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DHS proíbe DeepSeek de sistemas civis federais dos EUA

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) publicou nesta segunda-feira, 19 de outubro, uma ordem que proíbe agências civis federais de comprar ou utilizar produtos desenvolvidos pela empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek, bem como quaisquer ferramentas de terceiros construídas com base em suas implementações. A ordem, originalmente assinada em 24 de julho de 2026 e só revelada após quase três meses, foi registrada no Federal Register sob o dossiê DHS-2026-0628.

O que diferencia essa ordem das restrições anteriores ao DeepSeek é o seu alcance. Desde o início de 2025, diversos órgãos do governo americano já haviam banido o uso do chatbot e dos modelos da DeepSeek em seus dispositivos — a Marinha, a NASA, o Departamento de Comércio e, mais recentemente, a Defense Information Systems Agency, que bloqueou o acesso aos modelos em janeiro de 2025. Mas essas proibições limitavam-se a agências específicas ou a determinados dispositivos. A ordem de julho de 2026, emitida ao abrigo da Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisição Federal (FASCSA), de 2018, cobre todas as agências civis federais dos Estados Unidos.

A agência descreveu os modelos do DeepSeek como apresentando múltiplos vetores de ameaça para sistemas governamentais. A justificativa central do DHS é que, ao criar contas nos produtos da empresa, usuários fornecem informações pessoais identificáveis, que podem ser rastreadas ou digitalmente identificadas e posteriormente transferidas para a China, onde o Partido Comunista poderia acessá-las. O documento afirma que a transferência das informações acima para a República Popular da China, independentemente ou combinada com dados publicamente disponíveis, poderia produzir inteligência acionável sobre cidadãos americanos e programas governamentais.

Além disso, o DHS alerta que os próprios modelos podem conter malware ou vulnerabilidades de segurança. O departamento citou pesquisas que identificaram vulnerabilidades críticas na aplicação iOS do DeepSeek, cujo back-end, segundo relatórios anteriores, conecta-se à China Mobile — uma empresa chinesa militar classificada pelo governo americano. Em 2019, a Federal Communications Commission (FCC) já havia proibido a China Mobile de operar nos Estados Unidos, advertindo que o acesso não autorizado a dados de clientes poderia causar danos irreparáveis à segurança nacional.

O aspecto mais impactante da ordem para a indústria de tecnologia é a cláusula que abrange produtos de terceiros. As agências não devem apenas remover aplicações diretas do DeepSeek, como o chatbot e o ambiente de programação, mas também software de outros fornecedores que tenha sido desenvolvido usando implementações do DeepSeek. A ordem não define precisamente o que significa desenvolvido usando implementações, o que gera dúvidas entre contratantes. Um fornecedor que ajustou um modelo de peso aberto do DeepSeek, ou que simplesmente encaminha algumas consultas aos seus servidores, pode estar dentro do escopo da proibição. Isso coloca uma pergunta direta para qualquer empresa que venda recursos de IA a agências governamentais: qual modelo alimenta o seu produto?

Para lidar com essa complexidade, a ordem permite exceções. Agências que acreditarem precisar de um produto baseado em DeepSeek podem solicitar dispensa ao DHS, apresentando uma justificativa escrita dentro de 60 dias a partir da emissão. O governo também instou todas as agências afetadas a monitorar o tráfego de rede entrando e saindo de seus sistemas, reforçar a auditoria e proteger contra exfiltração de dados até que a remoção seja concluída.

A resposta chinesa foi imediata. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que Pequim opõe consistentemente a expansão do conceito de segurança nacional e a politização de questões científicas, tecnológicas, econômicas e comerciais. A China protegerá resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, disse ela em coletiva de imprensa.

A ordem tem um contexto geopolítico mais amplo. O DeepSeek ganhou destaque global em janeiro de 2025, quando seu modelo de raciocínio R1 demonstrou desempenho competitivo aos modelos americanos, utilizando uma fração significativa da potência de computação. Isso disparou uma guerra de preços no setor de IA e causou um forte declínio nas ações da Nvidia. Desde então, o governo americano tem intensificado o cerco à empresa: em setembro de 2026, os Estados Unidos acusaram o DeepSeek e outras cinco empresas chinesas de usar técnicas massivas de distilação de modelos para extrair capacidades de sistemas de IA de fronteira americanos. Em outubro de 2026, Pequim anunciou planos de restringir a exportação de 23 tecnologias relacionadas à IA, incluindo designs de chips e certos modelos avançados.

Em um momento em que os presidentes Trump e Xi devem se encontrar meados de novembro, na cimeira da APEC em Shenzhen, a inteligência artificial estará certamente na agenda. A ordem do DHS pode ser um dos vários pontos de tensão entre os dois países, que já avançaram em alguns aspectos de cooperação, como a proposta americana de estabelecer um sistema de notificação de incidentes de segurança nacional, mas que permanecem profundamente divididos em questões de acesso a tecnologia e governança.

Fontes: TechCrunch, Federal Register, CNBC

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação