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A receita anualizada da OpenAI cai US$ 20 bilhões abaixo do projetado e chega a US$ 50 bilhões

OpenAI informa que receita anualizada é de US$ 50 bilhões, US$ 20 bilhões abaixo das expectativas

A OpenAI divulgou aos seus investidores que sua receita anualizada se aproximou de US$ 50 bilhões até o final de setembro, uma cifra que deixa de longe as projeções iniciais de US$ 70 bilhões que haviam sido amplamente divulgadas pela imprensa no início deste mês. A revelação, apurada pelo Financial Times a partir de documentos financeiros compartilhados com o conselho, coloca em perspectiva a verdadeira escala da operação e levanta novas perguntas sobre a sustentabilidade do ritmo de crescimento anunciado pela empresa.

A discrepância entre os dois números — US$ 70 bilhões versus US$ 50 bilhões — tem origem em metodologias de cálculo diferentes. De acordo com o Financial Times, os investidores da OpenAI tentaram criar uma comparação direta com a Anthropic, sua principal concorrente no setor de inteligência artificial, e adaptaram a contabilidade da OpenAI para incluir receitas de parceiros de nuvem, como AWS e Google Cloud. A Anthropic conta explicitamente essas vendas indiretas em seus próprios cálculos de receita anualizada, enquanto a OpenAI não as inclui em suas figuras oficiais. Ao aplicar essa mesma lógica contábil à OpenAI, os investidores chegaram ao patamar de US$ 70 bilhões, número que foi posteriormente reportado por múltiplos veículos de imprensa, incluindo a Axios, que foi o primeiro a divulgar a estimativa em 29 de setembro.

O ajuste para a contagem “padrão OpenAI” — sem receitas de parceiros de nuvem — resultou no número real de US$ 50 bilhões, ainda assim impressionante, mas significativamente mais baixo. É importante notar que a própria OpenAI não havia produzido contas verificáveis para este período. As figuras baseiam-se em estimativas não auditadas de fontes anônimas, o que complica a comparação direta com declarações oficiais anteriores da empresa. Em janeiro, a CFO Sarah Friar declarou publicamente, por meio do Reuters, que a receita anualizada da empresa ultrapassara US$ 20 bilhões em 2025, com crescimento de US$ 6 bilhões em 2024. Essa informação era baseada em declarações diretas da própria empresa, não em estimativas de terceiros.

O peso dos investimentos em infraestrutura

A tensão central entre o crescimento da receita e os enormes gastos da OpenAI tem se intensado ao longo do ano. Segundo o Financial Times, a empresa projetou um fluxo de caixa negativo livre cumulativo de US$ 278 bilhões durante o período de 2026 a 2030 — uma cifra que não apenas reflete a ambição descomunal dos planos de expansão, mas também as dificuldades financeiras que enfrentam quase toda a indústria de inteligência artificial. O custo para treinar e operar os modelos mais avançados do mundo continua a superar as receitas geradas, mesmo com a rápida adição corporativa dos serviços da OpenAI.

O contexto setorial ajuda a entender a magnitude do desafio. A Anthropic, rival direta da OpenAI, viu sua receita crescer doze vezes até quase US$ 4,6 bilhões em 2025, mas também enfrentou um déficit líquido de US$ 42 bilhões. A própria Anthropic planeja investimentos de infra-estrutura de pelo menos US$ 518 bilhões ao longo de uma década, de acordo com o Reuters. Ou seja, a questão não é exclusiva da OpenAI — é um problema estrutural do setor: a corrida por capacidades de inteligência artificial está criando necessidades de capital que superam as receitas geradas, mesmo com a adoção rápida no mercado corporativo.

O que muda para o IPO

A OpenAI havia programado seu IPO para o início de 2027, mas a situação de receita pode influenciar tanto o timing quanto as condições dessa oferta pública inicial. Com a receita anualizada significativamente menor do que o inicialmente projetado, a empresa precisará justificar aos investidores do mercado aberto se o crescimento de US$ 50 bilhões é sustentável ou se ainda há espaço para queda. Além disso, a falta de contabilidade auditada levanta questões sobre a transparência que o mercado regulado exigirá.

A própria OpenAI reduziu preços em alguns de seus modelos para atrair desenvolvedores sensíveis a custos, uma estratégia defensiva contra concorrentes mais baratos, tanto nacionais quanto internacionais. Em agosto, o Bloomberg reportou que a receita mensal da empresa havia crescido mais de 20% em um único mês, o que sugere que o momentum de crescimento continua forte. No entanto, um aumento mensal não se traduz necessariamente em receita consolidada anual — e a diferença entre os dois números pode ser enorme.

Se a OpenAI conseguirá alcançar o patamar de lucratividade operacional necessário para sustentar seus investimentos bilionários em infra-estrutura segue sendo a questão central. O IPO de 2027 pode fornecer a resposta — se o mercado estiver pronto para recebê-lo.

Fontes: TechCrunch, Investing.com (via Financial Times), Roic AI

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação