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eBay chega a acordo de US$ 56 milhões em caso de cyberstalking e assédio

A eBay concordou em pagar US$ 55,7 milhões (aproximadamente US$ 56 milhões) para encerrar uma ação civil federal decorrente de uma das campanhas de assédio corporativo mais bizarras já registradas nos Estados Unidos. O caso envolve David e Ina Steiner, um casal de Massachusetts que administrava o EcommerceBytes, um boletim informativo sobre comércio eletrônico que frequentemente publicava críticas à plataforma da eBay. O que se seguiu foi uma campanha orquestrada por funcionários da empresa que incluiu mensagens ameaçadoras, uma máscara de porco ensanguentada entregue na residência das vítimas e anúncios no Craigslist convidando estranhos para invadir a casa do casal.

De acordo com o The Verge, que cobriu o caso em detalhes desde 2019, o acordo de 27 de julho de 2026 inclui US$ 46,15 milhões pagos diretamente pela eBay aos Steiners. Além disso, a empresa fará uma contribuição de US$ 6 milhões a organizações sem fins lucrativos. Três ex-executivos da eBay também contribuirão com valores substanciais: o ex-CEO Devin Wenig pagará US$ 2 milhões aos Steiners mais US$ 1 milhão a uma instituição de caridade dedicada à proteção da Primeira Emenda, em nome de Ina Steiner; a ex-vice-presidente sênior de operações globais Wendy Jones pagará US$ 500 mil; e o ex-diretora de comunicações Steve Wymer pagará US$ 50 mil.

A Ars Technica documentou como a campanha de assédio, que ocorreu em 2019, foi meticulosamente planejada nos mais altos escalões da empresa. Na época, Wenig teria dito a subordinados que era preciso "derrubar" o EcommerceBytes, que ele descrevia como um "inimigo" da eBay. Funcionários da equipe de segurança corporativa da empresa viajaram para Massachusetts e executaram uma série de atos cada vez mais perturbadores: enviaram ao casal uma máscara de porco coberta de sangue artificial, aranhas e baratas, além de publicar anúncios no Craigslist convidando pessoas para uma festa na casa dos Steiner com a promessa de que a porta estaria destrancada.

A Wired publicou uma investigação aprofundada revelando que os funcionários da eBay também criaram contas falsas no Twitter para perseguir e intimidar os Steiners, enviaram mensagens diretas ameaçadoras e chegaram a vigiar a residência do casal. Em um dos episódios mais perturbadores, um funcionário enviou uma mensagem dizendo "nós estamos observando você" — uma clara tentativa de aterrorizar as vítimas.

Seis ex-funcionários da eBay foram condenados criminalmente em 2022 e 2023, incluindo membros da equipe de segurança corporativa. Alguns receberam penas de prisão. A resposta da empresa, no entanto, foi alvo de críticas: a eBay demorou a cooperar plenamente com as investigações e inicialmente tentou minimizar o incidente como ação de alguns funcionários desonestos.

A TechCrunch noticiou que o caso se tornou um símbolo dos perigos do poder corporativo sem controle. Para David e Ina Steiner, o caminho até o acordo foi longo e doloroso. "Este acordo nunca poderá desfazer o trauma que sofremos, mas envia uma mensagem clara de que nenhuma empresa, por mais poderosa que seja, está acima da lei", declarou o casal em comunicado conjunto.

A Engadget destacou que o caso também levanta questões importantes sobre a responsabilidade de executivos seniores. Embora Wenig não tenha participado diretamente das ações ilegais, os promotores argumentaram que ele criou uma cultura corporativa que incentivava táticas agressivas contra críticos da empresa. O acordo exige que Wenig faça um pagamento pessoal significativo, estabelecendo um precedente para responsabilização de CEOs.

O valor total de US$ 55,7 milhões é um dos maiores já pagos em um caso de cyberstalking corporativo. Analistas jurídicos apontam que o montante reflete a gravidade das ações e serve como dissuasão para outras empresas de tecnologia que possam considerar táticas similares contra jornalistas e críticos.

Para a eBay, o caso representa uma mancha profunda em sua reputação. Sob nova liderança, a empresa implementou reformas em seus programas de compliance e segurança, mas o dano à sua imagem perdura. O caso é frequentemente citado em debates sobre governança corporativa e os limites éticos da atuação de departamentos de segurança empresarial.

O acordo também reacende discussões sobre a proteção de jornalistas independentes e criadores de conteúdo que ousam criticar grandes corporações de tecnologia. Organizações de defesa da liberdade de imprensa, como a Coalizão pela Primeira Emenda, elogiaram a resolução do caso, mas alertaram que episódios semelhantes podem ocorrer sem mecanismos de proteção mais robustos. fim, o caso dos Steiners contra a eBay permanecerá como um dos exemplos mais chocantes de assédio corporativo patrocinado no século XXI. O acordo de US$ 56 milhões não apaga o trauma, mas estabelece um marco legal importante para vítimas de perseguição corporativa em todo o mundo.

Fontes: Wired, TechCrunch, The Verge