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A saída relâmpago da primeira COO da Xbox após apenas três meses no cargo

A saída relâmpago da primeira COO da Xbox após apenas três meses

Helen Chiang deixou a Microsoft nesta sexta-feira, 23 de outubro, após apenas três meses no cargo de chief operating officer (COO) da divisão Xbox. A notícia foi confirmada por uma memória interna da equipe, divulgada por Asha Sharma, CEO da Xbox, em uma mensagem breve e direta: "Helen Chiang está deixando a Microsoft hoje. Sou grata pelos seus anos de serviço e lhe desejo todo o sucesso".

A promoção de Chiang para COO em julho foi uma das peças centrais da chamada "Resetting Xbox", uma reestruturação massiva anunciada por Sharma no mesmo mês. A posição foi criada especificamente para ela e descrita como uma primeira na história da divisão: uma executiva com responsabilidade total de lucro e prejuízo (P&L) sobre conteúdo, hardware, plataforma e serviços, reportando diretamente à CEO.

Chiang tinha 21 anos de Microsoft. Antes de assumir o cargo de COO, era líder da franquia Minecraft e studio head da Mojang, tendo trabalhado em projetos que incluíram a construção do Xbox Live — o serviço online que revolucionou o multiplayer em consoles — e a aquisição e integração da Mojang em 2014.

O lugar vazio

Com a saída repentina, as responsabilidades de Chiang estão sendo divididas entre outros líderes da Xbox enquanto um plano permanente de liderança não é definido. Kari Perez, vice-presidente de comunicações da Xbox, se limitou a declarar ao The Verge: "Não discutimos assuntos pessoais de indivíduos. Somos gratos pelos anos de serviço da Helen e lhe desejamos todo o sucesso".

Nenhum motivo foi fornecido oficialmente para a saída. Mas o contexto não é dos mais tranquilos. Segundo reportagem da Fortune, a Xbox está preparando três novas rodadas de demissões, com cortes em outubro, novembro e janeiro. Até o momento, Sharma já eliminou 1.868 dos 3.200 cargos previstos para o ano fiscal de 2027.

A própria Sharma admitiu em carta interna, em julho: "Nosso negócio hoje não é saudável".

Por que um COO?

A criação do cargo de COO na Xbox não foi mero gesto de promoção. Representou uma mudança de arquitetura organizacional que poucos observadores do setor entenderam plenamente. Em empresas de tecnologia tradicionais, é comum que um executivo assuma um cargo novo e tenha de lidar com estruturas de poder enraizadas. Mas a Xbox é diferente: o cargo de COO era inédito, com um escopo tão amplo que, em tese, deveria centralizar todas as decisões de investimento — de lançamentos de jogos até o preço de um console e a estratégia de serviços como Game Pass.

O modelo que Sharma descreveu em julho era ambicioso: uma única pessoa com visão de ponta a ponta da operação. A lógica era evitar que cada divisão (jogos, hardware, serviços) operasse como um silo com metas conflitantes. Em vez disso, o COO seria o nó de decisão que alinha tudo.

Que essa estrutura não tenha sobrevivido a três meses diz algo sobre o nível de dificuldade que Sharma está enfrentando. Não é apenas sobre substituir uma pessoa: é sobre reconstruir a governança de uma divisão inteira.

O peso de 21 anos

Helen Chiang não era uma executiva júnior. Sua carreira na Microsoft começou em 2005, pouco depois da primeira Xbox, e passou por praticamente todas as transformações da empresa nesse período. Foi uma das arquitetas do Xbox Live, que mudou a relação entre consoles e internet. Depois, liderou a Mojang e a franquia Minecraft — o jogo mais vendido da história — durante sua expansão para filmes, mercadorias, spin-offs e a versão Education.

A transição de líder de produto para executiva operacional é sempre um salto difícil. Chiang já havia demonstrado capacidade em ambas as frentes: sabia o que fazia um jogo ser bom e sabia gerenciar orçamentos. Mas a COO da Xbox era um cargo ainda mais desafiador: com 3.200 cortes planejados, quatro estúdios transferidos para gestão externa e rumores constantes de mais demissões, o papel parecia mais um cargo de gerenciamento de crise do que de crescimento.

A rápida saída levanta questões que a indústria já se faz em silêncio. Sharma assumiu a Xbox em fevereiro de 2026, aos 38 anos, sem experiência prévia em jogos. Em setembro, concedeu uma entrevista ao New York Times explicando que "a indústria provavelmente exigirá disrupção" e que sua abordagem era pensar fora do padrão do setor. Até agora, a disrupção se manifestou como cortes massivos, reorganizações e uma reavaliação de toda a estratégia de estúdios — incluindo o abandono de cinco estúdios internos.

O que vem agora

A Xbox está em um momento de vácuo de poder. Sem COO, sem uma estrutura de governança definida para o cargo e com rodadas de demissão se aproximando, a divisão mais tradicional da Microsoft precisa encontrar um caminho para operar de forma coesa durante um período de caos interno.

A pergunta que fica não é se Sharma consegue preencher a vaga em seis meses — embora isso seja urgente. É se a própria estrutura do cargo sobrevive à experiência. Às vezes, o problema não é a pessoa, mas a função. E se a Xbox descobriu, em três meses, que um único COO com P&L sobre tudo era menos um acelerador do que um gargalo?

Com Sharma planejando cortes adicionais e rumores de reorganizações, a próxima grande decisão pode ser não apenas quem ocupa o cargo, mas se ele deveria existir da forma como foi concebido. Em uma divisão que precisa de clareza, a incerteza sobre a própria estrutura de liderança é talvez o risco mais alto.

Fontes: The Verge, GamesBeat, Gematsu

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação