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LAIKA retorna com Wildwood: animação stop-motion para adultos testa novos limites do cinema

LAIKA retorna com Wildwood: animação stop-motion para adultos testa novos limites do cinema

Depois de sete anos sem lançar um filme, o estúdio de Portland LAIKA colocou Wildwood nos cinemas em 23 de outubro de 2026 — sua produção mais ambiciosa, seu primeiro filme classificado acima de PG (o famoso "livre para todos" dos Estados Unidos) e um teste direto para o público de animação adulta em formato artesanal. O filme estreou em 655 cinemas no Reino Unido e Irlanda, o maior lançamento já para um estúdio de animação da LAIKA.

Wildwood é baseado no romance de 2011 de Colin Meloy, cantor da banda The Decemberists, e Carson Ellis. A história acompanha Prue, uma adolescente que parte em uma missão desesperada para resgatar seu irmãozinho de uma floresta encantada chamada Impassable Wilderness. O roteiro é assinado por Chris Butler (A Lenda do Tombo, Kubo e as Cordas Mágicas), e a direção é de Travis Knight, presidente e CEO da LAIKA, filho do ator Bill Knight.

Uma aposta alta em animação stop-motion

A LAIKA começou com Coraline em 2009, um filme que rendeu mais de 120 milhões de dólares em um orçamento de 60 milhões. Desde então, o estúdio ganhou três Oscars de melhor animação e estabeleceu um padrão de qualidade técnica impossível de ignorar: cada quadro de um filme da LAIKA é construído manualmente, com marionetes de silicone esculpidas individualmente, sets em escala 1:6 e uma técnica híbrida que combina stop-motion físico com elementos digitais de pós-produção.

Wildwood é, sem dúvida, o projeto mais caro e demorado da LAIKA. Começado em 2011 — o mesmo ano em que o livro foi publicado —, o filme tem 139 minutos de duração, um recorde para o estúdio. Segundo Travis Knight, em uma entrevista ao Annecy International Animation Film Festival, o filme foi "muito além" do tamanho e da complexidade de qualquer trabalho anterior da LAIKA.

> "O público não está rejeitando o cinema", disse David Burke, CMO da LAIKA. "Eles estão sendo mais seletivos sobre o que merece uma viagem ao cinema."

O teste do PG-13

O classmento PG-13 é um risco calculado. Grandes estúdios como Pixar e DreamWorks evitam classmentos acima de PG há anos, pois a classificação "para todas as idades" maximiza o mercado de brinquedos e merchandising. A LAIKA, por sua vez, já demonstrou em Para Todos os Movos (2016) que pode operar com sucesso em uma área mais sombria. Para Todos os Movos recebeu dois Oscars, mas seu tom mais sombrio também gerou debates sobre se o público infantil estava preparado.

Wildwood vai além: é o primeiro filme da LAIKA classificado acima de PG. O resultado é uma narrativa que explora perda, sacrifício e coragem — temas maduros que o público de adultos pode abraçar, mas que podem afastar famílias com crianças pequenas.

O mercado já deu sinais mistos. Para Todos os Movos arrecadou 128 milhões de dólares mundialmente, menos que Coraline (120 milhões) ou Kubo (166 milhões). O orçamento estimado de Wildwood gira em torno de 70 milhões, e o estúdio precisa de um sucesso significativo para justificar a produção de um próximo filme.

A tecnologia por trás da magia

O que torna Wildwood especialmente notável não é apenas a história — é a tecnologia. A LAIKA desenvolveu um sistema de captura de movimento em 3D que permite aos artistas digitalizar marionetes em altíssima resolução, criar sets físicos em miniatura com iluminação precisa e compor cada cena com camadas de efeitos digitais que não alteram o look stop-motion, mas tornam a produção viável.

No Annecy, a LAIKA revelou o processo em detalhes: os artistas esculpiram cada personagem com materiais que vão de silicone a tecido pintado à mão, e cada movimento é registrado com câmeras de alta velocidade que captam 24 quadros por segundo. A equipe também usou IA generativa em etapas de pré-produção — para brainstorming de cenários e concept art — mas não para a animação final.

> "Se ainda um jovem artista saír acreditando que poderia construir mundos assim", disse Burke, "nós completamos nosso trabalho."

O que isso significa para o cinema

Wildwood representa um momento-chave para a indústria da animação. Em um mundo dominado por CGI e Inteligência Artificial, a LAIKA continua produzindo cinema feito à mão — quadro a quadro, marionete a marionete — e agora está apostando que o público está pronto para algo mais maduro. Se Wildwood funcionar, pode abrir caminho para uma nova onda de filmes de animação adultos em formatos artesanais. Se falhar, o mercado pode confirmar que a animação stop-motion é um nicho, não um gênero mainstream.

A pergunta que fica: com a IA gerativa cada vez mais capaz de produzir conteúdo animado, qual é o valor futuro do cinema artesanal feito à mão? Wildwood pode ser a resposta — ou o último suspiro de uma era.

Fontes: Los Angeles Times, Screen Daily, Reuters / KFGO

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