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Microsoft encerra suporte ao Copilot em TVs inteligentes

Microsoft encerra suporte ao Copilot em TVs inteligentes

Depois de apenas dois anos de presença forçada nas salas de estar, a Microsoft anunciou o fim do Copilot em todas as TVs inteligentes. A confirmação veio não de um comunicado oficial, mas de um aviso que apareceu na tela de uma TV LG rodando webOS — e o recado foi direto: o assistente de IA está indo embora.

A notificação, vista pela primeira vez pelo jornalista Zac Bowden do Windows Central, avisou os usuários que a Microsoft "decidiu recentemente encerrar o suporte à funcionalidade do Copilot em todas as TVs, incluindo o recurso habilitado para Copilot disponível em nossas TVs LG". O anúncio não especifica uma data exata, mas indica que a desativação ocorrerá ainda em 2026.

Um erro de cálculo

A estratégia da Microsoft em 2024 era clara: levar o Copilot para todos os cantos do ecossistema digital. O assistente de IA foi integrado ao Windows, ao Edge, ao Office 365 e, surpreendentemente, às TVs inteligentes de marcas como LG e Samsung. O objetivo era estabelecer uma presença agressiva em cada dispositivo que o usuário tocasse, à moda da expansão rápida que caracterizou a corrida dos modelos de linguagem naquele período.

Mas as TVs inteligentes não eram o lugar certo — nem em 2024, e muito menos em 2026. O Copilot na TV era um widget que ficava empurrado para o usuário sem opção de remoção. Ele podia responder perguntas baseadas no conteúdo da tela e recomendar filmes, mas ninguém ativava. A experiência era lenta, pouco útil e, em muitos casos, interrompia a navegação normal pelo sistema.

O backlash foi tão intenso que a LG acabou permitindo, no final de 2025, que os usuários desabilitassem o recurso manualmente. Mas o dano estava feito: a Microsoft parecia estar invadindo a experiência de entretenimento do usuário com tecnologia que ninguém pedia.

O recuo como estratégia

O que muda agora não é tanto o fato de o Copilot sair das TVs, mas o motivo. A Microsoft não está recuando porque perdeu uma batalha de PR — está recuando porque a estratégia de "ir por tudo, rápido e largo" mostrou suas falhas. O que sobrou são os produtos que realmente importam: Windows Copilot, Copilot Pro, as integrações com Microsoft 365 e, mais recentemente, os Agentes Copilot para empresas.

O que os executivos da Microsoft chamam de "foco em qualidade sobre expansão" pode ser lido de outro jeito: a empresa gastou recursos significativos em uma experiência que ninguém usava e agora precisa se desincumbir dela sem perder muita cara. O aviso na tela da LG não diz quando exatamente o serviço vai sair — o que sugere que a equipe responsável pela transição já está trabalhando no plano de retirada, mas preferiu deixar o timing para um comunicado separado.

O que isso diz sobre o futuro da IA no entretenimento

A saída do Copilot das TVs levanta uma pergunta mais ampla: até onde a IA generativa deve penetrar no dia a dia do usuário? Nos escritórios, a resposta é relativamente clara — a produtividade é um espaço onde a automação gera valor mensurável. Mas na TV, no carro, no micro-ondas? A experiência do Copilot nas TVs inteligentes sugere que há um limite de intrusividade além do qual o usuário reage negativamente, mesmo que a tecnologia subjacente seja tecnicamente competente.

A questão é se a Microsoft aprenderá com isso. O recuo nas TVs pode ser um sinal de amadurecimento: a empresa percebeu que a IA não é uma feature opcional que pode ser empilhada em qualquer hardware e chamada de "diferencial". Algumas áreas do produto são naturalmente mais adequadas à automação por IA do que outras. E, às vezes, a melhor estratégia é reconhecer que o produto não se encaixa.

Fontes: The Verge, Windows Central, Neowin

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação