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Flapping Airplanes levanta US$ 1 bi em rodada Série A com valuation de US$ 6 bi

A Flapping Airplanes, um laboratório de pesquisa em inteligência artificial fundado no final de 2025, anunciou hoje que levantou US$ 1 bilhão em sua rodada Série A, alcançando uma valuation de US$ 6 bilhões. A rodada foi liderada pela Index Ventures e Lux Capital, com participação dos investidores anteriores Sequoia Capital, GV (do Google), Kleiner Perkins, Valor, Atreides e Nvidia. O valuation quadruplicou em relação à rodada semente de janeiro, quando a empresa levantou US$ 180 milhões com valuation de US$ 1,5 bilhão.

A empresa foi fundada por Aidan Smith e pelos irmãos Asher e Ben Spector. Smith é ex-fundador e bolsista Thiel, que trabalhou na Neuralink durante a faculdade. Asher Spector fez doutorado em estatística na Stanford, enquanto Ben Spector era estudante de doutorado em ciência da computação na Stanford e fundou a Prod, um incubador estudantil que já foi descrito como uma das máquinas de talento mais poderosas do Vale do Silício pelo parceiro da Sequoia David Cahn. Juntos, os fundadores estão construindo o que Cahn chamou de laboratório de AGI para jovens.

A tese central da empresa é ambiciosa: a demanda por IA vai superar a oferta de chips e dados. "Atingir 10% mais desempenho por chip seria tremendamente valioso economicamente", disse Asher Spector ao Bloomberg. Para isso, a empresa está desenvolvendo o que descreve como o framework megakernel mais completo do mundo — um sistema que consegue empacotar entire training runs, serving de inferência e até rodar jogos de vídeo dentro de um único kernel de GPU. A ideia é que a IA mal coçou a superfície do que as GPUs podem fazer.

O conceito de megakernel permite que a empresa sobreponha inferência, que é limitada por memória, com treinamento, que é limitado por computação, explicou a equipe. Em vez de o chip ficar ocioso esperando dados ou esperando cálculos, as duas tarefas rodam simultaneamente. O resultado seria um sistema que funciona sem ingerir metade da internet, como resumiu Ben Spector.

O nome da empresa é intencionalmente desconfortável. "Think of the current systems as big, Boeing 787s. We're not trying to build birds. That's a step too far. We're trying to build some kind of a flapping airplane", explicou Ben Spector em entrevista à TechCrunch. A analogia captura a filosofia da empresa: em vez de apenas melhorar o que já existe (como imitar pássaros, algo que os primeiros aviões fracassaram em fazer), a Flapping Airplanes quer construir algo fundamentalmente diferente.

A Flapping Airplanes se encaixa na categoria emergente de neolabs — startups de IA focadas puramente em pesquisa, sem produtos comerciais. Outras empresas do gênero incluem a AMI Labs, do Yann LeCun (que levantou cerca de US$ 1 bilhão em março), e a Mirendil (US$ 200 milhões em junho). O setor está aquecido: o Q3 de 2026 foi um trimestre recorde para rodadas de US$ 1 bilhão, com a IA representando 64% do investimento global em venture capital.

Mas a combinação de valuation alto, nenhuma receita e nenhum produto é arriscada. A Dealroom observou que a empresa está entre os maiores rounds de deep tech em fase inicial já registrados nos EUA, no top 1% em um dataset de 3.497 negociações comparáveis. O valuation deixa pouca margem para a pesquisa fracassar — e, ao contrário de empresas como a Recursive (que tem um modelo funcional, mesmo que auto-gerado) ou a Legora (que já tem um produto de mercado jurídico), a Flapping Airplanes não tem benchmarks publicados nem deploy em produção para mostrar.

A pesquisa anterior de Ben Spector na Hazy Research da Stanford incluiu o ThunderKittens, um domínio específico de linguagem e biblioteca para escrever kernels de GPU de alto desempenho. A empresa atual estende essa linha de trabalho de kernels individuais otimizados para agendamento completo de cargas de trabalho.

A pergunta que fica é se o mercado de IA está se preparando para a próxima onda de laboratórios de pesquisa pura, ou se estamos apenas vendo o Vale do Silício repetir o ciclo de apostas massivas em promessas sem prova — só que desta vez, com seis bilhões de dólares em jogo.

Fontes: TechCrunch, AlphaSignal, Hazy Research

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação