A Meta se retirou de uma importante iniciativa de energia renovável do setor tecnológico enquanto amplia sua dependência de gás natural para alimentar seus data centers de inteligência artificial. A decisão foi revelada pelo Engadget e confirmada pelo TechCrunch, que noticiou que a Meta ja contratou 10 novas usinas a gás natural desde o ano passado para dar conta da demanda energetica de seus clusters de IA.
De acordo com o Engadget, a Meta vinha sendo uma das big techs mais vocalmente comprometidas com metas de sustentabilidade, com promessas públicas de carbono zero e investimentos milionarios em energia solar e eolica. No entanto, a demanda por computação para treinamento dos modelos Llama 4 e processamento de dados para o metaverso cresceu em um ritmo que a infraestrutura renovável simplesmente não conseguiu acompanhar. A opcão pelo gás natural e uma admissão implicita de que, no curto prazo, escalabilidade venceu sustentabilidade.
O TechCrunch acrescentou que a Meta não esta sozinha nesse movimento. Google, Microsoft e Amazon também estão expandindo o uso de gás natural e outras fontes fosseis para manter o ritmo de crescimento da IA, embora nenhuma delas tenha saido publicamente de iniciativas renováveis como a Meta fez. A diferença e que a Meta estava em um programa específico de energia 100% renovável e sua saida e mais visivel.
O dado que mais importa aqui, na opinião deste editor, não e a decisão da Meta em si - e o sinal que ela envia para o resto do mercado. Se a Meta, que tem recursos financeiros práticamente ilimitados e uma das equipes de engenharia mais talentosas do mundo, não consegue escalar IA com energia limpa, então as empresas menores também não vão conseguir. A conta ambiental da corrida de IA esta começando a chegar, e ela não esta sendo paga com moeda verde.
O que observar: se Google, Microsoft e Amazon serão pressionadas a seguir o mesmo caminho; o impacto regulatório (a Casa Branca ja sinalizou preocupação com o consumo energetico da IA); e se a Meta conseguira reverter a situação quando tecnologias de energia limpa mais escalaveis (como pequenos reatores nucleares) estiverem disponíveis comercialmente.
A decisão da Meta ocorre em um contexto mais amplo de crescimento explosivo do consumo de energia por data centers de IA. De acordo com a Agencia Internacional de Energia (AIE), o consumo de eletricidade por data centers deve dobrar ate 2028, impulsionado principalmente pela demanda de treinamento e inferencia de modelos de IA. Nos Estados Unidos, esse crescimento ja esta sobrecarregando redes eletricas regionais e atrasando a aposentadoria de usinas a carvão e gás natural.
O movimento da Meta e particularmente significativo porque a empresa era considerada um dos exemplos mais bem-sucedidos de adocão de energia renovável em grande escala. A Meta tinha contratos de energia solar e eolica que cobriam 100% de seu consumo operacional global - pelo menos no papel. O que o mercado esta descobrindo e que o crescimento exponencial da demanda de IA criou uma lacuna que os contratos de energia renovável existentes não conseguem preencher.
Para o setor de tecnologia como um todo, a saida da Meta do pacto de energia limpa e um alerta. As promessas de carbono neutro feitas por Google, Microsoft e Amazon também estão sob pressão. A Microsoft ja admitiu que suas emissões aumentaram substancialmente desde 2020, impulsionadas pela construcão de novos data centers. O dilema e claro: ou as empresas de tecnologia desaceleram seus investimentos em IA (o que ninguem quer fazer), ou aceitam que as metas climaticas vão ficar para tras no curto prazo.
O que observar nos próximos meses: se a pressão de investidores e ativistas climaticos forcara a Meta a reverter a decisão; se o governo Biden (ou o possivel governo Trump) intervira com regulação energetica para data centers; e se tecnologias como pequenos reatores nucleares modulares (SMRs) conseguirão chegar ao mercado a tempo de mitigar o problema.
Fontes: Engadget, TechCrunch, Engadget (2)