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Figma expande sua plataforma de agentes com Specs e Code Layers no Config India

Figma expande sua plataforma de agentes com Specs e Code Layers no Config India

A Figma realizou nesta semana seu primeiro evento Config na Índia — uma escolha geográfica reveladora, já que o país é o maior mercado da empresa fora dos Estados Unidos, com 40% das 100 maiores empresas listadas na Bolsa de Bombaim usando a plataforma. O anúncio central foi a evolução agressiva do ecossistema de agentes de IA na plataforma, posicionando a Figma não mais como uma ferramenta de design, mas como uma plataforma completa de criação onde equipes inteiras — humanos e agentes — decidem o que construir e entregam.

Specs: Markdown que vive no canvas

O lançamento mais distintivo do evento foram os Figma Specs, um editor baseado em Markdown que permite definir a linguagem de design de uma equipe de forma estruturada e executável. Diferente de um documento estático, um Spec é um container multi-jogador que vive no canvas da Figma — ele pode incorporar diagramas do FigJam, camadas de código, designs e referências a qualquer nó do canvas, mantendo texto e elementos visuais lado a lado em vez de dependência de screenshots ou links obsoletos.

O que torna o Specs particularmente relevante para o futuro dos agentes de IA é que o Figma Agent pode ler, responder a comentários e agir sobre um Spec exatamente da mesma forma que colabora com um colega humano. Equipes podem arrastar um documento de requisitos (PRD), pedir ao agente para expandir com novas ideias de um brainstorm no FigJam, e o agente opera com contexto visual direto — não apenas texto isolado.

Luke Zhang, product manager da Figma, explicou na announcement: "Cada vez mais construtores de produtos estão trabalhando em Markdown, à medida que colaborar com agentes se torna o padrão." O Specs é a resposta da Figma a essa tendência — em vez de competir com o Markdown como formato, a empresa o eleva a um container vivo dentro da plataforma.

Os Specs estão em open beta para planos pagos, com rollout gradual para Professional, Organization e Enterprise. A ideia central é fornecer um sistema de referência centralizado para agentes — sejam eles internos da Figma ou de terceiros — seguirem as regras de marca e design de uma organização.

Code Layers: design encontra código no canvas

Em paralelo, a Figma tornou disponível em open beta os Code Layers — uma funcionalidade que adiciona camadas de código diretamente sobre designs no canvas. Criado inicialmente em beta fechado em junho, o Code Layers permite que equipes criem protótipos interativos com backing de código real, seja convertendo um frame de design, importando um repositório GitHub, capturando um website via extensão Chrome, ou gerando do zero com o Figma Agent.

A funcionalidade é particularmente interessante para o fluxo de design-to-code. Um designer pode criar um layout, pedir ao agente para transformar em código, e iterar sobre o resultado — tudo sem sair do canvas. Isso reduz significativamente a fricção entre prototipação visual e implementação, um dos gargalos mais antigos do fluxo de design.

Loredana Crisan, chief design officer da Figma, colocou o problema central que os Code Layers buscam resolver em termos diretos: "Existem 17 vezes mais linhas de código sendo produzidas hoje do que no passado. Mas ao olhar para releases, apenas 1,3 vezes mais releases. Muito desse código na verdade não é necessariamente construído para ser entregue, mas sim construído para descobrir qual é o produto. É construído para projetar."

A citação revela uma mudança fundamental na mentalidade do desenvolvimento de software — o código hoje é frequentemente uma forma de exploração, não apenas de entrega. Os Code Layers formalizam essa exploração no próprio canvas da Figma.

Figma MCP: o protocolo que conecta agentes

Um componente transversal de todas essas novidades é o Figma MCP (Model Context Protocol) server, agora com suporte para mais de 20 ferramentas externas, incluindo Open Code, Dia, Grok Bot e a startup indiana de IA Sarvam. O MCP permite que agentes de IA externos operem diretamente sobre o canvas — criando camadas de código, editando specs, gerando imagens — sem necessidade de ferramentas intermediárias.

Isso posiciona a Figma como uma plataforma de agentes, não apenas uma aplicação. Assim como o Slack se tornou a plataforma onde bots resolvem trabalho de equipes, a Figma quer se tornar a plataforma onde agentes de IA realizam trabalho de design — dentro do contexto visual e de design system da empresa.

Payload e Figma Make: conteúdo dinâmico integrado

A Figma também anunciou a integração do Payload — CMS headless open-source adquirido no ano passado — com o Figma Make, a ferramenta da empresa para gerar sites dinâmicos e gerenciar conteúdo diretamente. O Payload viu suas downloads aumentarem seis vezes nos últimos 12 meses, o que explica a decisão estratégica de integrá-lo profundamente ao ecossistema Figma.

Com essa integração, equipes podem conectar designs já criados no Figma Design diretamente a workflows de conteúdo no Figma Weave, permitindo que ativos visuais sejam usados em contextos multi-canal sem sair da plataforma.

O que isso significa para o futuro do design

A estratégia da Figma é clara: transformar a plataforma no ponto central onde software é planejado, projetado e prototipado — com agentes de IA atuando como força de trabalho paralela, não como ferramenta opcional. Os Specs fornecem o contexto estrutural, os Code Layers dão ao agente capacidade de executar código real, e o MCP permite que qualquer ferramenta externa opere sobre o canvas.

O movimento é ambicioso. A Figma está tentando se tornar o sistema operacional do design moderno — e agentes de IA são o sistema de execução que roda sobre ele. Se a plataforma conseguir manter qualidade, performance e segurança nessa transição, terá não apenas dominado o mercado de ferramentas de design, mas se tornado infraestrutura crítica para todo o fluxo de criação de software.

A pergunta que fica é: quantos mais agentes de IA precisam operar sobre um único canvas antes de a interface tradicional de design desaparecer completamente?

Fontes: TechCrunch, Figma Blog, The Verge

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação