O aplicativo Gemini atingiu oficialmente a marca de 1 bilhão de usuários ativos mensais, anunciou nesta terça-feira (11) o CEO do Google, Sundar Pichai, via X. O marco faz do assistente de IA o 14º produto da empresa a cruzar a casa do bilhão e, segundo o executivo, o de crescimento mais rápido em toda a história do Google.
O número coloca o Gemini em um clube cada vez mais disputado: o ChatGPT, da OpenAI, alcançou a marca de 1 bilhão de usuários mensais em junho. A diferença é que, enquanto o rival nasceu quase sozinho num aplicativo de chat, o Gemini chega a esse patamar apoiado na máquina de distribuição do Google — integrado ao Search, ao Workspace, ao Android e ao próprio app dedicado. "Estamos acompanhando o ritmo do ChatGPT", resumiu a companhia, sem esconder a ambição.
Os números de uso ajudam a explicar a trajetória. Segundo o Google, 63% dos usuários do Gemini conversam diretamente com o assistente usando a função de voz — e pais ocupados são 43% mais propensos a usar voz para tarefas do dia a dia. Uma em cada cinco interações do Gemini Live vai além da voz: as pessoas usam câmera ao vivo e compartilhamento de tela para resolver problemas em tempo real, um comportamento muito popular entre quem faz trabalhos manuais (DIY). O aplicativo gera ainda mais de 150 milhões de imagens por dia, e já soma mais de 100 milhões de usuários ativos no iOS.
O anúncio chega logo depois do balanço do segundo trimestre, quando o Google celebrava pouco mais de 950 milhões de usuários mensais do Gemini — e revelava que o número de usuários diários triplicou no último ano. O salto, portanto, não é apenas de marketing: a base cresceu rápido de verdade entre uma medição e outra. Para efeito de comparação, o próprio modo IA do Search — uma experiência separada do app — também já superou 1 bilhão de usuários mensais em todo o mundo.
A empresa também aproveitou o momento para citar a chegada do Gemini 3.5 Flash, um modelo desenhado para melhorar tarefas de programação e agentes autônomos de IA. É uma sinalização clara de que o Google quer levar o Gemini para além do bate-papo: o assistente é cada vez mais o motor de agentes que executam tarefas, não apenas respondem perguntas.
O contexto imediato é o evento "Made by Google", previsto para as próximas semanas, quando a companhia deve apresentar uma nova geração de dispositivos Pixel com recursos de IA ampliados. A base de 1 bilhão de usuários, nesse cenário, funciona como uma plataforma de lançamento — quanto maior a audiência do assistente, mais atraente ele se torna para desenvolvedores e para a estratégia de distribuição de hardware.
Há, claro, uma questão que o marco não responde: número de usuários não é sinônimo de receita ou de fidelidade. O ChatGPT já provou que bilhões de visitas podem conviver com modelos de monetização ainda em construção, e o Google, que historicamente transforma escala em dinheiro com mais facilidade do que a maioria, terá de mostrar que consegue fazer o mesmo com o Gemini sem canibalizar seu negócio de buscas. Por ora, o fato mais concreto é simples: em menos de três anos desde seu lançamento, o assistente virou uma das maiores propriedades digitais do planeta.
Fontes: TechCrunch, Google, Unite.AI
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