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OpenAI negocia nova rodada de US$ 30 bilhões com avaliação de US$ 1,25 trilhão

OpenAI negocia nova rodada de US$ 30 bilhões com avaliação de US$ 1,25 trilhão

A OpenAI está nas fases finais de uma rodada de financiamento que pode chegar a US$ 30 bilhões, com uma avaliação pré-dinheiro de US$ 1,25 trilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que pediram anonimato por conta da confidencialidade das negociações. A rodada, liderada pelo fundo Coatue e investidores dos Emirados Árabes Unidos (EAU), seria uma etapa intermediária antes de uma Oferta Pública Inicial (OPI) esperada para 2027.

A avaliação de US$ 1,25 trilhão não inclui o capital que está sendo levantado — o que elevaria a avaliação pós-dinheiro para cerca de US$ 1,28 trilhão. Se concretizada, a transação tornaria a OpenAI a empresa privada mais bem avaliada da história, ultrapassando o recorde anterior de US$ 1,09 trilhão detido pelo Saudi Aramco após sua participação minoritária no Aramco Oil Company (AOCO) em 2016.

De US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão: o que mudou

A rodada atual representa um recuo em relação às negociações do mês passado, quando a Bloomberg e a Reuters reportaram que a empresa buscava levantar US$ 30 bilhões com uma avaliação de US$ 1,4 trilhão. A queda para US$ 1,25 trilhão reflete uma combinação de volatilidade dos mercados de tecnologia, o aumento dos juros e a hesitação de alguns investidores diante dos gastos cada vez maiores com infraestrutura.

A OpenAI já anunciou que espera gastar aproximadamente US$ 600 bilhões em infraestrutura de computação até 2030. Essa perspectiva de gastos massivos coloca uma pressão adicional sobre os investidores, que agora exigem não apenas crescimento de receita, mas uma trajetória sustentável de lucratividade.

Receita, lucratividade e o desafio do crescimento

De acordo com a CNBC, a OpenAI opera com uma receita anualizada de cerca de US$ 50 bilhões, expectativa que deve chegar a US$ 70 bilhões até o final de 2026, impulsionada pelo lançamento do modelo GPT-6 Astra. A empresa também está em negociações comerciais paralelas para garantir capacidade de computação adicional junto aos EAU — uma estratégia que combina investimento de capital com infraestrutura física.

O modelo de negócios da OpenAI depende fortemente da venda de acesso a seus modelos via API e de licenças empresariais. Com o ChatGPT atingindo centenas de milhões de usuários ativos e a expansão de produtos como o Canvas, o Code Interpreter e o novo sistema de agentes, a receita de assinatura e de uso cresceu a um ritmo sem precedentes no setor de software.

Ainda assim, a pressão vem de dois lados. Por um lado, concorrentes como Google (Gemini), Microsoft (models via parceria com OpenAI, mas também com a própria Microsoft) e a própria Anthropic oferecem alternativas que reduzem a dependência exclusiva de OpenAI. Por outro, a queda de preços dos modelos — prática que beneficia os clientes, mas pressiona as margens — também sinaliza que o mercado de IA está se commodityzando em camadas mais básicas.

A sombra da Anthropic: uma corrida por capital e timing

O timing da rodada OpenAI não é coincidência. A Anthropic, rival direta, está preparada para realizar sua própria OPI em meados de novembro, com uma avaliação que varia entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhão, segundo reportou a Reuters. A Anthropic reportou receita no terceiro trimestre de US$ 16,8 bilhões — um aumento de 45% em relação ao trimestre anterior — mas com crescimento desacelerado em relação aos US$ 11,6 bilhões do segundo trimestre.

A Anthropic também reportou lucratividade ajustada e já arquivou papelaria confidencial para OPI junto ao SEC em junho. O CEO Dario tem enfatizado a segurança em IA como diferencial competitivo, enquanto a OpenAI aposta em escala, velocidade e integração com agentes autônomos.

A concorrência por investidores entre as duas empresas é direta — elas compartilham o mesmo pool de fundos soberanos, gestoras de recursos e investidores institucionais. O primeiro a ir ao mercado estabelece o benchmark de preço para o outro, e o custo de entrar depois pode ser significativamente maior se o mercado estiver em baixa.

O que observar

Os investidores da OpenAI receberam um prazo interno: as assinaturas devem ser finalizadas até o final da próxima semana. Mas os termos ainda estão em negociação, o que significa que a avaliação final e o tamanho da rodada podem mudar.

A OpenAI arquivou papelaria confidencial para OPI em junho. A CFO Sarah Friar informou aos funcionários em agosto que a listagem pública ocorreria em 2027, enquanto o CEO Sam Altman expressou cautela sobre as condições de mercado. A diferença entre o que Friar diz internamente e o que Altman comunica publicamente reflete a tensão entre a pressa operacional da empresa e a prudência de quem tem que defender a valuation perante o mercado.

Com os dois maiores laboratórios de IA do mundo correndo por capital em timelines sobrepostas, o que está em jogo vai muito além de uma rodada de financiamento. É um teste de quem pode atrair e manter investidores em um ciclo de gastos que ultrapassa US$ 600 bilhões, e de qual modelo — agentes autônomos focados em escala (OpenAI) ou segurança como vantagem competitiva (Anthropic) — se provará sustentável quando o dinheiro do mercado público finalmente entrar.

Fontes: CNBC, TechCrunch, CryptoBriefing

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação