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A OpenAI quer que você chame seus data centers de 'campus de computação'

A OpenAI está se preparando para uma ofensiva de comunicação que deve ocorrer logo após as eleições intermediárias americanas. A estratégia inclui uma proposta provocativa: substituir o termo 'data center' por 'campus de computação de inteligência artificial'. A mudança de nome não é apenas questão de marketing — reflete o quanto a indústria de inteligência artificial se encolheu diante da rejeição local a projetos de infraestrutura, especialmente nos Estados Unidos.

Segundo reportagem da Axios, publicada no domingo (1º) de novembro, a empresa liderou um plano de ação política e de relações públicas que deve ser desatado na terça-feira, quando os americanos vão às urnas escolher quem controlará o Congresso. A previsão é de que os democratas recuperem a Câmara dos Representantes e talvez também o Senado. Para Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, as intermediárias serão 'um trailer para o que você vai ver em 2028', quando a inteligência artificial deve ser 'a questão' das eleições presidenciais.

O termo 'campus de computação' já aparece em anúncios da empresa. O projeto PORTS-Pike, na Ohio, anunciado junto com a SB Energy e a NVIDIA, é descrito pela OpenAI como um 'technology campus' em vez de um data center convencional. O projeto de aproximadamente 8 gigawatts sob um contrato de arrendamento de 20 anos já recebeu esse tratamento de imagem antes da divulgação do plano de rebranding mais amplo.

A rejeição a data centers cresceu de forma bipartidária nos Estados Unidos. Em diversas cidades, moradores se opõem à construção de instalações que consomem quantidades massivas de eletricidade e água. O custo de energia residencial subiu 7,3% entre abril de 2025 e abril de 2026, segundo relatório do Consumer Reports citado pelo State of AI. Setenta por cento dos americanos afirmaram em pesquisa da NPR estar preocupados com a possibilidade de seus impostos serem onerados pela infraestrutura de inteligência artificial.

A estratégia da OpenAI não é apenas trocar o nome das instalações. Lehane mencionou à Axios a criação de 'compromissos comunitários' que visam suavizar a resistência local. A empresa também quer posicionar a inteligência artificial como uma ferramenta de empoderamento do cidadão comum, em vez de uma força de transformação industrial que impõe custos às comunidades. Uma proposta discutida internamente envolveu a criação de 'limites de velocidade' para o desenvolvimento de IA, seguindo a agenda do CEO da Anthropic, Dario Amodei, que falou sobre o tema em setembro de 2026.

A rebranding acontece num contexto em que empresas como Amazon e Microsoft já anunciaram que não usarão acordos de confidencialidade em negociações com governos locais. A própria OpenAI descreveu os debates sobre data centers como 'bons e saudáveis', segundo Lehane. A declaração soa como um exercício de boa-fade, mas reflete a consciência da empresa de que a narrativa atual é insustentável. O termo 'data center' evoca imagens de galpões industriais cinzentos cercados por cercas aramadas e geradores a diesel — algo que nenhuma comunidade quer ter como vizinha.

O conceito de 'campus de computação' busca transmitir a imagem de um centro de inovação tecnológica, similar aos campus universitários ou aos complexos de pesquisa da Silicon Valley. A ideia seria que os projetos trouxessem não apenas energia para treinar modelos de inteligência artificial, mas também empregos, investimento em educação e transformação econômica real para as cidades que os abrigam. A SB Energy, por exemplo, afirma que arcará com o custo total das melhorias na grade elétrica e das novas linhas de transmissão, de modo que esses custos não sejam repassados aos consumidores de Ohio.

A proposta tem um componente político claro. Lehane espera que a inteligência artificial se torne o tema central das eleições de 2028 e quer que a OpenAI esteja posicionada como parte da solução, não como parte do problema. A empresa já lançou em outubro de 2026 um 'Centro de Operações Eleitorais' para combater o uso indevido de suas ferramentas durante as votações — uma medida que, embora legítima, também serve para criar uma imagem de empresa responsável e cidadã.

O que ainda está em aberto é se a mudança de nome terá algum impacto real nas comunidades afetadas. Renomear um data center não muda a quantidade de megawatts que ele consome ou de litros de água que ele evapora dos torres de resfriamento. O verdadeiro teste será ver se a OpenAI cumpre os compromissos comunitários que anuncia ou se 'campus de computação' se torna apenas um termo de marketing para uma realidade que continua sendo um data center, com todos os impactos e controvérsias que isso acarreta.

A pergunta que fica é: será que a indústria de inteligência artificial pode renomear seus problemas ou a única forma de lidar com a rejeição local é realmente transformar os impactos em benefícios tangíveis para as comunidades?

Fontes: TechCrunch, Axios, Business Insider

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação