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Eric Schmidt detém cerca de metade do stake que Dario Amodei tem no Anthropic

O anúncio que revelou um detalhe inesperado da governança do Anthropic

Uma reportagem da Bloomberg divulgada nesta semana trouxe à tona um número que, isolado, parece inocente: Eric Schmidt, o ex-CEO do Google, detém aproximadamente 1% do Anthropic. O dado em si não é novidade — fontes já sugeriam há meses que o magnata tinha feito uma aposta early na empresa — mas o contexto ao redor desse 1% é o que torna a história relevante para todo o ecossistema de inteligência artificial.

Schmidt investiu dezenas de milhões de dólares no round Series A do Anthropic em 2021, quando a empresa era avaliada em US$ 461 milhões, segundo dados da PitchBook divulgados à Bloomberg. Para comparação, o round levantou US$ 124 milhões, liderado por Jaan Tallinn (co-fundador do Skype), com Dustin Moskovitz (co-fundador do Facebook) também participando. Schmidt, através de múltiplas estruturas — Tomorrow Ventures, Innovation Endeavors Management e seu escritório familiar Hillspire — foi um dos poucos investidores independentes presentes naquela rodada.

O que a Bloomberg revelou, no entanto, é que esse 1% é aproximadamente a metade do que Dario Amodei, o CEO e co-fundador do Anthropic, detém: cerca de 2%. Em qualquer outra empresa de tecnologia, seria de se esperar que o fundador controlasse uma fatia significativamente maior que um investidor externo. Mas o Anthropic não é uma empresa de tecnologia convencional — é, na prática, uma holding de risco com uma estrutura de capital que separa radicalmente o poder de voto da propriedade econômica.

A estrutura Founder LLC e o controle coletivo dos sete

O detalhe mais interessante da reportagem não é o número em si, mas o que ele revela sobre a arquitetura de controle do Anthropic. Segundo documentos do prospecto de IPO vistos pela Reuters em setembro, os sete co-fundadores da empresa estão solicitando aos acionistas uma estrutura de "Founder LLC" que lhes concederia 50,1% do poder de voto coletivo — desde que pelo menos três dos sete mantenham uma participação mínima nas ações.

Isso significa que o 1% de Schmidt, embora economicamente significativo, tem peso político quase nulo na governança da empresa. Ele tem assento no conselho? Não há evidências disso. Ele influencia decisões de segurança? Provavelmente não mais do que qualquer outro acionista minoritário. O que ele tem é uma participação econômica enorme, que pode se transformar em uma das maiores fortunas individuais da história da tecnologia.

Se o Anthropic for ao mercado com uma valuation de US$ 2 trilhões — o número que investidores têm discutido — o 1% de Schmidt valeria US$ 20 bilhões. Isso elevaria a fortuna estimada de Schmidt, atualmente na casa dos US$ 57,5 bilhões, para perto dos US$ 80 bilhões, segundo o índice de bilionários da Bloomberg. Mesmo com a valuation mais conservadora de US$ 1,5 trilhão que alguns investidores mencionaram após o investor day de 14 de outubro, a participação valeria cerca de US$ 15 bilhões.

A disparidade de valuation

A valuation de US$ 1,5 a 2 trilhões que investidores estão discutindo é, para muitas análises independentes, completamente desconectada da realidade financeira. A firma de pesquisa New Constructs publicou um relatório em 6 de outubro titulado "Anthropic Is The Most Ridiculous IPO of 2026". Segundo a firma, para justificar uma valuation de US$ 2 trilhões, o Anthropic precisaria gerar, em 2035, lucros operacionais após impostos de US$ 358 bilhões — o equivalente a 2,0 vezes o lucro da Nvidia (US$ 184 bilhões) e 2,6 vezes o da Apple (US$ 136 bilhões) no mesmo período. A revenue teria que chegar a US$ 3,6 trilhões, cerca de 1,4 vezes a revenue trailing combinada de Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Oracle.

No cenário mais otimista da New Constructs, com margens melhorando para 20% ao longo de uma década e crescimento de 36% ao ano, a valuation chegaria a US$ 1,1 trilhão — ainda 43% abaixo do alvo. No cenário mais baixo, com crescimento de 20% ao ano a partir de 2028, a valuation equity seria de apenas US$ 144 bilhões. Ou seja, o Anthropic seria avaliado em 93% menos do que pretende.

Este não é apenas um artigo sobre a riqueza de Eric Schmidt. É um artigo sobre como o poder está sendo estruturado no setor de IA, e sobre o risco sistêmico de uma valuation que pode ser até 14 vezes maior do que o que a análise fundamentalista justifica.

Schmidt não é o único investidor independente com participação significativa — Amazon e Google foram early backers, e nomes como Accel, Altimeter Capital, BlackRock e Baillie Giffard também estão na lista de investidores. Mas Schmidt é o único com uma história tão profunda de investimentos em tecnologia (Uber, Google, Palantir) que dá um peso histórico único à sua aposta no Anthropic.

O crescimento trimestral de 45% nos receita, passando de US$ 11,6 bilhões no segundo trimestre para US$ 16,8 bilhões no terceiro, é impressionante. Mas em 2025, o Anthropic gerou US$ 4,6 bilhões em receita enquanto gastava US$ 7,3 bilhões em compute apenas. A questão para investidores é se a empresa conseguirá escalar a receita mais rápido do que escalam os custos de compute — um problema que afeta todos os provedores de modelos de IA, não apenas o Anthropic.

Fontes: TechCrunch, The Next Web, Business Standard

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