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Tesla revela Roadster com propulsores da SpaceX: o carro que voa chegou

Tesla Roadster voador: depois de 9 anos, a Tesla finalmente revela o Roadster de segunda geração com propulsores da SpaceX

Na noite de 15 de outubro, em McGregor, Texas, a Tesla realizou a demonstração que parecia impossível há quase uma década. O Roadster de segunda geração — aquele conceito que Elon Musk apresentou como um complemento surpresa durante o lançamento do caminhão Semi em novembro de 2017 — saiu das pranchetas e dos renders digitais para voar de fato, usando propulsores a gás frio desenvolvidos pela SpaceX.

A demonstração: do chão ao céu

O que aconteceu naquela noite foi menos uma apresentação de produto e mais um espetáculo de engenharia aeronáutica. O protótipo, completamente autônomo e controlado remotamente, acelerou por uma rampa curva até alcançar uma parede vertical, colou na superfície invertida graças a um sistema de sucção multimodo, realizou um giro completo no ar e pousou suavemente antes de saltar sobre uma fileira de veículos Tesla — Model 3, Model Y, Cybertruck, Semi e Cybercab — enquanto mantinha velocidade.

Musk, no palco, chamou o momento de "o que acontece quando a melhor empresa de carros do mundo colabora com a melhor empresa de foguetes do mundo". Para Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos da Tesla, a tecnologia por trás do Roadster é o que separa a ficção da engenharia aplicada: "Temos um sistema de sucção que gera até 2g de força, duas vezes a gravidade. Depois trouxemos tecnologia da SpaceX para fazer o resto".

A tecnologia: como um carro "voa"

O Roadster de segunda geração opera com três camadas de propulsão que, combinadas, permitem manobras que nenhum veículo terrestre consegue.

Aerodinâmica ativa: o carro alterna entre modos de alta sustentação e baixa arrasto, com um aerofólio traseiro ajustável que muda de ângulo automaticamente conforme a velocidade e a força G necessária. Nos modos terrestres, o sistema funciona como um aerofólio invertido que pressiona o carro contra o chão.

Sistema de sucção multimodo: localizado no fundo do veículo, este sistema retira o ar de baixo do carro, criando uma diferença de pressão que cola a carroceria na pista. Segundo a Tesla, é suficiente para manter o veículo invertido mesmo parado — o que foi demonstrado com a rampa curva onde o Roadster percorreu o trajeto de cabeça para baixo.

Propulsores a gás frio: os 10 bicos de propulsão, distribuídos ao redor do carro, usam tanques de carbono sobrepresurizados com cerca de 600 litros de ar ultra-comprimido (aproximadamente 250 kg). O próprio veículo recarrega os tanques durante a operação. Os propulsores geram mais de 80 kN de empuxo traseiro e são controlados por atuadores elétricos que realizam microajustes em fração de segundo — o sistema de controle é essencialmente o mesmo princípio usado pela SpaceX para posicionar naves espaciais antes do lançamento.

A combinação desses três sistemas permite que o Roadster não apenas "voe" como um drone terrestre, mas também realize manobras como rolos e giros no ar antes de pousar de volta nas quatro rodas.

As especificações

| Parâmetro | Valor | |-----------|-------| | Velocidade máxima | Superior a 230 mph (370 km/h) | | 0–60 mph | 0,81 segundo (versão Thrust) | | Autonomia | 300+ milhas | | Motor | 1.340 cv combinados | | Assentos | 2 (Performance/Thrust) ou 1 (Rocket) | | Preço | Não revelado (reservas: US$ 50 mil Performance, US$ 250 mil Thrust) | | Produção | 2028 |

A Tesla oferece três níveis de acabamento. O Performance é o modelo "pronto para estrada", com aerodinâmica ativa e sistema de sucção, mas sem propulsores. O Thrust adiciona os propulsores traseiros e aceleração abaixo de um segundo para 0–60 mph. O Rocket, convite apenas, é um monolugar com 10 propulsores perimétricos e sistema de voo completo.

O histórico: nove anos de atrasos

A segunda geração do Roadster foi anunciada como um surpreso em 14 de novembro de 2017, durante o evento de lançamento do caminhão Semi. Na época, a promessa era de entrega em 2020, com preço base de US$ 200 mil para a versão padrão e US$ 250 mil para as 1.000 unidades da "Founders Series". A Tesla já havia recebido US$ 50 milhões em depósitos e US$ 250 milhões em reservas para a versão especial.

O projeto, no entanto, perdeu prioridade à medida que a Tesla escalou a produção do Model 3 e do Model Y — os veículos que realmente sustentaram o negócio. Em 2018, Musk twittou que o "pacote de opção SpaceX" incluiria cerca de 10 pequenos propulsores de foguete dispostos de forma contínua ao redor do carro. "Esses motores de foguete melhoram dramaticamente a aceleração, velocidade máxima, frenagem e curvas. Talvez até permitam que um Tesla voe...".

A data de produção mudou: 2020, depois 2022, 2023, 2025. Em novembro de 2025, durante a reunião de acionistas, Musk anunciou que a versão de produção seria revelada em 1º de abril de 2026 — Dia das Mentirinhas — "porque me dá alguma negação plausível", como ele mesmo disse. O evento real, finalmente, aconteceu em 15 de outubro de 2026.

O contexto: por que o Roadster importa para a Tesla hoje

Em 2026, a Tesla parou de vender o Model S e o Model X para dar espaço à produção de robôs humanoides Optimus e ao Cybercab autônomo. O Roadster é, nesta fase da empresa, o último veículo projetado para condução humana — o que Musk chamou de "a última das carroças de pessoas".

Para a Morningstar, o Roadster é o "halo car" que a Tesla não tinha: um veículo de alto desempenho que demonstra o melhor da engenharia da empresa e cria uma ressonância de marca que os robôs e os robotáxis não conseguem gerar. O analista Seth Goldstein descreveu em nota de setembro que "a Tesla não tem atualmente um halo car, ou um veículo de luxo e alto desempenho projetado para mostrar o melhor da engenharia da montadora. O Roadster será o novo halo car da Tesla".

Musk, no palco, foi categórico: "Não é necessariamente um carro otimizado para segurança". E reconheceu que pode não ser legal em todas as jurisdições. O Roadster Rocket, em particular, não é aprovado para uso em vias públicas — é essencialmente um carrinho de corridas que pode voar. Mas o Performance e o Thrust serão, tecnicamente, carros de rua que os clientes poderão possuir.

Depois de 9 anos, 9 atrasos e uma demonstração que exigiu a fusão entre a engenharia aeroespacial e a automobilística, a Tesla finalmente entregou o que prometeu — mas a verdadeira prova virá quando as primeiras unidades chegarem aos clientes, em 2028. Até lá, o Roadster voador permanecerá como o produto mais ambicioso, mais improvável e mais icônico de uma empresa que sempre soube transformar sonhos em engenharia aplicada.

Fontes: TechCrunch, CarandDriver, Straits Times

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