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Engenheiro da OpenAI preso por espionar reuniões com dispositivo gravador escondido

Engenheiro da OpenAI preso por espionar reuniões com dispositivo gravador escondido

As investigações do FBI revelaram um caso de espionagem industrial que mistura tecnologia de ponta, tensões geopolíticas e uma tentativa de coleta de segredos corporativos que chamou a atenção de autoridades americanas. Abdulrahman Alfozan, 35, engenheiro saudteiro e nacional da Arábia Saudita, foi detido em 9 de outubro de 2026 por alegadamente ter instalado um dispositivo de gravação de áudio numa sala de conferências executivas da OpenAI, em San Francisco.

O dispositivo — um pequeno chip de desenvolvimento ESP32-S3, comprado por cerca de 10 dólares, disfarçado em papel higiénico e ligado via USB atrás de uma televisão — foi descoberto em 30 de setembro pela equipa de segurança da OpenAI. O que se seguiu foi uma cadeia de descobertas que transformou um engenheiro de software num suspeito de espionagem internacional.

O dispositivo e a sua instalação

Ao que parece, Alfozan utilizou um módulo ESP32-S3 Sense, um pequeno desenvolvedor de hardware de código aberto fabricado pela Seeed Studio, com sensor de câmara removível, microfone digital e armazenamento microSD. O dispositivo foi adaptado para evitar transferência de dados entre ele e a televisão, e o conteúdo armazenado no cartão microSD foi cifrado.

As imagens de vigilância interna mostram Alfozan a verificar o dispositivo por trás da televisão em 5 de outubro — cinco dias antes da sua detenção. O suspeito não tinha permissão para aceder à sala de conferências executivas nem para participar nas reuniões realizadas lá.

A OpenAI, surpreendentemente, utilizou os seus próprios modelos de inteligência artificial para analisar o dispositivo e rastrear a sua origem, identificando Alfozan como o autor da instalação. "Utilizámos os nossos modelos para compreender o dispositivo e de onde tinha vindo, identificando que um funcionário específico o tinha instalado alguns dias antes", disse a empresa num comunicado.

O dossier secreto: "Saudi Gov Docs"

Uma das partes mais inquietantes da investigação revelou-se nos registos do navegador. Em 4 de outubro — cinco dias antes da prisão — Alfozan acedeu a uma pasta digital intitulada "Saudi Gov Docs", que continha documentos relacionados com o governo saudita. A pasta continha contactos com o Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação (MCIT) da Arábia Saudita.

Mais revelador: após aceder a essa pasta, Alfozan utilizou um agente de produtividade da OpenAI (potencialmente o próprio ChatGPT empresarial) para gerar uma lista dos 10 executivos seniores da OpenAI que seriam adequados para participar em reuniões informais com ministros governamentais sauditas.

A mulher de Alfozan, segundo o FBI, teria informado os agentes que o visto dos Estados Unidos estava a expirar e que ela e o filho se estavam a transferir permanentemente de volta para a Arábia Saudita. O dia anterior à partida, ela teria mencionado o assunto aos investigadores.

O plano de fuga e a resposta do tribunal

Alfozan tinha comprado passagens aéreas de ida única de San Francisco para Riad, programadas para 12 de outubro de 2026 — três dias antes da sua detenção. Ele deveria iniciar duas semanas de licença parental da OpenAI no momento da prisão. O juiz federal Alex G. Tse negou a liberdade conditionada, determinando que Alfozan representava um risco de fuga, com recursos financeiros estrangeiros, ligações familiares e motivação para abandonar o país.

As acusações federais incluem "utilizar ou tentar utilizar um dispositivo eletrónico ou mecânico para interceptar comunicações orais", um crime que pode resultar em até cinco anos de prisão e uma multa de 250.000 dólares.

O contexto geopolítico

O caso não ocorre em vácuo. A Arábia Saudita é um aliada próxima dos Estados Unidos e investiu billions de dólares em inteligência artificial, incluindo a parceria entre a OpenAI (agora parte da divisão SpaceXAI da The Boring Company) e a Humain para construir um data center de 500 megawatts no país.

O caso lembra o julgamento de Ahmad Abouammo, ex-funcionário do Twitter, condenado em 2022 por espionar para oficiais sauditas que procuravam identificar críticos da monarchia.

A OpenAI confirmou que, até ao momento, "não há indicações de que este indivíduo tenha acedido ou exfiltrado indevidamente pesos de modelos, código-fonte ou dados de clientes". A empresa descreveu o incidente como uma "questão de segurança nacional" e garantiu que cooperará com a investigação do FBI.

Fontes: U.S. Department of Justice, ABC News, France 24

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação