O fato
Travis Kalanick, cofundador e ex-CEO do Uber, levantou US$ 1,7 bilhão para sua nova empresa de robótica, a ATOMS. A rodada foi liderada pela Andreessen Horowitz (a16z), com Ben Horowitz assumindo uma cadeira no conselho. Bain Capital, Fifth Wall e outros investidores também participaram.
Contexto
Desde que foi forçado a deixar o Uber em 2017 após uma série de controvérsias, Kalanick manteve um perfil relativamente baixo no ecossistema de startups. Sua volta ao centro do palco com uma captação bilionária na área de robótica industrial mostra que o mercado enxerga nele a mesma capacidade de execução agressiva que transformou o Uber em uma potência global. A ATOMS atua no desenvolvimento de robôs autônomos para logística industrial, um setor que a a16z classifica como o próximo grande mercado de plataforma, comparável aos primórdios da computação em nuvem. O investimento de Ben Horowitz, que já foi sócio de Kalanick em negócios anteriores, sinaliza confiança pessoal e estratégica.
Análise
O valor da rodada, US$ 1,7 bilhão, é impressionante não apenas pelo montante, mas pelo que revela sobre o momento do setor. A robótica industrial autônoma está deixando de ser nicho de laboratório para se tornar alvo de capital intensivo. A tese da a16z é que a automação física de armazéns, centros de distribuição e fábricas será tão transformadora quanto a automação digital foi nos anos 2010. Kalanick, com seu histórico de escalar operações baseadas em rede, é uma aposta lógica para esse tipo de negócio. Há, no entanto, um risco reputacional que os investidores parecem ter precificado como aceitável. O passado controverso de Kalanick no Uber, incluindo cultura tóxica, brigas com reguladores e processos judiciais, não desapareceu. A diferença é que, em robótica industrial, o contato com o consumidor final é menor, o que reduz a exposição a escrutínio público.
O que observar
O primeiro produto comercial da ATOMS será revelado ainda este ano, e o cronograma de implantação em clientes reais será o verdadeiro teste. Além disso, vale acompanhar se a ATOMS conseguirá contratar talentos de engenharia num mercado aquecido por Tesla, Boston Dynamics e Figure. O movimento da a16z também sugere que mais capital venture deve migrar para robótica pesada nos próximos meses.
Fontes: TechCrunch, ASI Biont Blog