No dia 27 de julho de 2026, o X (antigo Twitter) finalmente transformou em realidade uma promessa que Elon Musk vinha fazendo desde que comprou a plataforma por US$ 44 bilhões em 2022: o X Money. O serviço de pagamentos integrado à rede social começou a ser liberado para assinantes Premium e Premium+ nos Estados Unidos, marcando um dos passos mais ambiciosos na direção de transformar o X em um "super aplicativo" nos moldes do chinês WeChat — um ecossistema onde os usuários fazem tudo sem sair do aplicativo: conversam, consomem notícias, compram produtos e agora também movimentam dinheiro.
O X Money combina uma carteira digital, transferências peer-to-peer (P2P) e um cartão de débito Visa metálico que os usuários podem personalizar com seu nome de usuário do X. As transferências entre usuários da plataforma são gratuitas e sem limites, e o serviço oferece um rendimento anual de até 6% sobre os depósitos — embora esse percentual seja exclusivo para assinantes Premium+, enquanto usuários do plano Premium precisam atingir um valor mínimo depositado para obter a taxa "boostada" de 6%. O suporte ao Apple Wallet permite que os usuários adicionem o cartão virtual diretamente ao aplicativo de carteira da Apple, integrando o X Money ao ecossistema de pagamentos por aproximação (NFC) que já é amplamente usado nos Estados Unidos.
A infraestrutura do X Money é sustentada por parcerias com a Visa e o Cross River Bank, este último responsável pela guarda dos depósitos dos usuários com seguro FDIC de até US$ 250 mil por depositante. O lançamento acontece alguns meses após a meta original de abril de 2026, que Musk havia estabelecido durante uma reunião interna de equipe gravada e vazada em 2023, onde ele disse que "se envolver dinheiro, estará na nossa plataforma". O produto estava em beta fechado desde março, quando a empresa convidou usuários selecionados por meio de uma campanha com o ator William Shatner, que distribuiu convites personalizados.
A entrada do X no setor bancário não passou despercebida pelos reguladores. Em abril, a senadora Elizabeth Warren (D-MA) enviou uma carta à liderança do X expressando preocupações sobre os riscos que o X Money poderia representar para "consumidores, nossa segurança nacional e a estabilidade do sistema financeiro". Warren questionou especificamente como a plataforma protegeria os dados financeiros dos usuários em um ambiente que já enfrenta desafios de moderação de conteúdo e desinformação. A plataforma passou anos obtendo licenças de transmissão de dinheiro em dezenas de estados americanos — um processo burocrático complexo que ajudou a atrasar o lançamento em relação ao cronograma original.
O movimento de Musk recoloca o debate sobre o modelo de "super aplicativo" no centro da indústria de tecnologia. Diferentemente de tentativas anteriores de redes sociais ocidentais de entrar em serviços financeiros (como o Facebook Pay, que foi descontinuado em 2022 após baixa adoção), o X Money chega com um ecossistema mais completo: depósitos com juros, cartão físico, integração com NFC e uma base de usuários fiéis dispostos a pagar pelo Premium. A pergunta que fica é se os consumidores americanos, acostumados a soluções estabelecidas como Venmo (do PayPal), Cash App (do Block) e Apple Pay, vão adotar uma plataforma de pagamentos atrelada a uma rede social — especialmente em um ambiente regulatório cada vez mais atento à concentração de poder das big techs sobre dados financeiros e ao risco sistêmico que plataformas não bancárias podem representar.