktop: edição não destrutiva com milhares de camadas editáveis, manipulação de arquivos RAW, ferramentas de vetor com nós editáveis, painéis de tipografia profissional e exportação pronta para impressão. A versão para iPad suporta iPad de 7ª geração ou mais recente, iPad Mini de 5ª geração ou mais recente, iPad Air de 3ª geração ou mais recente, e todas as versões de iPad Pro, desde que rodem iPadOS 18 ou superior. Recursos de inteligência artificial baseados em machine learning exigem um chip M-series, o que limita alguns recursos avançados em modelos mais antigos.

Uma das decisões mais discutidas do app é que ele não oferece uma interface estilo desktop mesmo quando conectado a um teclado externo. A equipe de produto escolheu priorizar o paradigma de interação touch: barras flutuantes de ferramentas, atalhos circulares por toque e uma interface Sketch dedicada para uso com Apple Pencil. Essa escolha reflete uma aposta clara da Canva no iPad como dispositivo criativo independente, e não como extensão portátil de um desktop. O efeito prático é que o fluxo de trabalho no iPad é visivelmente diferente do que os usuários da versão desktop estavam acostumados — o que pode ser visto como evolução natural ou como uma limitação, dependendo da perspectiva.

O que falta em relação à versão desktop são recursos como Books, Batch Processing, Data Merge, Quick Adjustments, painéis de informação e escopo, gravação de macros e o Astrophotography Studio. A Canva afirmou que mais recursos serão adicionados ao longo do tempo. Por enquanto, a versão móvel já suporta a maioria dos fluxos de trabalho criativos profissionais, incluindo composição complexa com camadas editáveis, mascaramento preciso, ajustes de RAW em tempo real e exportação para impressão.

O movimento estratégico por trás da Affinity gratuita se encaixa em um padrão mais amplo: empresas de software criativo que estavam trancadas em ecossistemas proprietários estão sendo forçadas a se reimaginar à medida que ferramentas baseadas em nuvem, como Canva e Adobe Express, conquistam o mercado de criadores casuais e semi-profissionais. A Affinity sempre se posicionou como alternativa séria ao Adobe Creative Cloud, oferecendo performance desktop-grade com licença perpétua — uma proposta de valor que soou atraente em um momento de insatisfação generalizada com modelos de assinatura. Agora, ao tornar-se gratuita e mobile-first, a Affinity muda de posição: em vez de competir com o Adobe no desktop, ela tenta capturar o mercado emergente de criadores profissionais que trabalham predominantemente em tablets.

A pergunta que fica é se a abordagem mobile-first da Canva com Affinity consegue sustentar um modelo de negócio sustentável sem uma camada de assinatura, ou se a empresa espera monetizar o app indiretamente, integrando recursos de IA premium do Canva Creator como upgrades opcionais — o que, ironicamente, traria a Affinity de volta à lógica de freemium que ela havia tentado escapar ao adotar a licença perpétua original.

Fontes: The Verge, Affinity Official Blog, Thurrott.com

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