O LinkedIn lançou um novo recurso que permite aos usuários denunciar publicações como "Parece slop de IA" — e sim, o botão realmente usa a palavra "slop". A ferramenta, anunciada em 30 de julho de 2026, representa a tentativa mais explícita da rede social profissional de lidar com a enxurrada de conteúdo gerado por inteligência artificial que tomou conta da plataforma nos últimos meses.
O botão aparece como uma opção no menu de denúncia de cada publicação. Ao selecioná-lo, o usuário sinaliza que o conteúdo foi provavelmente gerado por IA sem edição ou valor substancial. Os dados alimentam os modelos de detecção de IA da própria plataforma, ajudando a treinar algoritmos para identificar automaticamente esse tipo de conteúdo no futuro. O chefe de produto do LinkedIn, Hari Srinivasan, confirmou ao 404 Media que o feedback será usado especificamente para "melhorar os modelos de moderação da plataforma".
A decisão do LinkedIn reflete uma crise que vem se agravando há meses. Uma investigação do 404 Media publicada em maio de 2026 revelou que 41% das publicações de formato longo no LinkedIn são geradas por IA, um número que surpreendeu até mesmo os pesquisadores. A plataforma se tornou um terreno fértil para conteúdos genéricos e fabricados — textos motivacionais escritos por máquina, falsas histórias de carreira, opiniões artificiais sobre tendências do setor. O problema é particularmente agudo no LinkedIn porque a plataforma depende da credibilidade profissional de seus usuários: um post falso sobre uma suposta experiência de liderança pode enganar recrutadores e influenciar decisões de contratação.
A resposta do LinkedIn não se limita ao botão de denúncia. Em maio, a plataforma já havia implementado uma política que exige que usuários com mais de 50 mil seguidores verifiquem manualmente certas publicações suspeitas antes de compartilhá-las. Mas a medida foi criticada tanto por ser insuficiente quanto por criar uma distinção arbitrária entre usuários verificados e não verificados. O novo botão "Seems like AI slop" adota uma abordagem diferente: em vez de tentar bloquear o conteúdo antes da publicação, ele permite que a própria comunidade identifique e sinalize o problema.
A linguagem usada pelo LinkedIn chama a atenção. "Slop" — uma palavra informal que significa "comida intragável" ou "porcaria" — não é o tipo de termo que se espera ver em uma plataforma profissional. A escolha deliberada de uma palavra coloquial e até rude parece refletir a frustração da empresa com a escala do problema. Em vez de usar eufemismos corporativos como "conteúdo gerado por IA" ou "mídia sintética", o LinkedIn optou pela linguagem direta que os próprios usuários usam para descrever o fenômeno.
O movimento do LinkedIn não acontece no vácuo. Plataformas como Meta (Facebook e Instagram), X (Twitter) e TikTok também estão lidando com ondas de conteúdo gerado por IA, mas nenhuma adotou uma ferramenta tão explícita. O X recentemente removeu as marcações automáticas de conteúdo de IA após críticas de que as tags eram imprecisas. O Facebook vem testando sistemas de detecção, mas sem dar aos usuários um mecanismo direto de denúncia.
A eficácia do botão dependerá de vários fatores. Primeiro, da disposição dos usuários em usá-lo — denunciar conteúdo exige esforço, e a maioria das pessoas simplesmente rola a tela. Segundo, da capacidade do LinkedIn de agir com base nas denúncias sem criar falsos positivos (conteúdo legítimo escrito por humanos, mas marcado como IA). Terceiro, do risco de o próprio botão ser abusado por usuários mal-intencionados para silenciar vozes legítimas.
A longo prazo, a pergunta mais profunda é: será que a moderação baseada na comunidade consegue lidar com a escala do problema? Se 41% das publicações longas são geradas por IA, o LinkedIn está enfrentando não um exército de spammers, mas uma transformação fundamental na natureza do conteúdo da plataforma. Um botão de denúncia pode ser um primeiro passo, mas dificilmente será a solução definitiva para uma plataforma que precisa decidir que tipo de conteúdo quer — e que tipo de conteúdo merece ser visto.
Fontes: 404 Media, CNET, Forbes
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