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Qualcomm prepara reajuste de dois dígitos no preço dos chips Snapdragon a partir de setembro

A Qualcomm, maior fabricante mundial de processadores para smartphones, notificou seus parceiros de hardware sobre um aumento de preços de dois dígitos em toda a linha de chips Snapdragon, com vigência a partir de 1º de setembro de 2026. A informação, confirmada pela Bloomberg e pelo Android Authority, foi comunicada aos clientes por meio de uma carta enviada na sexta-feira, 24 de julho, e deve gerar um efeito cascata em toda a indústria de smartphones — dos modelos flagship aos dispositivos de entrada.

O aumento, que a Qualcomm justifica com base no aumento de custos de fornecedores e na escassez global de componentes, não tem precedentes recentes em magnitude. A empresa tradicionalmente ajusta preços anualmente em percentuais baixos ou médios, mas um reajuste de dois dígitos é algo que não se via desde os anos de pandemia, quando a cadeia global de suprimentos de semicondutores colapsou. Desta vez, a justificativa é diferente: a Qualcomm aponta para o aumento do custo de matérias-primas, especialmente terras raras usadas em encapsulamento avançado, e para investimentos em P&D necessários para manter a competitividade com Apple Silicon e os chips MediaTek.

O impacto será sentido em toda a cadeia. Fabricantes como Samsung, Xiaomi, OnePlus e Motorola — que dependem dos chips Snapdragon para seus principais modelos — terão que absorver o aumento, repassá-lo aos consumidores, ou ambos. Dados do Taipei Times indicam que múltiplas marcas já ajustaram preços, com o efeito sendo mais perceptível no segmento de valor, onde as margens são mais apertadas. O Galaxy S27 da Samsung, que deve ser lançado no início de 2027 com o Snapdragon 9 Gen 5, pode chegar ao mercado com um preço significativamente mais alto que seu antecessor.

A Apple, curiosamente, pode ser uma das beneficiárias indiretas do movimento. A empresa usa seus próprios chips da série A e M (Apple Silicon), projetados internamente e fabricados pela TSMC, sem depender da Qualcomm para processadores — apenas para modems 5G. Se os smartphones Android ficarem mais caros devido ao aumento da Qualcomm, a diferença de preço entre iPhones e flagships Android pode diminuir, potencialmente favorecendo a Apple em mercados onde o preço é um fator decisivo.

Para o mercado brasileiro, o impacto pode ser ainda mais severo. O Canaltech noticiou que "o preço dos celulares vai subir" com o reajuste da Qualcomm, e fontes do setor estimam que o repasse ao consumidor final no Brasil pode chegar a 15-20% em algumas faixas de preço — especialmente considerando a carga tributária já elevada sobre eletrônicos importados. Com o dólar em patamares elevados e a alíquota de importação de semicondutores, o aumento da Qualcomm chega em um momento particularmente ruim para o consumidor brasileiro.

A decisão da Qualcomm também expõe uma vulnerabilidade estratégica mais ampla: a concentração do mercado de chips para Android. Com mais de 40% de participação no mercado global de processadores para smartphones, a Qualcomm tem poder de precificação que poucos concorrentes podem desafiar. A MediaTek — sua principal rival — tem ganhado terreno no segmento intermediário, mas ainda não compete no topo de linha com o mesmo desempenho. A Samsung, que produz seus próprios chips Exynos para alguns mercados, reduziu sua dependência deles após problemas de desempenho térmico nas gerações anteriores.

A longo prazo, o reajuste pode acelerar a busca por alternativas. Fabricantes chineses como Xiaomi e Oppo já investem em chips próprios, e a pressão de custo da Qualcomm só tende a fortalecer esses esforços. Se a tendência se consolidar, o mercado de processadores móveis pode se fragmentar — o que, para a Qualcomm, seria um resultado muito pior que um trimestre de margens mais apertadas.

Fontes: Android Authority, Taipei Times, GizmoChina