← Home

Coreia do Sul sofre segunda onda de ciberataques com IA no setor financeiro

Coreia do Sul enfrenta segunda onda de ciberataques impulsionados por IA

A Coreia do Sul está enfrentando uma escalada alarmante de ataques cibernéticos contra o setor financeiro, com uma segunda onda de intrusões registradas há menos de um mês após a primeira onda devastadora de setembro. Desta vez, as vítimas incluem a corretora Daishin Securities, com 38.490 clientes expostos, e as empresas Mirae Asset Global Investments e Bithumb (criptoexchange).

A crise começou em 2 de outubro, quando bancos como Shinhan Bank, KB Kookmin Bank e Hana Bank — os três maiores bancos comerciais do país — foram alvo de invasões coordenadas. Até 14 de outubro, o número de instituições afetadas havia saltado para 16, com cerca de 100 mil registros pessoais expostos, segundo o Serviço de Supervisão Financeira (FSS).

A tecnologia por trás dos ataques

O que torna esses ataques particularmente perturbadores é o uso de ferramentas de penetração autônomas alimentadas por IA. Investigadores encontraram rastros do ARTEX, uma ferramenta de código aberto chinesa desenvolvida por Li Puhua — conhecido como "Autumn" — que automatiza a descoberta de vulnerabilidades e a criação de vetores de ataque.

O ARTEX se conecta a modelos de IA de empresas como DeepSeek, OpenAI e Anthropic, permitindo que múltiplos agentes de IA analisem alvos e planejem rotas de invasão com entrada humana mínima.

Segundo a CrowdStrike, o atacante usou o DeepSeek V4.1-Flash como backend principal para o ARTEX, além do GLM-5.3 da Zhipu AI e do Grok 4.6 em sessões separadas do Claude Code. Um arquivo de resume encontrado nas sessões do Claude sugeriu que o atacante poderia ser um homem de 26 anos formado pela Universidade de Tecnologia da China Sul, em Maoming, Guangdong.

Por que os bancos não conseguiram parar?

Diferentemente dos maiores ataques cibernéticos do passado, que comprometiam sistemas centrais de transações, os ataques recentes exploraram sistemas periféricos usados por funcionários, agentes de empréstimos e terceiros — pontos de entrada com segurança relativamente fraca.

A Shinhan Bank gastou cerca de 92 milhões de dólares em segurança da informação no último ano, mas mesmo essa quantidade expressiva não protegeu seus sistemas de apoio. Os invasores não precisaram forçar a porta de entrada principal: encontraram uma janela aberta.

Professores da Universidade de Seul e da Universidade Dongguk observaram que a combinação de dados expostos — nome, telefone, renda anual e limite de empréstimo — é especialmente perigosa. "Um número de telefone sozinho tem valor limitado, mas quando criminosos podem conectá-lo à renda e ao limite potencial de empréstimo de alguém, ganham contexto suficiente para criar um golpe altamente convincente", explicou Sung-ho Hwang, gerente regional da Nord Security.

O presidente sul-coreano Lee Jae Myung admitiu em reunião de gabinete que "em alguns incidentes de hacking, surgiram sinais de uso de IA", e ordenou que recursos fossem concentrados na minimização dos danos.

O risco sistêmico

A Coreia do Sul não está sozinha. Um dia antes, o Japão havia reportado um incidente de segurança envolvendo a GMO Internet, seguida de ataques a suas instituições financeiras. Investigadores ainda não estabeleceram uma conexão entre os incidentes, mas a onda de ciberataques na Ásia sublinha desafios crescentes de segurança no setor, muitas vezes resultado de anos de défices em cibersegurança básica.

O presidente da FSC, Lee Eog-won, reconheceu que a resposta inicial do governo aos ataques assistidos por IA foi "inadequada em várias áreas básicas". O regulador está considerando flexibilizar as regras de separação de redes para permitir que instituições financeiras usem IA de forma mais ativa na defesa.

A mensagem de especialistas é clara: à medida que os atacantes usam IA para encontrar vulnerabilidades em velocidade e escala sem precedentes, os defensores precisam adotar o mesmo nível de automação. O que funcionava há cinco anos — revisões manuais, patching mensal, monitoramento humano — já é insuficiente contra agentes de IA que operam 24 horas por dia.

Fontes: TechCrunch, Bleeping Computer, The Korea Times

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação