Paramount completa fusão de US$ 110 bilhões com Warner Bros. Discovery e cria Skydance
Em 6 de outubro de 2026, a maior fusão na história do entretenimento foi oficializada. Paramount Skydance concluiu sua aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 110 bilhões (incluindo dívidas assumidas), consolidando a formação de uma nova entidade que opera sob o nome Skydance — homenagem à produtora original fundada por David Ellison, o bilionário por trás da operação. O novo ticker "SKYD" já negocia na Nova York Stock Exchange.
O tamanho da criatura
A Skydance resultante apresenta receita anual combinada de aproximadamente US$ 70 bilhões — um volume de faturamento superior ao de muitas economias nacionais. O porta-voz Ellison, em comunicado, chamou o dia de "histórico" e anunciou que as marcas Paramount e Warner Bros. permaneceriam como núcleos centrais da operação. "Nós nunca quisemos que uma nova identidade corporativa diminuísse, alterasse ou ofuscasse alguma das duas", escreveu Ellison no X. O nome Skydance serve, segundo ele, para "dar à empresa uma identidade própria" enquanto permite que ambos os estúdios "permaneçam em evidência".
A estrutura de governança coloca Ellison e Ynon Kreiz — ex-CEO da Warner Bros. Discovery — como co-CEOs. No jornalismo, Bari Weiss (CBS) e Mark Thompson (CNN) mantêm suas posições como chefias, conforme anunciado em comunicado conjunto. Na programação, Casey Bloys (HBO) fica à frente do streaming.
Das cinzas de uma batalha corporativa
A jornada até aqui foi longa e conturbada. Em fevereiro de 2026, Paramount e Warner Bros. Discovery anunciaram o acordo de fusão mútua. Antes disso, a Warner havia negociado com a Netflix para adquirir os negócios de streaming e estúdio, mas quando a Paramount aumentou sua oferta para US$ 31 por ação, a Netflix recuou. O acordo final combinou Paramount+ e HBO Max, redes como CBS, CNN, MTV, TBS, Comedy Central e Food Network, além de franquias como O Senhor dos Anéis, Game of Thrones, o Universo DC e Yellowstone.
O processo regulatorio envolveu negociações em quase 70 jurisdições globais. Autoridades de concorrência em praticamente todo o mundo aprovaram o tratado — incluindo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a administração Trump. Mas doze estados estadunidenses, liderados pela procuradora-geral da Califórnia Rob Bonta, processaram a fusão em julho de 2026, alegando que a empresa combinada "extinguiria a concorrência" e reduziria as escolhas para consumidores e frequentadores de cinema.
Acordos de settlement surgiram em setembro. Os termos, aprovados por um juiz, incluem promessas da empresa de aumentar a produção de filmes nos Estados Unidos ao longo dos próximos cinco anos, comprometer milhões de dólares a um fundo para apoiar trabalhadores deslocados pela fusão e estabelecer novo monitoramento editorial da CNN e CBS. Críticos da fusão, no entanto, denunciaram os acordos como concessões fracas demais.
A oposição de Hollywood
Antes mesmo do fechamento, milhares de profissionais de Hollywood — incluindo Jane Fonda, Mark Ruffalo, Denis Villeneuve, J.J. Abrams e Sally Field — assinaram uma carta aberta de oposição inequívoca à fusão, alertando para menos empregos e "menos escolhas para o público em todo o mundo". A perspectiva do novo proprietário da Warner pairou sobre a temporada de prêmios: broches #BlockTheMerger apareceram em tapetes vermelhos e, ao receber seu Emmy, Sally Field destacou que "histórias únicas importam" e que "não podemos deixar essas vozes serem silenciadas, comprometidas ou mescladas".
Streaming duplo e o futuro do conteúdo
Uma decisão surpreendente da nova administração: manter tanto HBO Max quanto Paramount+ como marcas separadas de streaming, compartilhando páginas e catálogo. Segundo a Deadline, Skydance planeja criar operações especializadas para filmes e séries de streaming sob uma única plataforma, mas sem fundir as marcas. Isso contrasta com a tendência do setor de consolidar plataformas — Disney, Apple e Amazon operam com um único serviço de streaming cada.
O que isso significa é que o mercado de streaming continua fragmentado, mas agora sob controle de um único dono. Para o consumidor, a promessa é acesso a catálogos que incluem desde The Godfather e Top Gun até Harry Potter e Sinners — um acervo que abrange mais de um século de produção cinematográfica. O desafio real será convencer plateias a dividirem assinaturas entre dois serviços que, teoricamente, pertencem à mesma empresa.
A pergunta que fica: será que a Skydance conseguirá escalar produção nos Estados Unidos como prometido aos reguladores, ou que a consolinação de poder em Hollywood resultará, afinal, na redução de vozes que os críticos tanto temem?
Fontes: TechCrunch, ABC7, Deadline, Deadline
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