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OpenAI confirma IPO para 2027: a corrida contra o tempo, os custos e a rivalidade com a Anthropic

Em uma reunião interna realizada na quarta-feira, 19 de agosto, a diretora de finanças (CFO) da OpenAI, Sarah Friar, apresentou ao corpo de funcionários um cenário claro e, ao mesmo tempo, ambíguo sobre o futuro mais próximo da empresa que popularizou o ChatGPT. O recado central — repetido em slides e nas falas da diretora — era que a OpenAI "será uma empresa aberta em 2027", ou antes, se o crescimento mantiver o ritmo atual.

A confirmação, repassada pela CNBC a fontes não autorizadas, consolida uma direção que vinha sendo traçada nos bastidores há meses. Em junho, o The New York Times havia noticiado que a OpenAI ponderava empurrar a oferta pública inicial (IPO) para 2027 em vez de listar a empresa ainda em 2026. Na ocasião, três pessoas envolvidas nas deliberações afirmaram que a diretoria estava inclinada a aguardar, embora o CEO Sam Altman tivesse preferência por uma listagem rápida no quarto trimestre de 2026. O conflito interno entre a postura cautelosa de Friar e a impaciência de Altman era real: a diretora de finanças argumentava que a empresa precisava de controles financeiros robustos antes de abrir o capital ao mercado global, enquanto Altman via na listagem rápida uma oportunidade de capitalizar o momentum do produto.

Agora, o que mudou?

A apresentação da CFO revelou números expressivos. O revenue run rate da OpenAI cresceu 35% no período — o chamado "run rate" é uma métrica financeira que projeta o faturamento anual com base no desempenho do trimestre atual. O revenue enterprise, ou seja, o faturamento proveniente de contratos corporativos e licenças B2B, subiu 50% no mesmo intervalo. Esses dados sugerem uma transformação estrutural: no final de 2024, cerca de 75% do faturamento da OpenAI vinha de assinaturas consumer do ChatGPT. Hoje, a base enterprise já representa parcela majoritária, e essa transição é exatamente o tipo de métrica que os investidores de Wall Street buscam — receita recorrente e previsível, menos dependente de um único produto de consumo.

Os números de receita do segundo trimestre de 2026 dão dimensão ao crescimento. Segundo o Wall Street Journal, a OpenAI faturou US$ 6,7 bilhões em Q2, um salto em relação aos US$ 5,7 bilhões do primeiro trimestre. O run rate anual ultrapassa agora a marca de US$ 40 bilhões, o que significa que a empresa duplicou seu faturamento anualizado em relação ao final de 2025, conforme reportado pelo Bloomberg. Para efeito de comparação, uma empresa que atinge US$ 40 bilhões anuais em receita está no patamar de gigantes consolidadas do setor de tecnologia. O problema é que a OpenAI ainda não é lucrativa — e o gap entre receita e lucro é a dimensão mais alarmante do balanço.

A projeção de prejuízo de 2026 gira em torno de US$ 14 bilhões, quase triplo do prejuízo de 2025, que foi de aproximadamente US$ 20,9 bilhões de perdas operacionais. A razão é simples e implacável: os custos de compute. Só de gastos com Azure e infraestrutura de data centers, a OpenAI movimenta cerca de US$ 13 bilhões neste ano. A folha de pagamento de aproximadamente 4.500 funcionários custa cerca de US$ 4 bilhões anuais. A empresa gasta aproximadamente US$ 1,69 para cada dólar que fatura — um burn rate que exige caixa fresco constantemente.

Esse contexto financeiro explica a urgência do IPO. Empresas que queimam US$ 1,5 bilhão por mês precisam de mercados de capitais para sustentar a operação. A OpenAI não é exceção. Mas o timing não é simples: listar a empresa com prejuízos tão expressivos e em um setor tão volátil significa que os analistas vão scrutinizar cada decisão da diretoria sob a lupa do mercado. Um erro de estratégia, um atraso no lançamento de um modelo, uma perda de quota de mercado para a concorrente — tudo isso pode derrubar o preço das ações nos primeiros dias de negociação.

E aqui entra o terceiro elemento crítico: a rivalidade com a Anthropic. No segundo trimestre de 2026, a Anthropic superou a OpenAI em receita trimestral pela primeira vez, com US$ 11,6 bilhões contra US$ 6,7 bilhões da OpenAI. O descompasso é significativo. Enquanto a OpenAI foca em ChatGPT e infraestrutura de API para terceiros, a Anthropic tem avançado com estratégias de integração enterprise — Claude está sendo incorporado em ferramentas de empresas como Salesforce, Shopify e outras plataformas de grande escala. A diferença de receita por trimestre entre as duas empresas já chega a quase US$ 5 bilhões. Se a Anthropic mantiver esse ritmo, a distância entre as duas concorrentes só vai ampliar.

A própria Friar pediu calma nesse aspecto. Em sua apresentação, ela orientou os funcionários a não se preocuparem com o cronograma da Anthropic — a empresa concorrente também tem pressionado por uma listagem em 2027. Mas essa calma pode ser estratégica: a Anthropic já opera com perdas ainda mais profundas (estimativas projetam prejuízo de US$ 19 bilhões em 2026 para a concorrente) e depende de investidores externos para sustentar a operação.

O que se observa a partir desse panorama é um ponto de inflexão no setor de inteligência artificial. As duas maiores empresas do setor — OpenAI e Anthropic — estão ambas buscando o mercado de capitais no mesmo ano, em um cenário de incerteza regulatória sobre modelos de fronteira e pressão crescente de investidores por lucratividade. O IPO da OpenAI será o maior do setor — estimativas apontam valuation de US$ 852 bilhões a US$ 1 trilhão — e as próximas semanas determinarão se o mercado de ações está preparado para absorver uma empresa desse porte em um momento de volatilidade macroeconômica.

O que resta perguntar é se a OpenAI realmente precisa do IPO para sobreviver ou se ele é, antes de tudo, uma válvula de escape para investidores internos que precisam realizar ganhos — a própria empresa já teria comprado US$ 7 bilhões em ações de funcionários em valuation de US$ 852 bilhões. Em qualquer dos casos, o relógio já começou a contar.

Fontes: CNBC, The Next Web, Crypto Briefing

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação