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NASA abre licitação para que indústria comercial salve Telescópio Hubble

NASA abre licitação para que indústria comercial salve Telescópio Hubble

O Telescópio Espacial Hubble, que completou 36 anos de operação em 2026, enfrenta o que pode ser seu último capítulo. Em 29 de outubro, a NASA publicou uma Solicitação de Informações (RFI) no portal SAM.gov buscando empresas capazes de realizar missões comerciais para reboostar, consertar ou realizar a reentrada controlada do observatório — um pedido que marca uma mudança de posição da agência, que em 2024 havia descartado planos semelhantes.

A RFI, publicada pelo Goddard Space Flight Center, estabelece um cronograma ambicioso: qualquer missão precisa ocorrer até 2032. Sem intervenção, análises da NASA indicam que o Hubble pode sofrer reentrada atmosférica não controlada entre 2033 e 2034, com probabilidade de 10% até setembro de 2032 e de 50% até dezembro de 2033. O telescópio não possui sistema de propulsão para manter sua órbita, e o arrasto atmosférico continua reduzindo sua altitude continuamente desde a última visita do ônibus espacial Columbia em 2002.

Três caminhos para salvar o ícone

A RFI propõe três opções distintas, cada uma com desafios técnicos específicos. A primeira — e mais ambiciosa — é elevar o Hubble para uma órbita de pelo menos 600 quilômetros (373 milhas). Segundo a Ars Technica, esse reboost poderia manter o telescópio operando por pelo mais 25 anos adicionais, ampliando significativamente a janela de observação do universo profundo.

A segunda opção envolve uma missão de serviço para melhorar as capacidades do telescópio, aumentando sua resiliência e longevidade orbital. A terceira, mais conservadora, seria capturar o Hubble e guiá-lo para uma reentrada controlada na atmosfera, eliminando o risco de destruição não planejada sobre áreas habitadas.

Em cada cenário, o contratante seria responsável por fornecer o veículo de lançamento, a nave de serviço, as operações da missão e tripulação, se aplicável. A NASA apenas forneceria informações técnicas e consultoria com seus especialistas do Goddard.

A reversão de Jared Isaacman

O atual esforço da NASA tem raízes no trabalho de Jared Isaacman, o atual administrador da agência e bilionário astronauta comercial. Em 2022, Isaacman aproximou-se da NASA com uma proposta para uma missão de serviço usando o SpaceX Crew Dragon, financiando a maior parte do projeto — incluindo um reboost mínimo de 50 quilômetros. Aquela iniciativa encontrou resistência política e orçamentária interna, sendo eventualmente descartada em 2024.

A RFI atual representa uma abordagem mais madura e menos dependente de um único patrocinador. Ao invés de um bilionário bancar uma missão pessoal, a NASA está mapeando o que toda a indústria aeroespacial comercial oferece de capaz — e a que custo.

O que a indústria espacial respondeu

Empresas como a Astroscale e a Starfish Space já possuem contratos de demonstração de serviço e reabastecimento espacial com a Força Espacial dos EUA e a própria NASA, segundo reportou a Ars Technica. A Northrop Grumman, por sua vez, tem experiência consolidada com o Mission Extension Vehicle (MEV), satélite capaz de prestar serviços a outros satélites em órbita.

A Space Technology Office da NASA listou explicitamente empresas como Astroscale, Momentus e Katalyst Space Technologies como potenciais respondentes. A RFI também menciona a necessidade de capacidades de captura orbital e manobra precisa — competências que se tornaram mais acessíveis nos últimos cinco anos com a expansão do setor de servicing espacial comercial.

O impacto científico de perder o Hubble

O Hubble não é apenas um telescópio: é a máquina científica mais produtiva da história da astronomia. Desde seu lançamento em 1990, o observatório contribuiu para mais de 2.200 artigos de pesquisa revisados por pares, incluindo descobertas sobre a expansão acelerada do universo, a existência de buracos negros supermassivos no centro de galáxias vizinhas, e a caracterização das primeiras atmosferas exoplanetárias.

John Grunsfeld, ex-astronauta aposentado que liderou a missão STS-125 de reparo do Hubble em 2009, descreveu para o The Register os orçamentos cortados ao longo dos anos como uma "morte por mil pequenos corte" — ameaças que diminuem a capacidade do telescópio sem nunca gerar manchetes dramáticas. O Hubble continua operando com instrumentos projetados para a década de 1990, sem atualizações de hardware desde 2009, enquanto sensores modernos de infravermelho e óptica adaptativa evoluíram dramaticamente.

O que vem a seguir

A RFI permanece aberta até 30 de novembro, às 15h (EST). A NASA não comprometou nenhum orçamento para a missão e enfatizou repetidamente que este é apenas um exercício de pesquisa de mercado — não uma proposta formal de licitação. Se as respostas forem promissoras, a agência pode publicar um Request for Proposals (RFP) subsequente, possivelmente com verba alocada.

Enquanto isso, o Hubble continua observando o universo a 547 quilômetros de altitude, produzindo imagens que ainda hoje alimentam descobertas — e aguardando se alguém estará pronto para estender sua vida quando a órbita finalmente falhar.

Fontes: NASA Science, Beyond Tomorrow, SatellitePro ME

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação