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O Raspberry Pi de $120 virou computador de $385: o preço do 16GB sobe mais $80 em cinco anos de aumentos

A promessa fundamental do Raspberry Pi sempre foi uma só: computação de propósito geral acessível a qualquer pessoa. Desde que o modelo original B foi lançado por US$ 35 em 2012, aquele pequeno card vermelho e branco se tornou o computador mais vendido de uma categoria inteira — e a inspiração para milhões de projetos, desde robótica caseira até instrumentação científica em escolas e universidades ao redor do mundo.

Hoje, a fundação Raspberry Pi anunciou outro aumento de preços nas placas de maior capacidade, desta vez subindo US$ 80 na versão de 16GB do Raspberry Pi 5, que passa a custar US$ 385. A Compute Module 5 também de 16GB recebe um ajuste de US$ 40. O Raspberry Pi 500+, o computador de mesa premium com 16GB embutido em um teclado mecânico, mantém o preço.

Não se trata de um aumento isolado, mas da quinta rodada de ajustes em cinco anos — e, como sempre, a razão é a mesma: memória. A fundação cita que os custos do DRAM LPDDR4 saltaram aproximadamente sete vezes em relação ao ano anterior, impulsionados pela demanda massiva de data centers de IA que consomem a maior parte da capacidade de produção de memória do mundo.

A matemática por trás disso é implacável. O Pi 5 de 16GB foi lançado em janeiro de 2025 por US$ 120. Em dezembro daquele ano, subiu US$ 25 (para US$ 145). Em fevereiro de 2026, mais US$ 60 (para US$ 220). Em abril, o maior salto até então: US$ 100 (para US$ 305). E agora, em novembro de 2026, US$ 80 a mais. O preço final, US$ 385, é mais que três vezes o preço de lançamento.

Para contextualizar o escalo, considere que o Pi 4 de 2GB — que custava US$ 35 na era pandêmica — acabou de receber outro aumento de US$ 12,50 em outubro, chegando a US$ 67,50. O Pi 5 de 2GB, antes US$ 65, agora custa US$ 77,50. Os modelos de 1GB escapam porque não usam o mesmo chip de memória.

A lógica por trás dos aumentos é simples e cruel: o custo da memória domina a lista de materiais de um Raspberry Pi como domina a de um iPhone. Quando o preço do chip de memória sobe, não há muito o que absorver. Uma placa pequena como o Pi tem poucos componentes para compensar — o SoC, o conector USB-C, a carcaça e, principalmente, a memória. Quando a memória triplica de preço, o preço do produto sobe junto.

O que é mais instructivo do que os aumentos em si são as decisões que a fundação tomou para mitigá-los. Em abril de 2026, a Raspberry Pi lançou um Pi 4 de 3GB por US$ 83,75. Ninguém projeta um computador de 3GB em condições normais de mercado — a memória vem em capacidades "sensatas" (2, 4, 8, 16). O SKU de 3GB existe especificamente para atingir um ponto de preço psicológico quando a memória domina a lista de materiais. O mesmo princípio produziu o Pi 5 de 1GB por US$ 45 em dezembro.

Esses são produtos de alívio de custo, não produtos que alguém realmente queria. Mas revelam algo importante: a fundação está fazendo tudo o que pode para manter a base de preços acessível para quem precisa de menos memória, enquanto repassa os custos reais para quem precisa de mais.

A fundação também publicou orientações para usuários individuais otimizarem o uso de memória no Raspbian, e recomendou que usuários empresariais contactassem diretamente a equipe de engenharia para discutir otimizações. A mensagem é clara: se você está pagando por 16GB e não usa 12GB, a solução imediata é reduzir a capacidade, não esperar que o preço caia.

Porque a queda de preço não está chegando tão cedo. O CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, alertou em outubro de que as restrições de DRAM vão persistir até 2028 ou além. Um executivo da YMTC (memory maker chinesa) disse ao mercado que a escassez global deve durar pelo menos mais três anos. A TrendForce projeta aumentos de 13-18% no DRAM convencional apenas para o Q4 de 2026.

Isso tem implicações diretas para o futuro do Raspberry Pi. O Pi 6, que estava previsto para 2027, foi adiado para 2028 — não por falta de engenharia, mas por falta de sentido econômico de lançar um novo produto de alto consumo de memória em um mercado de preços em ascensão. Como a fundação disse explicitamente: os aumentos serão revertidos quando os custos de memória caírem. O problema é que ninguém espera que caiam antes de 2027-2028.

Enquanto isso, o efeito dominó se espalha por toda a indústria de eletrônicos. Apple aumentou preços do MacBook Neo e do iPad. Microsoft subiu o preço do Surface. Até a Nintendo aumentou o Switch 2 em US$ 50. O Raspberry Pi é apenas o produto mais exposto dessa cadeia porque, em uma placa tão pequena, a memória é a maior parte da conta — mas o mesmo mecanismo pressiona todos os dispositivos.

O que isso significa para a comunidade de makers? Que o Pi 5 de 16GB, que era o sonho de quem queria rodar servidores locais, contêineres Docker ou estações de trabalho ARM, agora custa mais que muitos mini PCs x86 prontos para uso. A própria fundação admite isso implicitamente ao recomendar que usuários considerem modelos mais antigos ou com menos RAM. Para rodar IA local em Raspberry Pi, o Pi 5 de 8GB ou 16GB nunca foi a solução ideal — mas o de 16GB era o ponto de entrada. Agora, com US$ 385, a equação muda.

A pergunta que fica: quando a memória voltar a ser barata — e ela vai voltar, inevitavelmente —, quantos desses usuários que migraram para x86 ou abandonaram o projeto vão voltar para o Pi? A fundação diz que sim. Mas o mercado pode não concordar.

Fontes: The Verge, Raspberry Pi Foundation, Aliteq, The Register

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação