A Apple reconquistou o título de empresa pública mais valiosa do mundo ao ultrapassar a Nvidia durante o pregão de sexta-feira, 24 de julho, avançando a passos largos rumo a uma capitalização de mercado de US$ 5 trilhões. É a primeira vez desde abril de 2025 que a fabricante do iPhone ocupa o topo do ranking.
As ações da Apple subiram mais de 1% na segunda-feira subsequente, elevando seu valor de mercado para aproximadamente US$ 4,94 trilhões, contra US$ 4,83 trilhões da Nvidia, segundo dados do Yahoo Finance. O movimento consolida uma recuperação iniciada na sexta-feira, quando a Apple já havia superado a rival em negociações intradiárias.
O que torna essa virada particularmente notável é o contexto. A Nvidia mantinha o posto de empresa mais valiosa do mundo desde junho de 2025, quando ultrapassou a Microsoft impulsionada pelo frenesi da inteligência artificial. Foi também a Nvidia a primeira companhia a cruzar a marca histórica de US$ 5 trilhões em valor de mercado, em outubro de 2025. Agora, é a Apple que se aproxima desse patamar — e o faz por uma via completamente diferente.
Enquanto gigantes da tecnologia como Alphabet, Microsoft e Meta Platforms queimam bilhões de dólares em despesas de capital com infraestrutura de IA, a Apple adotou uma abordagem comedida. Dados do AlphaSpace, do Yahoo Finance, mostram que o capex da empresa vem caindo nos últimos três trimestres, não aumentando. "Antes criticada por não gastar mais com IA, a Apple conseguiu evitar algumas dessas armadilhas de capex", disse Jay Woods, chief market strategist da Freedom Capital Markets, ao Yahoo Finance.
Essa disciplina financeira tornou-se um diferencial competitivo em um momento em que investidores começam a questionar o retorno sobre os investimentos maciços em IA. As ações da Apple acumulam alta de aproximadamente 22% a 24% no ano, superando o grupo das "Magnificent Seven" — do qual três integrantes (Tesla, Microsoft e Meta) operam no vermelho em 2026. A Nvidia, por sua vez, subiu apenas cerca de 6% no mesmo período.
A ascensão da Apple ocorre em meio a uma rotação do mercado que tem castigado ações de semicondutores e empresas de momentum. A Nvidia enfrentou uma queda de 5% na segunda-feira, ampliando um período volátil agravado por temores de um novo "momento DeepSeek" — após um modelo de IA de uma startup chinesa reacender preocupações sobre a sustentabilidade dos gastos com IA. Relatos de que a Nvidia negocia um financiamento de US$ 250 bilhões para data centers da OpenAI também renovaram apreensões sobre negociações circulares e capex inflado.
Para a Apple, o horizonte é promissor. O iPhone 18 é esperado para o segundo semestre deste ano, e a receita de serviços — segmento de margens elevadas — continua crescendo consistentemente. Há ainda rumores de que os Apple Glasses, os óculos de inteligência artificial da empresa, possam ser anunciados na WWDC 2027. A vantagem dos chips Apple Silicon, desenvolvidos internamente, também posiciona a empresa de forma única para rodar cargas de trabalho de IA diretamente nos dispositivos, sem depender exclusivamente da nuvem.
A transição de CEO também está em andamento: Tim Cook dará lugar a John Ternus, atualmente head de engenharia de hardware. Agosto será o último mês de Cook como CEO, embora ele permaneça como chairman executivo do conselho. A mudança de comando ocorre em um momento de solidez financeira ímpar, com a empresa se aproximando de um valuation que parecia distante durante os anos de domínio das gigantes de semicondutores.
Fontes: 9to5Mac, Yahoo Finance, Business Insider, Quartz