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Recap diário: Google, Microsoft e Apple movimentam o mercado de tecnologia em 28 de outubro de 2026

Expansão global de IA da Google e desaceleração da busca tradicional

A Alphabet, controladora do Google, apresentou nesta quarta-feira (28) seus resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026, revelando um cenário de transição estratégica para o gigante de tecnologia. Com uma receita total de US$ 127,6 bilhões, houve um crescimento de 25% em relação ao ano anterior; no entanto, o número ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam US$ 128,2 bilhões. O dado chama atenção não apenas pelo desempenho financeiro, mas pelo contexto: ele reflete uma desaceleração no núcleo do negócio de publicidade em ferramentas de busca tradicionais, o que impulsionou a empresa a acelerar sua aposta em inteligência artificial como novo motor de monetização.

Durante a chamada de resultados, a Google anunciou a expansão global dos anúncios integrados ao modo de busca com IA. Embora os testes nos Estados Unidos tenham ocorrido há meses, a liberação para mercados internacionais marca um ponto de inflexão na estratégia da empresa. O objetivo é claro: compensar a estagnação relativa da busca convencional oferecendo formatos publicitários mais avançados e contextualizados, alimentados por modelos de linguagem. Essa jogada demonstra a urgência da Alphabet em manter suas margens de lucro em um ecossistema onde a interação humana com a busca orgânica está sendo gradualmente substituída por interações mediadas por agentes de IA.

Microsoft e OpenAI: Crescimento do Azure e a dimensão financeira da parceria

Enquanto a Google busca novas formas de monetizar a busca, a Microsoft consolidou sua posição como principal fornecedor de infraestrutura para a corrida por IA. Nos resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 (período encerrado em 30 de setembro de 2026), a empresa reportou uma receita total de US$ 92,3 bilhões, um aumento de 19% sobre o ano anterior, superando as estimativas do mercado. O destaque absoluto ficou para o Azure, que registrou um crescimento explosivo de 48% em suas receitas, gerando US$ 33,2 bilhões apenas nesse segmento.

Além disso, a Microsoft revelou que alcançou US$ 10 bilhões em receita diretamente associada à sua relação com a OpenAI. Essa cifra não apenas valida a estratégia de nuvem da empresa, mas também evidencia como a parceria entre os dois gigantes atingiu dimensões que rivalizam com grandes fusões industriais. A demanda insaciável por infraestrutura de IA continua sendo o principal vetor de crescimento do setor, e os números de hoje confirmam que a Microsoft é a principal beneficiária desse boom, com o Azure se tornando o braço financeiro indispensável para o desenvolvimento de modelos frontier.

Apple integra assistentes de IA e MCP em aplicativos criativos

A Apple, tradicionalmente mais cautelosa na adoção de IA generativa em seus aplicativos principais, deu um passo significativo na atualização do Apple Creator Studio. O movimento, realizado na última semana, introduziu assistentes baseados em inteligência artificial diretamente no Keynote, Pages e Numbers. Diferente de integrações superficiais, esses assistentes foram projetados para "entender o contexto do documento", permitindo uma interação mais profunda e contextualizada com o conteúdo gerado pelos usuários.

Um detalhe técnico crucial dessa atualização é o suporte nativo ao Model Context Protocol (MCP). Esse protocolo permite que agentes de IA externos leiam, editem e executem ações diretamente dentro desses aplicativos, abrindo caminho para integrações de terceiros mais robustas. A atualização faz parte de um pacote mais amplo anunciado em 27 de outubro, que também inclui a integração do MotionVFX no Final Cut Pro. Embora as câmeras dos novos iPhones e o MacBook Pro com tela OLED tenham recebido mais atenção midiática, a evolução do ecossistema de produtividade da Apple sinaliza uma mudança na abordagem da empresa em relação à inteligência artificial integrada ao fluxo de trabalho criativo.

Fim do Copilot em TVs e o novo modelo Frontier da Google

Em um movimento oposto à expansão, a Microsoft anunciou o encerramento do suporte ao Copilot em todas as TVs inteligentes. A confirmação veio por meio de uma notificação exibida na tela de uma TV LG rodando webOS, informando aos usuários que a funcionalidade está sendo descontinuado após apenas dois anos de presença no mercado. A medida, vista pela primeira vez pelo jornalista Zac Bowden do Windows Central, indica que a aposta da Microsoft em levar assistentes de IA para as salas de estar não teve a adesão esperada ou a justificativa de negócio necessária para manter o serviço ativo. A data exata do desligamento não foi especificada, mas o recado foi direto: o assistente está indo embora.

Já a Google reforçou seu foco em segurança e controle de acesso com o lançamento do Gemini 4 Carbon. Classificado como o "próximo modelo frontier" da empresa, o modelo não está disponível para o público geral. O acesso inicial fica restrito a um subconjunto de defensores cibernéticos selecionados, filtrados pelo programa Fairwind do Google DeepMind. Essa estratégia revela uma tendência crítica na indústria: a capacidade dos modelos de IA de escrever exploits e detectar vulnerabilidades tornou-se tão sensível que a restrição de acesso é tão importante quanto a capacidade técnica do modelo. O Gemini 4 Carbon representa, portanto, uma aposta na confiança e na segurança como pilares da próxima geração de inteligência artificial de ponta.

Conclusão

O dia 28 de outubro de 2026 consolidou um padrão de consolidação e adaptação no setor de tecnologia. Enquanto a Google e a Microsoft buscam novas frentes de receita através da IA para sustentar o crescimento, a Apple avança com integrações mais profundas em seus aplicativos de produtividade. Ao mesmo tempo, projetos como o Copilot em TVs demonstram que nem toda inovação encontra tração imediata no mercado consumidor, e a restrição de acesso a modelos de última geração, como o Gemini 4 Carbon, mostra que a segurança está se tornando uma barreira tão importante quanto a própria tecnologia.

Fontes: TechCrunch, eMarketer, CNBC, The Verge, 9to5Mac

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