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OpenAI corta alvo de captação em US$ 10 bilhões e reduz valuation para US$ 1,25 trilhão

OpenAI corta alvo de captação em US$ 10 bilhões e reduz valuation para US$ 1,25 trilhão

A OpenAI reduziu drasticamente o tamanho e a avaliação de sua rodada mais recente de investimentos. De um alvo inicial de US$ 30 bilhões a um valuation de US$ 1,4 trilhão, a empresa agora busca captar US$ 20 bilhões a um valuation de US$ 1,25 trilhão — e já tem apenas US$ 11 bilhões comprometidos, segundo o Wall Street Journal. O corte de US$ 10 bilhões na captação e de US$ 150 bilhões na valuation são sinais claros de uma mudança no humor dos investidores em relação ao setor de inteligência artificial.

A notícia, reportada inicialmente pelo Financial Times em 30 de outubro e corroborada pelo WSJ e Reuters, revela uma pressão que se acumulava desde meados de outubro, quando o Nasdaq começou a ceder terreno após resultados mistos de Meta e Tesla alimentarem o debate sobre se o boom de investimentos em IA está exagerado. Na sexta-feira, 30, o índice Nasdaq 100 caiu 3,5%, enquanto a versão principal do Nasdaq recuou 2,9%, já a 7,8% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.

O que mudou na rodada

A rodada foi desenhada originalmente para ser uma afirmação de força: a OpenAI precisava fechar antes da IPO antecipada da Anthropic, prevista para meados de novembro. A empresa estabeleceu um prazo de 30 de outubro para que os investidores comprometessem seus aportes. O resultado, porém, foi o oposto do esperado por alguns analistas. Ao invés de corrida por participação, houve retração. Alguns investidores reduziram suas alocações, e o "first close" — a primeira tranche de fechamento — deve ficar abaixo dos US$ 20 bilhões já revisados.

O valuation caiu de US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão, um corte de US$ 150 bilhões (cerca de 11%). Mas a parte mais reveladora é o volume de capital comprometido: US$ 11 bilhões contra um alvo original de US$ 30 bilhões. Isso significa que menos de um terço do montante inicial foi garantido, e nem isso representa dinheiro efetivamente recebido — a OpenAI ainda está em fase de "first close" e deverá buscar compromissos adicionais nas próximas semanas com family offices e investidores de alto patrimônio.

Para contextualizar, a última rodada da OpenAI, em março de 2026, elevou a valuation para US$ 852 bilhões com US$ 122 bilhões captados. Em apenas sete meses, o valuation saltou 46% (de US$ 852 bi para US$ 1,25 tri), mas a pressão de mercado e a competição pela atenção dos investidores com a Anthropic — que prepara sua IPO a um mark de US$ 965 bilhões e projeções de IPO entre US$ 1,5 tri e US$ 2 tri — fizeram com que os contribuintes da rodada atual recalibrassem suas expectativas.

Quem está investindo (e quem está de fora)

Os investidores mais comprometidos na rodada incluem MGX, fundo tecnológico apoiado pelo governo dos Emirados Árabes, que deve ser o maior participante. SoftBank, Sequoia Capital, Founders Fund, Andreessen Horowitz, Coatue Management, BlackRock e Dragoneer também estariam na lista. O FT reportou que a Coatue está em negociações para co-liderar a rodada.

Mas a participação de nomes tradicionais de venture capital parece ter diminuído em relação ao esperado. O WSJ aponta que a OpenAI está buscando capital adicional de family offices e investidores individuais de alto patrimônio nas próximas semanas — o que, historicamente, é mais lento e menos previsível do que compromissos institucionais.

A dinâmica é reveladora: quando os maiores fundos de VC começam a recuar em rodadas de stage tardio, é porque estão pedindo mais provas de que os números justificam a valuation. No caso da OpenAI, a questão é particularmente sensível. A empresa continua operando como organização sem fins lucrativos controlada (controlled nonprofit), o que significa que não há transparência pública sobre seus números reais de receita, custos de infraestrutura ou lucratividade — informações que os investidores querem ver antes de comprometer bilhões.

O fantasma da Anthropic

Um fator que muitos analistas subestimaram é o efeito Anthropic. A concorrente da OpenAI está se preparando para abrir no mercado em novembro com uma valuation estimada de US$ 1,5 tri a US$ 2 tri — o que significa que os investidores podem estar pausando a captação da OpenAI para esperar ver como o mercado reage à IPO da Anthropic. Se a Anthropic for bem-sucedida e listar acima de seu mark privado, isso validaria os números da OpenAI. Se a Anthropic debutar com desconto ou com fraco desempenho de ações, os investidores podem pressionar a OpenAI para cortar ainda mais a valuation.

A comparação direta entre as duas empresas é inevitável. A Anthropic já tem receita pública estimada (embora não divulgada formalmente), uma estrutura corporativa clara de C-Corp e um plano de IPO definido. A OpenAI, por outro lado, mantém sua estrutura de controlled nonprofit, o que torna a comparação valuation/receita muito mais difícil de calibrar — e mais propensa a disputas entre compradores e vendedores.

O que isso significa para o mercado de IA

O corte na captação da OpenAI não significa que a empresa está em dificuldade financeira. A US$ 1,25 trilhão de valuation e com US$ 11 bilhões já comprometidos, a OpenAI continua sendo, de longe, a startup mais valorizada da história e com acesso a bilhões em capital fresco. Mas o sinal que o mercado recebe é claro: os investidores estão dispostos a apostar em IA, mas não a qualquer preço.

O setor enfrenta um desafio genuíno de narrativa. Após anos de promessas de transformação radical, os investidores querem ver receita real, não apenas projeções de revenue de longo prazo. A queda do Nasdaq 100 em 7,8% em duas semanas reflete essa cautela crescente. E a OpenAI, como a maior aposta do setor, acaba sendo o termômetro mais preciso do humor dos investidores.

A pergunta que se coloca é se esse ajuste de valuation na rodada da OpenAI será o ponto de inflexão que fará os investidores recuarem em outras apostas de stage tardio — ou se será apenas um ajuste técnico de uma empresa que ainda tem muito mais combustível do que a maioria das corporações tradicionais.

Fontes: Financial Times / Reuters, Wall Street Journal / RuntimeWire, CNBC

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação