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DOJ de Trump ganha supervisão sobre patrocínios de green card da OpenAI

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) passou a ter supervisão sobre como a OpenAI patrocina green cards de seus funcionários. Em um acordo anunciado pela Divisão de Direitos Civis, a OpenAI e sua ex-subsidiária Statsig concordaram em pagar US$ 3,2 milhões e a ficar sob três anos de supervisão federal sobre suas práticas de contratação. A investigação concluiu que a empresa não fez uma tentativa significativa de contratar cidadãos americanos antes de buscar residência permanente para funcionários com visto de trabalho.

O caso gira em torno do processo de certificação trabalhista conhecido como PERM. Quando uma empresa quer patrocinar o green card de um funcionário estrangeiro, ela precisa demonstrar ao Departamento do Trabalho que não encontrou um trabalhador americano qualificado e disposto a ocupar a vaga. A acusação do DOJ é que a OpenAI e a Statsig desencorajaram ativamente candidatos americanos de se candidatar a essas posições, favorecendo os funcionários já contratados com vistos temporários. A empresa nega as acusações, mas concordou em ajustar suas políticas e pagar a multa sem admitir irregularidade.

Este é um dos casos mais emblemáticos da "Protecting U.S. Workers Initiative", um programa que o DOJ relançou em 2025 sob a administração Trump para reprimir a discriminação com base em status de cidadania no processo de patrocínio de vistos e green cards. A OpenAI é a décima terceira empresa a chegar a um acordo sob essa iniciativa. O fato de o alvo ser a empresa de IA mais famosa do mundo dá ao caso um peso simbólico enorme — é a mensagem de que nenhuma empresa, por mais poderosa ou estrategicamente importante que seja, está imune à fiscalização.

Para a OpenAI, o timing é delicado. A empresa depende fortemente de talento técnico global e já enfrenta um ambiente competitivo feroz por engenheiros de IA. Ter o processo de imigração sob escrutínio federal pode dificultar a atração de profissionais estrangeiros, que podem ver a OpenAI como um destino mais arriscado para patrocínio de visto. Ao mesmo tempo, a multa de US$ 3,2 milhões é pequena para uma empresa avaliada em centenas de bilhões de dólares — o custo real está na supervisão de três anos e no constrangimento reputacional.

Há uma leitura mais ampla sobre o setor. A iniciativa do DOJ envia um sinal claro a todo o Vale do Silício: os processos de PERM e patrocínio de green cards, historicamente vistos como um formalismo, agora são alvo de escrutínio ativo. Empresas de tecnologia que dependem de vistos H-1B e de trabalhadores estrangeiros terão que revisar como conduzem as buscas de candidatos americanos. Para o trabalhador americano, é uma vitória potencial em um debate político inflamado sobre imigração qualificada e sobre se as empresas de tecnologia realmente tentam contratar localmente antes de buscar mão de obra importada.

A pergunta que fica é como a OpenAI vai navegar o equilíbrio entre a necessidade de talento global e a supervisão federal. A empresa pode responder de duas formas: endurecendo seu processo de recrutamento para provar boa-fé, ou reduzindo o patrocínio de vistos para evitar fricção — o que seria irônico, pois limitaria o acesso ao mesmo talento que a tornou líder. O desfecho vai revelar se a indústria de IA se adapta à nova realidade regulatória ou tenta contorná-la.

Fontes: TechCrunch, US Department of Justice, Financial Express

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação